O último invicto da Bota

Por Luís Filipe Pereira
“Só não subimos mais porque não dá”, assim o polêmico Silvio Berlusconi definia a era de glórias vivida após os rebaixamentos enfrentados pelos Rossoneri na década de 80. Um dos esquadrões montados pelo barão das telecomunicações foi a equipe que levantou o título de campeã italiana em 1992.
Era uma época de euforia e ingressos esgotados no San Siro. Todos queriam ver e aprender com o time que aliava força tática ao espetáculo. Atacava e defendia na hora certa, sem se privar de optar pela solução mais criativa, que muitas vezes era a mais prática, na hora de definir as jogadas.
A campanha rubro-negra teve alguns placares que mostram o quão vistoso o futebol daquela equipe era, como o incrível 8 a 2 fora de casa contra o Foggia, time que fez uma campanha mediana, terminando a temporada na nona colocação. Outro resultado que foge completamente ao pragmatismo do futebol italiano, conhecido pelo pouco número de gols durante os jogos, foi a goleada de 5 a 0, imposta ao Napoli.
Os herdeiros de Cruijff?
O recém-contratado Rikjaard, que até então tinha atuado como zagueiro em seus clubes anteriores, foi adiantado. Jogando como volante, não se contentava apenas em anular as jogadas ofensivas dos adversários. Ele subia ao ataque e articulava jogadas ofensivas. A experiência foi tão interessante que o jogador chegou a ser escalado como meia de ligação em alguns jogos. Com 1,90m , o holandês impressionava os torcedores pela elegância e habilidade com a bola nos pés, algo não tão comum para jogadores altos.
Outro destaque foi Ruud Gullit. Conhecido pelo cabelo rastafari, o atleta compôs uma dupla avassaladora com o compatriota Marco Van Basten. Os dois reeditaram a parceria vitoriosa vivida na seleção holandesa campeã da Eurocopa de 1988. Van Basten, talentoso atacante que encantava pela plasticidade de suas jogadas, acabou também como artilheiro da campanha invicta de 1992: 25 gols anotados.
Fora de campo, a organização tática ficava por conta de Fábio Capello. Podendo contar com tantos talentos, ele não pensou duas vezes em utiliza-los da melhor maneira possível, sem amputar as habilidades dos atletas Para alguns jornalistas, o segredo daquela equipe vencedora era a mescla entre a dinâmica e a polivalência do estilo holandês com a obediência tática e a estratégia do italiano.
No entanto, engana-se quem acha que o trio holandês era o único ponto alto daquela equipe. Os Rossoneri, que venceram 22 das 34 partidas da temporada 1991-92 – o Calcio era formado por apenas 18 equipes – contavam também com a solidez do líbero Franco Baresi, o jovem Paolo Maldini na lateral esquerda e Roberto Donadoni no meio campo, entre outros. Naturalmente, a equipe ficou conhecida na imprensa pela alcunha de “Os Invencíveis”.
2012
Faltam quatro jogos para a Juventus se tornar a primeira campeã invicta depois de 20 anos. Para isso, basta não perder suas próximas partidas, contra Novara, Lecce, Cagliari e Atalanta – que convenhamos, não se trata de nenhum trabalho hercúleo – e conseguir manter a diferença para o Milan, que precisa vencer seus jogos e secar a Juve.



