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Os 10 grandes momentos de uma campanha mágica e avassaladora do Napoli rumo ao scudetto

Não foi exatamente o título mais emocionante rodada a rodada, por méritos: o time de Luciano Spalletti ganhou quase todos os jogos que importavam

O Napoli não pode reclamar. Passou 33 anos sem ser campeão italiano e toparia um título de qualquer jeito. O que veio, porém, pecou um pouco em emoção. Por méritos do time de Luciano Spalletti, que praticamente venceu todas as primeiras 24 rodadas e esta há alguns meses apenas esperando o momento chegar. Isso significa que a história da sua campanha tem menos momentos épicos e mais atuações impositivas, semana a semana convencendo o mundo do futebol de que era realmente o time que parecia ser, superando desafios e derrotando os times mais fortes da Itália com folgas, goleadas, pinturas, lances plásticos e, vá lá, às vezes um pouquinho de emoção também.

1ª rodada – Verona 2 x 5 Napoli – 15/08/2022

Foi importante estabelecer o tom da temporada logo na primeira rodada, depois de tantas desconfianças ao longo da preparação. O Napoli teve algumas dificuldades. Foi dominante na primeira meia hora, mas o Verona marcou praticamente em sua única chegada, em uma jogada de escanteio. Pelo alto, Kvaratskhelia abriu a sua contagem pelo clube, após cruzamento de Hirving Lozano, e Victor Osimhen virou ainda no primeiro tempo, em um escanteio, após desvio na primeira trave. No entanto, os donos da casa empataram no começo da etapa final. O ótimo sinal é que a reação não demorou. Kvaratskhelia ligou com Zielinski no contra-ataque, Stanislav Lobotka ampliou, arrancando pelo meio, e Matteo Politano deu números finais ao placar. Foi uma boa estreia, mas o adversário não permitia empolgar tanto porque o Verona havia levado 4 a 1 do Bari, da segunda divisão, na Copa Itália, e estava no começo de um novo trabalho. Pelo menos, Kvaratskhelia mostrou de cara o que poderia fazer. A sensação geral foi de: é bom esse garoto, hein?

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5ª rodada – Lazio 1 x 2 Napoli

Quando chegou o primeiro desafio do grupo de elite da Serie A, ainda não havia nada de anormal na temporada do Napoli. Havia goleado o Monza no Diego Maradona depois de bater o Verona e emendado empates com Fiorentina e Lecce. A Lazio havia começado na mesma pegada, mas tinha uma vitória marcante, contra a Internazionale. E começou melhor, com um foguete de Mattia Zaccagni abrindo o placar, aos quatro minutos. Na marca da meia hora, Kvaratskhelia pegou a estrelinha do Mário e começou a emendar lances plásticos. Arrancou até a entrada da área, depois de desarmar Milinkovic-Savic, e depois, com direito a giro de Zinedine Zidane, soltou a bomba no pé da trave. O prêmio foi um gol de cabeça do outro grande reforço, Kim Min-jae, após escanteio cobrado por Zielinski. O Napoli assumiu o controle no segundo tempo. Kvaratskhelia estraçalhou a defesa da Lazio antes de cruzar para a cabeçada do meia polonês, bem defendida por Provedel. O goleiro estava segurando a barra, até os 16 minutos, quando Frank Anguissa foi à linha de fundo e deu a assistência para Kvaratskhelia marcar seu quarto gol em cinco rodadas da Serie A.

7ª rodada – Milan 1 x 2 Napoli

O Milan era o atual campeão. E estava acompanhando o ritmo. Os dois terminaram a sexta rodada empatados na liderança com 14 pontos, junto com a Atalanta, e os donos da casa foram mais perigosos, com 22 finalizações contra nove. Mas perderam muitas oportunidades. Principalmente uma com Giroud da entrada da área que pegou no travessão. No começo do segundo tempo, Kvaratskhelia invadiu a área pela esquerda e foi muito bem derrubado por Sergiño Dest. Politano cobrou o pênalti para abrir o placar. O Milan seguiu em cima, Alex Meret fez boas defesas e, em uma jogada clássica do time de Stefano Pioli, Theo Hernández foi à linha de fundo e cruzou rasteiro para Giroud empatar. Aos 33 minutos, porém, Mário Rui mandou o cruzamento para a marca do pênalti, e Giovanni Simeone fez provavelmente o gol mais importante da sua primeira temporada com a camisa do Napoli. Outro quase no mesmo patamar viria um pouco depois.

