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Resta (sempre) um

Na temporada atual e também nas últimas três, a Itália teve sete times disputando as competições europeias. As campanhas dos times do país têm sido, de modo geral, tão vexatórias que a Velha Bota acabou perdendo uma das vagas continentais – são quatro anos seguidos colocando apenas uma equipe entre as 16 que chegam às quartas de final da Liga dos Campeões e da Liga Europa. O ranking de clubes da Uefa aponta a Itália, hoje, como a quarta força do continente. E a liga local sente uma aproximação perigosa de França e Portugal, que podem ultrapassá-la, em curto prazo.

Aquela época em que os times italianos eram temidos nos certames continentais já se passou. Nestes quatro anos de queda vertiginosa, a versão europeia das equipes locais tem estado dividida entre a incompetência e a soberba. De certa forma, a única a se salvar é a Inter, que venceu a Liga dos Campeões em 2010. Ainda assim, nas outras temporadas a Beneamata protagonizou vexames, como a derrota para o modestíssimo turco Trabzonspor.

Não é tão difícil catalogar as eliminações como incompetência ou soberba. Geralmente, a primeira destas tem a Liga dos Campeões como terreno. Na atual temporada, Napoli e Inter tropeçaram nas próprias pernas e entregaram classificações encaminhadas. Enquanto Cavani e amigos esbarraram no nervosismo de enfrentar o Chelsea, Lúcio conseguiu falhar feio na prorrogação do jogo com o Olympique e dar um gol decisivo a Brandão. Incompetência. E o Milan, irreconhecível, quase também acabou fora do torneio, mesmo depois de fazer 4 a 0 no jogo de ida. Levou três do Arsenal, em Londres, e acendeu os nervos de Ibrahimovic.

Também nas três temporadas anteriores, a incompetência italiana imperou na Liga dos Campeões. Ou o Shakhtar era tão superior à Roma ao ponto de fazer 3 a 0 com facilidade no time da capital? E que tal a queda do Milan para o Tottenham, ou a Juventus eliminada na fase de grupos com uma goleada para o Bayern, em Turim, ou o Milan levando quatro gols do Manchester United nas oitavas de final, ou a Inter arrancando um empate heroico com o cipriota Anorthosis, ou a Roma eliminada por causa de um pênalti isolado pelo lateral esquerdo reserva?

A soberba entra em campo na Liga Europa. Desconsiderada por causa da arrogância dos clubes italianos, a competição costuma servir de palco para treinamento de atletas reservas. Sim, o Palermo ainda estava com o elenco em construção no início do último mês de agosto, mas pagou por deixar Miccoli, Bacinovic e Nocerino no banco contra o suíço Thun. Caiu ainda nas preliminares da competição. A Roma acabou eliminada na mesma fase. Talvez a estreia na temporada não fosse a hora certa para deixar Totti e Borriello no banco para escalar Caprari e Okaka. Muito menos para testar Cassetti como zagueiro.

Engana-se quem pensa que a arte de subestimar os adversários é novidade para as equipes italianas. Em 2010-11, com reservas, a toda-poderosa Juventus já teve as manhas de empatar os seis jogos da fase de grupos e ver o polonês Lech Poznan ir ao mata-mata. Isso porque, no ano anterior, já havia sido goleada pelo Fulham, nas oitavas de final, quando atuou sem força máxima. Com tantas decepções e poucas alegrias, estranho seria se o coeficiente europeu italiano não caísse.

Olhar com mais carinho para a tal segunda divisão continental e se reforçar com inteligência em mercados emergentes para a disputa na elite chamada Liga dos Campeões são tarefas básicas que devem ser seguidas se alguém pretende que esse cenário mude algum dia.

Pallonetto

– Os sobreviventes nas quartas de final: 2011-12, Milan (Liga dos Campeões); 2010-11, Inter (Liga dos Campeões); 2009-10, Inter (Liga dos Campeões); 2008-09, Udinese (Copa Uefa).

– Vale notar que Udinese e Lazio, eliminadas na atual Liga Europa, não escalaram reservas no mata-mata do torneio. Um avanço em relação ao comportamento das mesmas equipes em anos anteriores.

– As duas últimas rodadas do Campeonato Italiano recolocaram a Roma na briga por uma vaga da Liga dos Campeões. Os amigos de Totti fizeram seis pontos e se recuperaram da derrota no dérbi local. No mesmo período, o Napoli somou quatro pontos, a Udinese conseguiu um e a Lazio acabou derrotada duas vezes.

– Surpresa na luta por vagas europeias é o Catania, invicto há quatro rodadas (três vitórias, um empate). Os comandados de Montella possuem os mesmos 41 pontos da Inter. Dificilmente uma classificação será possível, mas já é uma temporada para ser recordada com carinho.

– A goleada que a Fiorentina sofreu para a Juventus em casa, por 5 x 0, derrubou o diretor esportivo Pantaleo Corvino. Mas as decisões da diretoria andam tão lentas por lá que até a queda ocorrerá em médio prazo: ele sai do cargo no fim de junho.

– Falando em crise, não podemos nos esquecer da Inter, que voltou a tropeçar na rodada passada: empate sem gols com a Atalanta. Nas últimas dez rodadas, foram três empates e seis derrotas. Incrível é como Ranieri se sustenta no cargo.

– Seleção Trivela da 28ª rodada: Frey (Genoa); Bellusci (Catania), Kjaer (Roma), Legrottaglie (Catania), Dramé (Chievo); Emanuelson (Milan), Pirlo (Juventus), Pinzi (Udinese); Pinilla (Cagliari), Cavani (Napoli), Vucinic (Juventus).

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