Os 50 anos de Gianfranco Zola, um verdadeiro mágico do futebol dos anos 90

Mesmo sem vestir sempre a camisa 10, não há número que defina melhor Gianfranco Zola. Um 10 daqueles virtuosos, de talento puro: armava, driblava, marcava gols. Um dos maiores craques do futebol italiano nos anos 1990, ainda que seus feitos não consigam corresponder a sua qualidade no mesmo nível. Herdeiro de Maradona no Napoli e concorrente de Roberto Baggio na seleção, o atacante só conseguiu viver os seus melhores momentos quando deixou a Itália. Não à toa, é considerado um dos grandes ídolos da história do Chelsea, fazendo mágica em tempos mais modestos. Símbolo do calcio, que completou 50 anos nesta terça.
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Zola estourou em equipes pequenas da Itália, a Nuorese e a Sassari Torres. Recebeu a grande chance da carreira em 1989, quando atraiu o interesse do timaço do Napoli. Aos 23 anos, era um substituto útil no esquadrão que conquistou a Serie A. E logo se alçou ao protagonismo, especialmente depois que Maradona acabou suspenso pelo exame antidoping. Sob a bênção de Diego, que oferecia uma atenção especial ao jovem nos treinos, Zola recebeu a camisa 10. Tornou-se o craque irrefutável em uma grande equipe que se desmanchava. O atacante conseguia fazer os napolitanos, bastante enfraquecidos no início dos anos 1990, ainda sonharem com competições europeias.
Em 1993, depois de duas grandes temporadas no Estádio San Paolo, Zola deixou Nápoles para fazer caixa a um clube em crise. Desembarcou no Parma como a referência de um projeto ambicioso. E rendeu em campo. Em seus três primeiros anos, o camisa 10 somou 47 gols pela Serie A e até ajudou os gialloblù a brigarem pela taça. Já as principais conquistas vieram nos torneios continentais, com uma Supercopa Europeia e uma Copa da Uefa. Na seleção, porém, pesava a concorrência de Baggio. Nos principais momentos em que teve uma chance, Zola fracassou. Foi expulso ao sair do banco contra a Nigéria, na Copa do Mundo de 1994. E, na Euro 96, quando conquistou o posto de titular, perdeu o pênalti que selou a eliminação ainda na fase de grupos, contra a Alemanha.
Aquele ano de 1996, em particular, foi infernal para Zola. No Parma, ele entrou em rota de colisão com Stoichkov e depois passou a ser preterido por Carlo Ancelotti. Até que, em dezembro, viu os seus rumos se transformarem com a venda para o Chelsea. Algo que só faria bem ao camisa 25 dos Blues. Em Stamford Bridge, o atacante não conseguiu brigar pelo título da Premier League. Ainda assim, gastou a bola e foi o grande craque de bons times dos londrinos. Em sete temporadas, quase sempre comandou os melhores momentos. Faturou duas vezes a Copa da Inglaterra e uma a Copa da Liga Inglesa, além de extrapolar as fronteiras, com uma Recopa Europeia e uma Supercopa. Em 1997, chegou mesmo a ser eleito o melhor jogador da liga, conforme a associação de cronistas esportivos da Inglaterra.
Apesar dos feitos e dos lances estonteantes com a camisa do Chelsea, Zola abdicou da seleção em 1998, depois de ser preterido em favor de Roberto Baggio e Alessandro Del Piero na Copa do Mundo. Os Blues se tornaram a pátria do veterano. E a despedida não poderia ter sido em melhor forma. Com 14 gols, ajudou os londrinos a se classificarem à Liga dos Campeões pela segunda vez na história, o que já tinham alcançado em 1999/00. A deixa para uma nova era, com a chegada de Roman Abramovich na temporada seguinte. Em sua última partida no clube, Zola ainda protagonizaria uma jogada espetacular, humilhando quatro marcadores do Liverpool próximo à linha de fundo. A ‘Caixa Mágica’, como era conhecido.
Para encerrar a carreira, Zola passaria mais dois anos no Cagliari, clube de sua terra natal, a Sardenha. Auxiliou no acesso em 2004 e disputou a Serie A na temporada seguinte. No último jogo oficial da carreira, marcou dois gols contra o timaço da Juventus, dono daquele Scudetto. O adeus perfeito para um gigante.