10ª rodada – Napoli 3 x 2 Bologna

Quando um clube entra em uma longa sequência de vitórias, sempre há um jogo mais complicado do que deveria. É parte da natureza humana, aquele sentimento de que coletou crédito o suficiente para ter uma tarde mais tranquila, a confiança de que uma hora a bola vai entrar. Os 11 triunfos do Napoli que antecederam a Copa do Mundo poderiam ter sido encerrados contra o Bologna no Diego Maradona. Àquela altura, o Napoli já estava no radar de todo mundo pela invencibilidade na Serie A e os shows que apresentava na Champions League. Após perder algumas chances, saiu atrás, gol de Joshua Zirkzee, mas não demorou para empatar, com Juan Jesus no rebote de um escanteio. E adivinha se a virada não veio pelos pés de Kvaratskhelia, que fez chover pela esquerda da grande área, antes de exigir defesa do goleiro Lukasz Skorupski, com um chute rasteiro. Depois de uma confusão no rebote, Lozano botou para dentro. O problema é que, dois minutos depois, Alex Meret aceitou o chute de fora da área de Musa Barrow e tudo ficou igual novamente. A vitória não foi tão emocionante assim apenas porque o terceiro gol napolitano saiu a 20 minutos do fim. Novamente, cortesia da Georgia. Kvaratskhelia dominou pela meia esquerda e soltou na medida, nas costas da defesa, para Osimhen bater meio em cima do goleiro. A bola, porém, passou por cima dele e morreu nas redes.

13ª rodada – Atalanta 1 x 2 Napoli

Talvez o maior desafio do período pré-Copa do Mundo. O Napoli viajou a Bergamo para enfrentar a vice-líder, apenas cinco pontos atrás, não contava com o lesionado Kvaratskhelia e saiu atrás no placar: Victor Osimhen colocou o braço na bola dentro da área, e Ademola Lookman converteu o pênalti, aos 19 minutos. O técnico Luciano Spalletti havia falado sobre a necessidade de novos líderes surgirem, depois das saídas de Lorenzo Insigne, Dries Mertens e Kalidou Koulibaly, e o atacante nigeriano era uma ótimo candidato. Foi uma contratação caríssima do Lille e teve alguns problemas físicos nos dois primeiros anos. Em um jogo tão difícil, colocou a bola debaixo do braço, sem se abalar com o erro anterior. Aos 23 minutos, Zielinski colocou a bola em sua cabeça, após cobrança curta de escanteio, para o gol de empate. Depois, Osimhen disparou pela direita, brigou com a marcação e rolou para a conclusão de Eljif Elmas. O Napoli ainda teve que segurar certa pressão no segundo tempo e levou sorte em um lance incrível no qual Lookman acertou o travessão em um rebote à queima-roupa. A vitória foi mantida, e o que poderia ter sido uma diferença de apenas dois pontos para o segundo colocado em caso de derrota, com o Milan à espreita, se tornou de seis. Na rodada seguinte, bateu o Empoli para atingir a marca simbólica de 10 triunfos consecutivos e garantir a liderança até depois do Mundial do Catar. Ainda bateu a Udinese antes da pausa, porque por que não?

