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Rebaixado e falido, Parma mostrou que não eram favas contadas contra a Juventus

Já rebaixado, com mais de oito meses de salários atrasados e com um retrospecto para lá de negativo, ninguém poderia apostar no Parma contra a líder do Campeonato Italiano, Juventus. Tanto que os líderes levaram um time alternativo ao estádio Ennio Tardini. Acabaram engolidos por uma raça e um instinto de sobrevivência que os jogadores do Parma têm. Eles se recusam a se dar por vencidos e jogam tudo que podem. O resultado foi o que se viu: vitória por 1 a 0 sobre o melhor time da Itália.

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Não é uma novidade nas últimas rodadas. Com promoção de ingressos, a cidade tenta abraçar o time que cai pelas tabelas. Na última rodada, o Parma venceu a Udinese em casa por 1 a 0. Na rodada anterior, empatou com a Inter em Milão por 1 a 1. O time se recusa a se entregar. Em 28 jogos até este contra a Juventus, eram só quatro vitórias, quatro empates e 20 derrotas. O 29ª jogo foi uma vitória contra o time que é o virtual campeão italiano, ainda que com um time basicamente reserva em campo.

O jogo foi como o esperado: a Juventus com mais posse de bola, mais chutes a gol, mais chegadas ao ataque. Mas esse panorama não permaneceu no segundo tempo, surpreendentemente. O Parma continuou com menos posse de bola, mas passou a ameaçar no ataque. Foi assim que chegou ao gol.

Em um contra-ataque muito rápido pelo meio, Ghezzal tocou para Belfodil, que ajeitou para trás. José Mauri bateu de primeira, um chute bonito, e marcou um golaço. O garoto que veste a camisa 8 do Parma tem só 18 anos, é argentino de nascimento, mas criado em Parma e, por isso, tem nacionalidade italiana. É fruto das categorias de base dos Ducali. Fez 25 jogos, marcou dois gols. Este segundo, o mais importante da sua carreira até aqui. Vibração de uma torcida que continua torcendo, firme, porque o time está rebaixado, mas a luta é para continuar vivo. O time se segurou na defesa como pode. O técnico Roberto Donadoni, que levou o time a uma grande campanha na temporada passada, trancou o time na defesa. A Juventus, pouco criativa, não conseguia ameaçar.

À medida que o tempo passada, os torcedores do Parma continuavam acreditando me uma vitória. O time se segurou e ainda conseguiu ameaçar no ataque. A torcida continua gritando, vibrando, torcendo, comemorando cada vitória como se fosse uma Copa do Mundo. Foi assim quando o juiz apitou o final do jogo. Os jogadores foram lá comemorar com os torcedores, merecidamente. Como se diz no Football Manager, o Parma mostrou que não eram favas contadas.

A vitória é simbólica também pelo retrospecto dos dois times. Em 56 jogos, são 28 vitórias da Juventus, 16 empates e 12 vitórias do Parma. É uma ampla vantagem do time de Turim, muito mais forte e rico. O Parma pode estar falido, rebaixado e com salários atrasados por oito meses. Mesmo assim, o time sobrevive. Graças, também, à sua torcida e à raça que os jogadores demonstram em campo.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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