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Os 50 anos de Skuhravý, o último grande ídolo da Tchecoslováquia

Das seleções de futebol que um dia já existiram, mas acabaram extintas diante das mudanças geopolíticas do planeta, nenhuma é mais representativa do que a Tchecoslováquia. Duas vezes vice-campeão mundial, a seleção participou de mais Copas do Mundo do que qualquer outro vizinho da antiga Cortina de Ferro. Além disso, também conquistou a Euro em 1976 e o ouro olímpico em 1980. Força que viveu o seu último grande momento em 1990, no Mundial da Itália. E contou com o brilho de um centroavante para fazer campanha digna no torneio: Tomás Skuhravý, o último grande jogador tchecoslovaco. Artilheiro que completa 50 anos nesta segunda-feira.

Longe do favoritismo, a Tchecoslováquia levou um time digno à Copa de 1990. Miroslav Kadlec e Ivan Hasek eram os esteios na defesa, enquanto o meio-campo estava bem servido com a qualidade de Lubos Kubík e Michal Bílek. Entretanto, uma seleção que se portava recuada, em um torneio marcado pelos ferrolhos, dependia do faro de gol de seu camisa 10. Skuhravý fazia o serviço. Os tchecoslovacos passaram pela primeira fase, perdendo para a Itália, mas superando o confronto direto com a Áustria pelo segundo lugar. Já nas oitavas de final, contaram com seu goleador para passar por cima da Costa Rica. Até a verdadeira pedreira, vendendo caro a eliminação para a Alemanha Ocidental nas quartas de final, por 1 a 0.

Skuhravý não teve tanto sucesso como seus antepassados na seleção, mas acabou o Mundial entre os melhores atacantes. Vice-artilheiro com cinco gols, o destaque do Sparta Praga nem deixou a Itália. Aos 25 anos, mudou-se para a Serie A, onde também viveu os anos dourados do calcio com o Genoa. Virou ídolo no Luigi Ferraris, liderando o clube a sua melhor campanha no Italiano em 50 anos e garantindo uma inédita vaga em copas europeias. Ainda foi semifinalista da Copa da Uefa de 1991/92, além de se colocar entre os maiores goleadores da história do clube.

Dono de ótimo porte físico, Skuhravy fez sua fama como um exímio cabeceador, mas também tinha a sua qualidade técnica. Tanto que marcou um dos gols mais bonitos do futebol italiano no início dos anos 1990, em lindo chute de bicicleta. Porém, se declínio foi repentino. Saiu em 1995 para o Sporting, e nunca mais brilhou. A ponto de deixar a recém-formada seleção da República Tcheca antes da disputa da Euro de 1996, quando o país chegou ao vice-campeonato. Sua história, porém, já estava escrita. E a mística permanecia em uma seleção que se dividiu e sumiu dos mapas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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