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O show vai parar

Os anos passam e o Cagliari continua na Série A. Geralmente guiado pela classe de Andrea Cossu, o time da Sardenha sempre consegue se safar da queda para o rebaixamento e, neste 2012-13, completou dez edições consecutivas na primeira divisão italiana. Os motivos para comemorar, porém, são cada vez menores: além de contarem com um dos elencos mais fracos da liga, os rossoblù ainda tiveram o pior começo entre os 20 times da elite do país. Só não seguram a lanterna da Série A por causa da penalização imposta ao Siena.

A situação do Cagliari, agora favoritíssimo a uma queda de divisão, não chega a surpreender. As investidas no mercado de transferências foram ainda mais modestas do que o normal. Cerca de 72% do orçamento do clube para o mercado de transferências foi torrado na permanência de Dessena, Pinilla e Thiago Ribeiro — e vale lembrar que o brasileiro ficou no time sardo contra a própria vontade. Sobrou pouca grana.

Tendo de bancar as reformas da pequena Is Arenas, uma das equipes provinciais mais importantes da Itália só buscou um zagueiro mediano (Rossettini, ex-Siena) e uma aposta arriscada (Danilo Avelar, ex-Karpaty-UCR). Além da dupla, a equipe trouxe de volta o atacante Sau, que vinha de boa temporada na Juve Stabia, pela segundona italiana. Não se pode dizer que o trio de recém-chegados tenha alcançado o melhor impacto possível.

Com boa parte do grupo mantido em relação ao da última temporada, esperava-se que os mais experientes conseguissem manter o nível e safar o time do rebaixamento. Mas os líderes do elenco têm decepcionado, a começar justamente por Cossu. Sempre deslocado pela direita do ataque, o camisa 7 jogou tão mal que foi parar no banco de reservas.

Os seguidos erros na escalação dos jgadores acabou por derrubar Massimo Ficcadenti. Desde o fim da temporada passada, o treinador do Cagliari estava desgastado com os atletas, mas o presidente Massimo Cellino preferiu pagar para ver. Resultado? Teve de demiti-lo depois de apenas cinco jogos disputados. Costumeiramente, o comandante escalava Cossu, Conti, Nenê, Thiago Ribeiro e Pisano fora de posição. Não demorou a perder o vestiário e, logo, o emprego.

Desperdiçar o talento de Nainggolan foi o pior pecado de Ficcadenti no comando do Cagliari. Um dos melhores volantes do futebol italiano, o atleta belga chegou a ser especulado como reforço do Real Madrid de José Mourinho, Com boa propulsão ofensiva, visão de jogo acima da média e ótimo passe, o camisa 4 acabou escalado como meia-atacante. Obviamente, deu errado.

No lugar do demitido Ficcadenti, assumiram dois ex-jogadores do clube. Quem manda de verdade é o ex-zagueiro uruguaio Diego López. Na única partida sob o comando dele, o time venceu, mas aquela que poderia ser considerada uma ressurreição deve ser analisada com cautela. O Cagliari bateu o Torino por 1 a 0, com direito a um pênalti inexistente a seu favor e um gol muito mal anulado do rival. Sem erros grotescos de arbitragem, portanto, o placar ficaria do avesso.

Os resultados no campo refletem as águas turvas fora dele. A péssima relação do presidente Massimo Cellino com qualquer outro ser humano é a principal explicação para a fase vivida pelo clube do qual o magnata é dono. Além das péssimas relações do manda-chuva com qualquer dirigente ou treinador que passe pela Sardenha, a situação do estádio do time é caótica.

Sem condições mínimas de segurança, o estádio Sant’Elia precisou ser fechado. Cellino resolveu mandar jogos na Is Arenas mesmo de portões fechados, pois a nova casa do time ainda não está pronta. Como não bastasse, o cartola ainda convocou a torcida a desobedecer a justiça italiana e comparecer mesmo assim ao jogo contra a Roma, ato que penalizou a equipe com uma derrota no tapetão. A década de primeira divisão do Cagliari parece cada vez mais próxima do fim. E o dono do time vai pagar a conta.

Pallonetto

– Em “greve” por causa dos altos preços dos ingressos do Juventus Stadium, as torcidas organizadas da Velha Senhora não estão cantando mais no estádio. O protesto, porém, será interrompido no sábado. Os apoiadores consideram a partida contra o Napoli delicada demais e decidiram apoiar os jogadores — que nada têm a ver com isso.

– Um interessante levantamento da Gazzetta dello Sport mostrou que desde 2005 os 10 principais mecenas do futebol italiano investiram 2,5 bilhões de euros em suas equipes. Acumularam imensas perdas no período, mas continuam gastando dinheiro, contra qualquer lógica empresarial.

– Falando na Gazzetta, o jornal das páginas rosas escolheu a seleção das sete primeiras rodadas do Campeonato Italiano, que volta no fim de semana: Handanovic (Inter); Cuadrado (Fiorentina), Campagnaro (Napoli), Ranocchia (Inter) e Pasqual (Fiorentina); Hamsík (Napoli), Pizarro (Fiorentina) e Marchisio (Juventus); Miccoli (Palermo), Klose (Lazio) e Totti (Roma).

– E também há a seleção dos piores da Série A até agora: Abbiati (Milan); Piris (Roma), Capuano (Pescara), Astori (Cagliari) e De Ceglie (Juventus); Nocerino (Milan), Verre (Siena) e Boateng (Milan); Acquafresca (Bologna), Hernández (Palermo) e Moscardelli (Chievo). Concorda com as listas?

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Equipe Trivela

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