Faixa bônus

Enquanto o Napoli dominava o futebol italiano, também encantava no europeu. A campanha na fase de grupos da Champions League não foi um momento da conquista do scudetto, mas vale a citação porque a cada rodada confirmou o que se via em solo nacional. De cara, goleou o Liverpool, então o vice-campeão, com extrema facilidade – estava 4 a 0 aos dois minutos do segundo tempo, com um pênalti perdido. Ninguém esperava que o Rangers causasse dificuldades, mas a viagem a Amsterdã era mais difícil, e o Napoli simplesmente trucidou o Ajax: 6 a 1, dois gols de Giacomo Raspadori, show de Kvaratskhelia, e um resultado marcante para a história. Os italianos venceram facilmente os dois jogos seguidos no Diego Maradona, contra os holandeses e os escoceses e, mesmo com a derrota em Anfield, ficaram em primeiro. A campanha seguiria forte no mata-mata. O Eintracht Frankfurt foi despachado com facilidade, e o Napoli chegou às quartas de final da Champions pela primeira vez em sua história. Acabou derrotado em um duelo muito equilibrado contra o Milan, no qual talvez tenha sido até o melhor time.

18ª rodada – Napoli 5 x 1 Juventus

O Napoli era uma realidade quando o primeiro turno estava se aproximando do fim. O nível do futebol sugeria que não seria um daqueles times que fazem uma grande metade de campeonato e entregam a paçoca na segunda, embora ainda fosse uma hipótese possível. A vantagem na ponta da tabela era de saudáveis sete pontos, mas havia um pequeno ponto de interrogação se a pausa da Copa do Mundo havia lhe tirado o embalo. O primeiro jogo da retomada encerrou a invencibilidade, no San Siro, contra a Internazionale, com uma vitória apenas ok contra a Sampdoria na sequência. E se a Juventus não é mais a força dominante que frustrou tanto os napolitanos na última década, estava embalada por oito vitórias consecutivas, com a melhor defesa da Serie A. O ataque do Napoli encarou esses fatos como um desafio e teve a sua atuação mais avassaladora da temporada. Osimhen e Kvaratskhelia pegaram o sistema defensivo de Allegri, um especialista no departamento, que não havia sofrido um gol nesse período de oito rodadas, e transformaram-no em um queijo suíço. O gol saiu logo aos 14 minutos. Kvaratskhelia armou uma acrobacia na marca do pênalti, Szczesny evitou o golaço, e Osimhen marcou no rebote. Ángel Di María respondeu com uma quase-pintura, mas acertou a forquilha, e a Juventus conseguiu encaixar alguns ataques. Mas Bremer furou, Osimhen recolheu e rolou para Kvaratskhelia bater de chapa no cantinho. Di María conseguiu diminuir, ainda no primeiro tempo. A goleada começou a se desenhar depois do intervalo. O zagueiro Amir Rrahmani pegou com tudo uma cobrança de escanteio que passou por todo mundo. Osimhen fez o quarto, em outra falha de Bremer, após cruzamento de Kvaratskhelia, e Elmas fechou o placar. O Napoli terminou a penúltima rodada do primeiro turno com nove pontos de vantagem para o segundo colocado, 15 vitórias em 18 rodadas, e mais do que isso: anunciou de vez que tinha mais do que o necessário para conquistar o scudetto.

20ª rodada – Napoli 2 x 1 Roma

O negócio começou a ficar um pouco ridículo ao fim do primeiro turno, quando o Napoli aproveitou tropeços de Milan, Juventus e Internazionale para abrir 12 pontos de vantagem. Mesmo com metade do Campeonato Italiano pela frente, era gordura demais para queimar, e o sonho começava a se concretizar. Mas, sem colocar a carroça na frente dos bois, encaixou mais uma das suas grandes atuações para derrotar a Roma no Diego Maradona. Tão irregular durante a temporada, bem em casa, mal fora, o time de José Mourinho estava em sua maior sequência invicta, com três empates e três vitórias. Mourinho, talvez sincero, talvez tentando um dos seus famosos jogos mentais, parabenizou o Napoli pelo título antes da partida. A Roma lutou, bastante, e conseguiu equilibrar, mas acabou derrotada mesmo assim. E adivinha como os donos da casa abriram o placar? Kvaratskhelia chegou pela esquerda e cruzou à segunda trave, Roger Ibañez errou o tempo de bola, Osimhen matou no peito, ajeitou na coxa e soltou o pé. A Roma batalhou como pôde para buscar o empate, e conseguiu, com El Shaarawy na segunda trave, enquanto o Napoli perdia chances. Aos 41 minutos, mais um sinal de que o título era inevitável. Giovanni Simeone dominou na entrada da área, girou e mandou pelo alto de perna esquerda. Eram 13 pontos de vantagem.

