Falamos, na semana passada, sobre Lazio e Napoli, que gastam menos que as grandes equipes e tem sucesso no futebol italiano. Desta vez, o assunto da coluna volta a ser economia. Mas, ao invés de falarmos sobre as equipes que brigam na parte de cima da tabela, reservaremos os próximos parágrafos para equipes menores, que lutam para se manter na parte alta da tabela e conseguem atingir seus objetivos.
Uma das equipes que melhor tem conseguido se virar sem grandes somas de dinheiro é o Parma. Os parmenses chegaram a falir, em 2004, depois dos gastos desenfreados à época da Parmalat e também foram rebaixados na temporada 2007-08. Hoje, a equipe tem os pés no chão e uma boa organização. O primeiro passo para a estabilização foi a compra do clube por Tommaso Ghirardi, empresário bresciano.
Ghirardi comprou o clube antes mesmo do rebaixamento em 2008. A queda, inclusive, fez bem à equipe, que começou a equilibrar seus balanços e a fazer apostas corretas. Assim, o Parma retornou à Serie A imediatamente e, desde então emplaca boas campanhas. O grande motivo para isso é a escolha dos técnicos, que conseguem trabalhar com um elenco modesto, que raramente conta com a chegada de jogadores caros.
Nestes últimos anos, a contratação mais cara do clube foi Bojinov, que chegou do Manchester City por 6 milhões de euros. Ao passo que contrata pouco e barato, o clube consegue valorizar os jogadores que chegam e també tem muitos jovens emprestados pela Itália. Por isso, está sempre com as contas equilibradas – e teve até lucro em 2008-09 e 2010-11. Nos últimos cinco anos, o lucro é de mais de 24 milhões de euros.
O primeiro técnico da série de acertos parmiggiana foi Francesco Guidolin, hoje na Udinese, que levou a equipe emiliana à oitava colocação logo em sua volta à elite. Depois, Pasquale Marino e Franco Colomba não chegaram a fazer excelentes trabalhos, mas deixaram o Parma em uma confortável 12ª colocação. Desde o fim de 2011, quem dá as cartas é Roberto Donadoni, com grande competência. Hoje, o Parma ocupa a 9ª posição, com 31 pontos – cinco a menos que a Fiorentina, que estaria classificada à Liga Europa. Dentre todos os times do Campeonato Italiano, o Parma é o único invicto em casa.
Para ter sucesso no Ennio Tardini, em primeiro lugar, Donadoni recuperou o mesmo esquema tático da equipe treinada por Guidolin – o 3-5-2 -, estabelecendo variações quando necessário. O elenco mantém praticamente a mesma base de 2009 e Donadoni enxergou na reproposição do esquema a chave para iniciar seu ótimo trabalho. O atual Parma tem grandes contribuições suas, uma vez que a saída de Giovinco não está sendo sentida. Donadoni tem apostado nos avanços dos jovens Biabiany (24 anos) e Sansone (21), que atacam sempre com velocidade, no suporte a Belfodil (21).
Sansone, formado no Bayern Munique, é uma das surpresas da temporada, e já marcou gols contra Juventus e Inter – na Serie A, são 4. O artilheiro do time também foi bancado por Donadoni. Belfodil está fazendo Amauri amargar o banco de reservas e já marcou 7 gols no campeonato. Forte e ágil, aliando técnica, boa presença de área e finalização, é um atacante com muito potencial. não só para atuar como goleador mas como atacante de suporte a um centroavante. Por dar oportunidade a este tipo de talento e ter feito seu time funcionar de maneira sólida, Donadoni já está sendo sondado para dirigir o Milan, equipe onde fez história como jogador, na próxima temporada.
Outra equipe que segue o mesmo modelo do Parma é o Catania, 8º colocado, com 32 pontos. Em primeiro lugar, a equipe tem percebido que é importante dar tempo aos treinadores. Se antes as escolhas da diretoria não eram as mais interessantes (o que dizer das contratações dos fracos Gianluca Atzori, em 2009, e Marco Giampaolo, em 2010?), ao menos os planos B eram eficientes. A contratação de Vincenzo Montella, no ano passado, se mostrou acertada e consolidou a evolução da equipe, que desde 2009, bate sucessivamente seu recorde de pontos na Serie A. O atual, de Montella, é de 46 pontos, mas o novo técnico, Rolando Maran, parece plenamente capaz de batê-lo.
