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O exemplo que vem de baixo: Serie B italiana adota teto salarial

Na semana passada, a liga que administra a Serie B italiana tomou uma decisão importante para o futuro: adotou um teto salarial que promete equilibrar o campeonato e evitar que alguns clubes se comprometam financeiramente com o que não podem arcar. Desta forma, ajudam o futebol nacional, que tem visto diversos clubes de divisões inferiores decretarem falência desde a década de 90.

A medida tomada pelos dirigentes da segundona italiana não é nova – existe, por exemplo, na Major League Soccer americana e em outras esferas esportivas dos Estados Unidos, como NBA e NFL. começa a valer para contratos iniciados em 1º de julho – inclusive para renovações. O teto salarial é de 300 mil euros anuais por jogador – 150 mil fixos e outros 150 mil em variáveis relativas a bônus de contrato. Equipes que descumprirem a medida sofrerão sanções financeiras e metade do valor será repassado para as equipes que estão limpas. A outra parte será destinada às equipes que tiverem as equipes sub-21, conhecidas como Primavera, classificadas à fase final do torneio da categoria. Resumindo: as multas servirão para reforçar os rivais.

A questão, agora, é ver como as equipes que forem rebaixadas da Serie A irão se adaptar à esta realidade. Hoje, quatro equipes estão realmente envolvidas na briga contra o rebaixamento na Serie A. O lanterna Pescara (21 pontos), Palermo (24), Siena (26) e Genoa (27) – Atalanta, com 34 pontos, dificilmente será ameaçada nas próximas oito rodadas. Enquanto Pescara e Siena são equipes de orçamento mais baixo, Genoa e Palermo tem presidentes milionários e que investem muito. Será, sem dúvidas, mais fácil para as duas primeiras equipes citadas, adequarem-se ao teto da segundona.

Números divulgados pela Gazzetta dello Sport no início da temporada revelam que o Genoa tinha a 8ª maior folha salarial do campeonato, enquanto o Palermo tinha a 12ª maior – no caso da equipe da Sicília, isso provavelmente mudou, com as contratações feitas em janeiro. Em caso de queda, grifoni e/ou rosanero terão de fazer malabarismos para manter o modelo de negócio.

Maurizio Zamparini, presidente do Palermo, já vem reduzindo sensivelmente seus custos com o clube, principalmente em termos de salários e em valores de contratação de jogadores. No entanto, o clube continua contratando e vendendo por atacado, motivo que mantém as contas mais ou menos em dia também no Genoa. No entanto, Enrico Preziosi gasta mais que o seu colega de Palermo e infla seu elenco. Preziosi, pasmem, já negociou mais de 400 jogadores desde que assumiu a presidência rossoblù, em 2003.

Outra medida tomada pela liga que pode atrapalhar Genoa e/ou Palermo tem a ver com o tamanho dos elencos. A partir da próxima temporada, cada clube terá de ter um máximo de 22 jogadores com mais de 21 anos em seus elencos, como forma de incentivar a maturação das categorias de base. Atualmente, no extenso elenco do Palermo, apenas três dos 28 atletas tem menos de 21. No ainda mais extenso (e perdulário) elenco genoano, são três de 32.

Não é difícil imaginar que uma queda para a Serie B seria um baque para qualquer uma das duas equipes. No caso do Palermo, por exemplo, difícil imagnar que o capitão Fabrizio Miccoli permaneça em caso de queda. Ele ganha 1,2 milhões de euros por temporada e seu contrato se encerra em 30 de junho. Teria de abrir mão de três quartos de seu atual salário para permanecer em La Favorita.

Bons jogadores, como Josip Ilicic, Paulo Dybala, Abel Hernández e Stefano Sorrentino fatalmente teriam de ser negociados. No Genoa, o mesmo aconteceria com Marco Borriello, Sébastien Frey, Andreas Granqvist, Juan Vargas e tantos outros. Haveria debandada e o montante que entraria em caixa dificilmente seria reinvestido em jogadores da mesma qualidade. É mais fácil imaginar que os clubes invistam em jovens e baratos valores, adequando-se à medida imposta pela liga. Um caminho muito bom para o amadurecimento desses jogadores, mas provavelmente pedregoso para clubes tradicionais que desejam voltar imediatamente à elite.

Neste panorama complicado e que exigirá uma mudança de mentalidade por parte dos mandatários das equipes de futebol, não se deve descartar nem mesmo uma troca na presidência dos clubes citados. Vale lembrar que a pressão da torcida sobre os presidentes é grande e tanto Zamparini quanto Preziosi já declararam publicamente que poderiam vender os clubes caso o negócio não fosse mais satisfatório.

Esta nova Serie B, sem dúvidas, será interessante de acompanhar. O equilíbrio, que já é marca da competição, deve ser ainda maior, e ver as equipes se adequando às novas (boas) regras será um exercício de repensamento da gestão futebolística não só na Itália, mas no mundo. O novo modelo certamente premia a responsabilidade dos clubes e é um exemplo para outros campeonatos, a começar pela Serie A, que vê seus clubes em situação financeira complicada. Vamos ver quem saberá usar isto a seu favor e triunfará.

Pallonetto

– O Bayern Munique passeou sobre a Juventus mais cedo pela Liga dos Campeões. No pior jogo da Era Conte, os pilares Gianluigi Buffon, Andrea Barzagli e Andrea Pirlo jogaram muito mal. Não é coincidência.

– Seleção Trivela da 30ª rodada: Agazzi (Cagliari); Biava (Lazio), Rossettini (Cagliari), Paletta (Parma); Candreva (Lazio), Dzemaili (Napoli), Montolivo (Milan), Ilicic (Palermo); Quagliarella (Juventus), Amauri (Parma), Cavani (Napoli). Técnico: Ivo Pulga (Cagliari).

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