23ª rodada – Sassuolo 0 x 2 Napoli

Com o segundo turno em andamento, não havia mais mistério. O Napoli seria campeão italiano, era uma questão de quando. Havia conseguido ampliar a vantagem para 15 pontos antes de entrar em campo contra o Sassuolo, que não estava em grande fase, mas ganhara bem do Milan algumas semanas antes. Esse é um ponto da lista em que a importância dos jogos diminui e começa a prevalecer a beleza. Kvaratskhelia dominou no meio-campo. Interceptou a bola do marcador com tranquilidade, girou e começou a arrancada. Deixou outro para trás, em uma desesperada tentativa de carrinho, e em alguns passos já estava na entrada da área. Esboçou o chute duas vezes até aparecer o espaço para mandar rasteiro no canto do goleiro Andrea Consigli. A torcida aparentemente o estava irritando porque comemorou com o clássico gesto de silêncio, levando o dedo à boca. O Sassuolo impôs alguns sustos, mas Osimhen matou a parada na marca da meia hora. Com outro lindo gol. Ele recebeu de Rrahmani no bico direito da grande área, marcado por dois. Dominou de costas para Martin Erlic e foi dando toquinhos na bola na direção da linha de fundo. Quase sem ângulo, acertou um chute certeiro no canto mais próximo, e o Napoli cortou mais um jogo da sua contagem regressiva.

26ª rodada – Napoli 2 x 0 Atalanta

O Napoli reencontrou a Atalanta em uma situação incomum: depois de uma derrota. Apenas a segunda vez que isso aconteceu até aquele momento. Havia perdido para a Lazio, o que não fez nenhuma diferença às suas chances de títulos – e nada mais faria. Mesmo tendo passado uma rodada em branco, ainda tinha 15 pontos de vantagem. Em certo momento, a torcida do Napoli desistiu de tentar pronunciar Kvaratskhelia e adotou Kvaradona, e não pode haver uma homenagem maior. O georgiano fez por merecer esse apelido contra a Atalanta. Aos 27 minutos, por exemplo, cortou Rafael Tolói e Joakim Maehle com o mesmo movimento na ponta esquerda, antes de quase marcar um golaço. O Napoli estava inspirado e quase abriu o placar com uma bicicleta de Osimhen. Aos 14 minutos da etapa final, Kvaradona recebeu do nigeriano em transição, e ficou no mano a mano com Tolói, que foi invertido duas vezes. O mais genial do gol é que ele fintou três ao mesmo tempo em seu primeiro drible e estava cercado por cinco antes de marcar, com a ajuda de um desvio na cabeça de Giorgio Scalvini, que havia se posicionado perto de Juan Musso, e aparentemente nem dois goleiros são o bastante para parar Kvaratskhelia. Rrahmani fechou o placar em um escanteio.

31ª rodada – Juventus 0 x 1 Napoli

É mais pelo simbólico. Primeiro, porque representa outra vitória sobre a Juventus, agora em Turim, fechando o campeonato com supremacia absoluta contra o time que dominou a Serie A por tanto tempo. E segundo porque lhe concedeu o primeiro match point. O Napoli entrou em campo meio desanimado porque havia sido eliminado da Champions League, que se tornou prioridade à medida em que não era mais possível deixar o título italiano escapar nem se perdesse todos os jogos porque ninguém parecia capaz de ganhar todos os jogos. O primeiro tempo foi bastante fraco nos dois lados, mas os napolitanos começaram a reagir no segundo. Kvaratskhelia e Osimhen, para variar, comandavam as ações. A Juventus demorou 35 minutos para finalizar depois do intervalo, mas começou uma pequena reação. Teve chance com Milik e chegou a marcar com Di María, mas houve falta no início do lance. Outro gol da Velha Senhora foi anulado aos 47 minutos e, no apagar das luzes, Elmas cruzou da ponta direita para Raspadori, que mal havia aparecido durante a campanha, marcar o gol que deu ao Napoli seu primeiro match point.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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