Serie A

Piatek não será o salvador da pátria, mas o Milan aposta em sua fome de gols para uma guinada

O Milan nem bem esperou o anúncio de Gonzalo Higuaín como novo reforço do Chelsea para já oficializar o seu substituto: Krzysztof Piatek desembarca em Milão cheio de moral, após um primeiro semestre imparável com a camisa do Genoa. O centroavante polonês já provou que sabe fazer gols na Serie A, exibindo uma qualidade imensa nos arremates, assim como a capacidade de decidir em apenas um toque. Resta saber se a boa fase também se ampliará com a camisa rossonera, diante de uma exigência bem maior. Em muitas partidas o time de Gennaro Gattuso sentiu falta de um matador eficiente. Resta saber se isso bastará, considerando os muitos outros entraves da equipe que não engrena na temporada.

Quando chegou ao San Siro, Higuaín parecia um grande acerto do Milan. Um atacante com ótimos momentos na Serie A e que vinha para liderar uma equipe jovem. Exceção feita aos dois primeiros meses de sua passagem, pouco correspondeu às expectativas. Foi questionado por sua forma física, não exibiu a sede de gols de outrora, até chegou a ser eclipsado por Patrick Cutrone. E o clássico contra a Juventus, no qual perdeu um pênalti e ainda foi expulso, enterrou sua curta trajetória com os milanistas. Parecia descontente e sem clima para seguir no grupo. A proposta do Chelsea virou sua cabeça e não restava aos rossoneri buscarem outra alternativa. Com o fim do empréstimo do argentino, Piatek surgiu como a aposta mais desejada.

O primeiro semestre de Piatek no Genoa fez com que ele fosse cobiçado além da Itália. O centroavante era pouco conhecido até ser contratado pelo Grifone, mesmo depois de brigar pela artilharia do Campeonato Polonês com o KS Cracovia. De qualquer maneira, o início arrasador na Serie A referendou a sua qualidade. O matador balançou as redes de tudo quanto é forma. Bom nos tiros da entrada da área e também com suas virtudes no jogo aéreo, anotou nove gols nas primeiras oito rodadas. Pela Copa da Itália, ainda fez seis nos primeiros dois compromissos. A sequência não se manteve depois, algo natural em uma equipe que briga contra o rebaixamento. Mesmo assim, a boa forma em dezembro serviu para reavivar as especulações quanto à saída precoce do goleador. Algo que se tornou natural, diante do interesse do Milan.

Ao Genoa, o negócio foi excelente. O clube comprou Piatek por €4,5 milhões e, seis meses depois, o vendeu por €35 milhões. Pode perder um jogador importante em sua missão de permanecer na Serie A, mas dá para reforçar bem o elenco com o dinheiro faturado. Já o Milan assume seus riscos, também sabendo que o centroavante pode se aprimorar mais. A um jogador de 23 anos, com tempo pela frente, as chances de justificar o investimento são razoáveis, a não ser que o camisa 19 se prove um verdadeiro engano. Todavia, pelas provas repetidas de seu instinto na área, dá para esperar os gols e a vontade que compensem o preço pago.

O ponto é que a mera adição de Piatek talvez não seja suficiente a um Milan bagunçado. A partida contra o próprio Genoa, nesta semana, serve de exemplo. Durante o primeiro tempo, os rossoneri tiveram muitas dificuldades para conectar o seu ataque e criar chances. Apenas na segunda etapa é que as coisas melhoraram. A adição do centroavante deve ser um complemento, não uma condição que limite a equipe a acioná-lo toda hora. E, até pela repercussão, a cobrança sobre o polonês será considerável. Só não podem achar que ele, sozinho, será o salvador da pátria em Milanello.

Dito isso, Piatek também beneficia seus companheiros. Se em algumas partidas Higuaín parecia acomodado demais, a energia e a movimentação do novato o tornam um alvo melhor aos passes de seus colegas. Mesmo Cutrone pode se aproveitar de uma parceria com o novo contratado. Se a tarimba do antigo homem de referência pouco serviu aos milanistas, a mudança é bem-vinda para agitar o elenco. Caberá ao polonês demonstrar a mesma vontade exibida no início da jornada com o Genoa. O fardo em suas costas é pesado.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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