Serie A

O Derby della Capitale ficou devendo bastante, com um insosso Lazio 0x0 Roma

O primeiro tempo ainda teve algumas chances claras de gol, antes que os rivais fizessem uma pelada de luxo na etapa final

Lazio e Roma prometiam bastante para o Derby della Capitale deste domingo. Não é um início de temporada no qual os dois times enchem os olhos, mas bons personagens poderiam se encarar no Estádio Olímpico. No entanto, quando a bola rolou, os rivais decepcionaram. Fizeram 90 minutos insossos pela Serie A, com um inescapável 0 a 0. O primeiro tempo até foi mais emocionante. A Roma começou melhor e teve um gol anulado, mas a Lazio cresceu na sequência e assustou mais, com bola na trave e milagre de Rui Patrício. Já o segundo tempo ofereceu um absoluto nada. Faltou qualquer resquício de emoção, com a Loba tendo mais a bola, mas sem dar trabalho. E o empate pouco auxilia os times na tabela.

Maurizio Sarri escalou a Lazio num 4-3-3. Ivan Provedel era o goleiro, com a zaga formada por Manuel Lazzari, Patric, Alessio Romagnoli e Adam Marusic. O meio reunia Mattéo Guendouzi, Danilo Cataldi e Luis Alberto. Na frente, Felipe Anderson e Pedro davam apoio a Ciro Immobile. Já a Roma de José Mourinho estava desenhada num 3-5-2. Rui Patrício abria a formação, com a trinca de zaga reunindo Gianluca Mancini, Diego Llorente e Evan Ndicka. Rick Karsdorp e Leonardo Spinazzola eram os laterais, com o meio recheado por Bryan Cristante, Leandro Paredes e Edoardo Bove. Na frente, o talento de Paulo Dybala e Romelu Lukaku.

Roma começa melhor, mas Lazio assusta mais

O início da partida esteve nas mãos da Roma. A Loba tinha mais controle da bola e também apresentava mais recursos no ataque. Até surpreendia a atitude do time de José Mourinho, adiantando a marcação. Entretanto, faltava um pouco mais de capricho nas finalizações. Lukaku foi o primeiro a aparecer, numa cabeçada por cima aos cinco minutos. Karsdorp também aproveitava o corredor na direita e proporcionava algumas das melhores jogadas do time. Aos 13 minutos, forçou uma defesa de Provedel. O rebote ficou vivo na área e Cristante mandou para dentro, mas estava impedido. Karsdorp ainda teria um arremate para fora.

A partir dos 15 minutos, o cenário do jogo virou. A Lazio conseguiu tomar o controle das ações para si e começou a ocupar o campo de ataque, empurrando a Roma para trás. As oportunidades dos biancocelesti se tornaram até mais claras. Quase Luis Alberto marcou um golaço aos 25, numa cobrança de falta que tinha endereço, mas bateu na trave, na altura do ângulo. Logo depois, outra bola parada dos laziali provocou calafrios. Romagnoli desviou de cabeça e Rui Patrício buscou no cantinho, com uma defesaça. A Loba ficava acuada e não conseguia nem conectar seus atacantes nos contragolpes.

Já na reta final do primeiro tempo, ainda que a Lazio continuasse ditando as ações, o clássico ficou mais pegado. Os cartões amarelos passaram a pintar em campo e nenhum dos times conseguia ser tão preciso na hora de abrir o placar. Os laziali continuavam rondando e Luis Alberto teve uma boa escapada, mas sem conseguir definir bem. Estava em ótimas condições dentro da área e mandou por cima. A balança pendia aos biancocelesti antes do intervalo, mas sem o gol.

45 minutos de nada

O segundo tempo voltou ainda truncado, sem grandes lances. A Roma voltou a ficar mais com a bola e rodava os passes, mas com dificuldades de romper a defesa da Lazio. Lukaku incomodou em alguns momentos, mas as finalizações acabavam travadas. No máximo, Dybala teve uma cabeçada para fora aos três. Não que a Lazio fizesse muito e, quando Immobile invadiu a área na velocidade, perdeu no corpo para Mancini. Até do lado de fora os ânimos estavam exaltados, com Mourinho pedindo a expulsão de Immobile pelo segundo amarelo.

A Lazio fez as primeiras trocas, aos 20 minutos. Matías Vecino e Gustav Isaksen entraram, enquanto Cataldi e Pedro saíram. Pouca coisa acontecia, com a Roma ainda apresentando uma postura mais interessada pelo resultado positivo. Nem os contra-ataques funcionavam para os laziali, mas o time ia bem para travar os lances na zaga. Rui Patrício só voltou a trabalhar aos 28, num chute de longe de Vecino, que Rui Patrício pegou sem dificuldades. E o uruguaio sequer ficou muito tempo em campo, lesionado, dando lugar a Nicolò Rovella.

O clássico era um grande marasmo, sem passar de chances pela metade. As finalizações vinham a conta gotas, quase nunca com perigo. Sarri pelo menos mexia mais em seu time. Aos 37, Elseid Hysaj e Daichi Kamada foram as últimas cartadas. Mourinho esperou o relógio se aproximar dos 40 quando acionou Sardar Azmoun e Renato Sanches, saindo Dybala e Bove. Deu tempo também para Zeki Çelik e Rasmus Kristensen participarem no final. Nos minutos derradeiros, a Lazio passou a ficar mais com a bola e a rondar. Nada de concreto.

A Roma aparece na sétima colocação da Serie A, com 18 pontos. Perde a chance de se aproximar do G-4, numa rodada em que alguns de seus oponentes logo acima perderam. Já a Lazio faz uma campanha até pior, em décimo, com 17 pontos. No fim das contas, o resultado do clássico reflete um início de Campeonato Italiano que não empolga tanto na capital.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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