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Os 60 anos de Boniek, um craque por onde passou e também um grande ser humano

Em uma época na qual a Serie A tinha os melhores jogadores do mundo, ele estava no topo. Em uma Copa do Mundo que contou com diversos craques, ele apareceu no 11 ideal. Zbigniew Boniek jogou muita bola por onde passou. E em uma época na qual a concorrência era ferrenha. Estrelou fortes seleções da Polônia, assim como era um dos protagonistas em equipes brilhantes da Juventus e da Roma. Um meio-campista cerebral, daqueles que enchiam os olhos pela capacidade técnica impressionante. Lenda pela maestria dentro de campo, mas também por suas atitudes além das quatro linhas, que completa 60 anos nesta quinta.

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Boniek surgiu no pequeno Zawisza Bydgoszcz, de sua cidade natal. E atraiu tanto as atenções do Widzew Lódz que os próprios jogadores do time se uniram para trazê-lo. Os mais experientes tiraram dinheiro do bolso para bancar a transferência do garoto de 19 anos. Não se arrependeram. O novato logo despontou pelos alvirrubros e liderou o clube a dois títulos poloneses. Em 1978, aos 22 anos, já fez parte da tarimbada seleção que ficou entre os seis melhores da Copa do Mundo. E quatro anos depois liderou a Polônia até as semifinais. Seu recital veio contra a forte Bélgica, anotando todos os gols na vitória por 3 a 0. O suficiente para ser apontado à seleção do torneio montada pela Fifa.

O sucesso no Mundial de 1982 o levou à Juventus por um valor recorde na Polônia. E o meio-campista não decepcionou na Velha Senhora, base da Itália campeã e que também levou naquele ano Michel Platini. Foram três temporadas de Boniek na equipe, conquistando um título da Serie A, uma Copa da Itália, uma Recopa Europeia e uma Champions – e lembrado especialmente pelas atuações magníficas nas competições continentais. A tragédia de Heysel, aliás, marcou muito o polonês. Boniek doou o prêmio em dinheiro recebido pelo título da Copa dos Campeões às vítimas do desastre na final. E, apesar do trauma, não abandonou o seu país. Mesmo titular contra o Liverpool, viajou no dia seguinte para a Albânia, onde a Polônia disputaria jogo decisivo pelas Eliminatórias da Copa de 1986. Coube ao próprio Boniek anotar o gol da vitória por 1 a 0, que garantiu a classificação ao Mundial.

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Na temporada seguinte, Boniek se transferiu para a Roma, substituindo Paulo Roberto Falcão como o principal astro estrangeiro do elenco. E não decepcionou, fazendo três temporadas consistentes e ainda erguendo a taça da Copa da Itália em 1986. Além disso, capitaneou a seleção polonesa em sua terceira e última Copa do Mundo. Com um elenco mais enfraquecido, a Polônia caiu nas oitavas de final, goleada pelo Brasil. Dois anos mais tarde, Boniek pendurou as chuteiras pelo clube e pela seleção – na qual, com 80 partidas e 24 gols, aparece entre os 10 mais frequentes em campo e os 10 maiores artilheiros.

Ao final da carreira, Boniek até tentou seguir a carreira de técnico na Itália, mas teve pouco sucesso. Sua grande contribuição veio mesmo em seu país natal. Em 2012, o ex-jogador se tornou presidente da federação polonesa, três meses após a realização da Eurocopa no país. E manteve a sua popularidade junto aos torcedores, liderando um movimento para permitir pirotecnia nas arquibancadas e aumentando a liberdade aos ultras. Idolatria que conseguiu superar os limites do campo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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