Serie A

Pessina começou no Monza quando o time lutava para não cair na Serie C e volta para liderar o clube na Serie A

Pessina nasceu na cidade de Monza e despontou na base do clube, antes de ajudar os biancorrossi a vencerem os playoffs de rebaixamento na Serie C 2014/15 - quando tinha 17 anos

O mercado de transferências está bastante recheado para alguns clubes que acabaram de conquistar o acesso. E o Monza faz uma das melhores janelas da Itália, rumo à sua estreia na Serie A. Os biancorrossi são bancados pelo proprietário Silvio Berlusconi, além de contarem com o conhecimento de Adriano Galliani nas negociações. Os dois veteranos, então, conseguem excelentes reforços mesmo para um time sem tanta projeção e recém-promovido. Nesta quarta-feira, uma novidade excelente foi o meia Matteo Pessina, em acerto determinado por ligações sentimentais. O italiano é prata da casa e, depois de idas e vindas, retorna para o antigo clube por empréstimo de uma temporada. Até por esse passado, a promessa é de que ele assuma a braçadeira de capitão.

Pessina nasceu em Monza e defendeu o clube desde criança, ao longo das categorias de base. Já como profissional, disputou apenas uma temporada com os biancorrossi, em 2014/15. Na época, o time estava na Serie C e precisou jogar os playoffs contra o rebaixamento. O garoto de 17/18 anos participou de 22 partidas ao longo da terceirona e foi exatamente um dos heróis da salvação. Anotou três gols nas vitórias contra o Pordenone, que assegurariam a manutenção do time. Entretanto, com a falência decretada, a agremiação precisou iniciar sua reconstrução a partir da Serie D na temporada seguinte.

Naquele momento, Pessina buscou novos rumos e não iniciou a ascensão do Monza. O garoto se destacou tanto que assinou com o Milan, ainda presidido por Berlusconi e dirigido por Galliani. Inicialmente rodou por empréstimos pelas divisões de acesso, sem ganhar uma chance com os rossoneri. O meia defendeu Lecce, Catania e Como na terceirona. Foi neste momento que assinou com a Atalanta, exatamente no ano em que Berlusconi e Galliani deixaram o poder em Milão. Ainda teria passagens pelo Spezia na Serie B e pelo Verona na Serie A, onde conseguiu seu melhor rendimento. Já nas duas últimas temporadas, ganhou mais espaço na Dea.

O bom trabalho de Pessina o colocou na rota da seleção italiana às vésperas da Eurocopa e ele participou da conquista em 2021. Teve boas atuações, especialmente pela importância na difícil classificação contra a Áustria na prorrogação. Todavia, o meia caiu bastante de rendimento na última temporada e passou a frequentar o banco de reservas na Atalanta. Não era imprescindível e tentará um recomeço na sua cidade, com o empréstimo de um ano para o Monza, com opção de compra.

A volta de Pessina ao Monza guarda vários reencontros. Vai se provar no clube em um nível bastante diferente daquele de sete anos atrás, assim como voltará a trabalhar com Berlusconi e Galliani, que chegaram aos biancorrossi em 2018. Até por essa ligação, o meia talvez seja o reforço mais valioso dessa janela de transferências. Aos 25 anos e ainda presente nas convocações da seleção italiana durante o último ano, tem condições de recuperar o seu melhor na velha casa.

Pessina é a sexta novidade do Monza para a Serie A. Os outros negócios de peso foram os empréstimos do goleiro Alessio Cragno e do meio-campista Stefano Sensi, mais dois jogadores com nível de seleção. O clube ainda trouxe para a defesa dois jovens: o zagueiro Andrea Carboni (Cagliari) e o lateral Samuele Birindelli (Pisa). E aproveitou o fim de contrato de Andrea Ranocchia com a Internazionale para adicionar um pouco mais de experiência. Na apresentação de Pessina, enquanto o meia falava sobre fugir do descenso, Galliani o corrigiu e disse que o objetivo é o décimo lugar. Pelo nível das contratações, a ambição se evidencia.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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