Na Serie A desde 2006, quando retornou à elite após quase 40 anos de ausência, o Catania apostou em Maran, que é estreante na primeira divisão, e vem de um grande trabalho no Varese, quando deixou os lombardos a um passo da elite – perderam a final dos play-offs para a Sampdoria. Na Sicília, Maran aproveitou a base de Montella e praticamente manda a equipe a campo com os mesmíssimos titulares da última temporada e a mesma postura tática e filosofia de jogo: Lodi arma as jogadas no vértice baixo do meio-campo, contando com uma preciosa ajuda de Almirón. Nas pontas, Barrientos e Gómez, apoiados por Marchese, promovem o inferno nas defesas adversárias, enquanto Bergessio é o clássico pivô, que ajeita as jogadas para os meias.
De maneira semelhante ao Parma, o Catania também gasta muito pouco – fruto sobretudo, do excelente trabalho de prospecção na América do Sul, comandado nos últimos anos pelo diretor esportivo Pietro Lo Monaco, atualmente no Palermo. Nos últimos cinco balanços anuais, a equipe apresentou lucro em três deles, e tem lucro total de pouco mais de 4 milhões de euros neste período.
O lucro só não é maior porque em 2009 o presidente Antonio Pulvirenti colocou a mão no bolso para contratar alguns jogadores que até hoje compõem a base do time, como Andújar, Spolli, Marchese e Barrientos. Como muitos deles se valorizaram e podem ser vendidos por valores bem superiores que os de compra, a expectativa é que o Catania junte ainda mais verbas para incrementar a sua estrutura – só no ano passado, a equipe inaugurou um centro de treinamentos novo, com cinco campos de futebol.
Em um momento de crise no futebol italiano, se boa parte das grandes equipes tem começado a sentir a necessidade de se adaptar a uma realidade sem dinheiro, os pequenos tem uma outra preocupação: fazer o melhor com pouco dinheiro e, às vezes, apagar incêndios. Na Itália, como em nenhum outro país europeu, administrações ruins nos últimos anos custaram a falência de equipes grandes, médias e, sobretudo, pequenas – só para ilustrar, além do próprio Parma, já faliram também Fiorentina, Napoli, Torino, Perugia, Piacenza, Triestina e Pisa. Para evitar falências, é necessário planejamento e inteligência. E, isto, Parma e Catania tem de sobra.
Pallonetto
– Milan e Real Madrid interromperam negociações por Kaká devido a “problemas fiscais”, segundo disse Adriano Galliani, administrador-geral do clube. Se conseguir parcelar em até seis vezes, o Milan ainda pode contratar Balotelli, em busca de um salto de qualidade. Hoje, ao lado da Juventus, o Milan é o time que mais somou pontos nas últimas 13 rodadas.
– Cavani já chegou aos 100 gols na Serie A. Perto de fazer 26 anos, o uruguaio já é o quinto melhor marcador entre os jogadores em atividade no campeonato. Atualmente, ele ocupa a artilharia da atual edição da Serie A, com 17 gols.
– Após venda de Sneijder ao Galatasaray, apenas cinco jogadores titulares daquela Inter que conquistou o Triplete em 2009-10 permanecem no time. Ao todo, são sete jogadores do elenco que continuam em Milão: Zanetti, Samuel, Chivu, Cambiasso, Stankovic, Mariga e Milito.
– Na Fiorentina, o brasileiro Neto é o novo titular. Mesmo tendo falhado na semana passada, ele tomou a vaga de Viviano, que é torcedor da equipe, mas em seu clube do coração não conseguiu ter a mesma performance que no Bologna. Inclusive, ele pode até ser negociado com o time bolonhês.
– Seleção Trivela da 21ª rodada: Handanovic (Inter); Dossena (Palermo), Marquinhos (Roma), Bonucci (Juventus), Constant (Milan); Izco (Catania), Pogba (Juventus), Cerci (Torino); Vucinic (Juventus), Pazzini (Milan), Floccari (Lazio). Técnico: Rolando Maran (Catania).



