O Napoli, demolidor, finca o pé como líder com um vareio para a memória: 5×1 sobre a Juve no Maradona
O Napoli teve sangue nos olhos durante os 90 minutos contra a Juventus e fez desabar a defesa adversária com uma exibição feroz do ataque celeste, sobretudo Osimhen e Kvaratskhelia
Se alguém ainda tinha alguma dúvida sobre a capacidade do Napoli em reconquistar o título italiano após 33 anos, a resposta veio com uma atuação antológica no Estádio Diego Armando Maradona – digna dos melhores tempos do patrono do estádio. Era uma partida decisiva por excelência. Os napolitanos recebiam a Juventus, sua odiada oponente, em grande fase. A Velha Senhora vinha de oito vitórias consecutivas na liga, confiando na melhor defesa do campeonato. O que se viu, entretanto, foi a mais demolidora exibição do melhor ataque da Serie A. O Napoli transformou a zaga da Juve em poeira. Foi uma noite desastrosa dos bianconeri atrás, mas que não diminui a voracidade apresentada pelos celestes, sobretudo Osimhen e Kvaratskhelia. Resultado: goleada por 5 a 1, que deixa o time de Luciano Spalletti com uma maiúscula vantagem de dez pontos na dianteira da competição. É um primeiro turno impecável.
O Napoli adotou uma postura ofensiva durante os primeiros minutos e ocupou o campo de ataque. Não era surpreendente, diante das características dos times, com a Juventus mais contida em seu campo. Era um duelo de alto nível entre ataque e defesa, com uma imposição contínua dos napolitanos. A primeira boa chegada aconteceu aos 13, mas Wojciech Szczesny salvou contra Osimhen. Um minuto depois, o gol aconteceu. Os celestes trabalharam os passes sem que os juventinos estivessem encaixados na marcação. Khvicha Kvaratskhelia executou uma acrobacia para bater na bola e Szczesny realizou uma defesaça, mas Osimhen estava mais atento no rebote e conferiu de cabeça.
O Napoli não manteve um ritmo tão forte. E a partida se tornou mais aberta a partir dos 21, quando Ángel Di María quase marcou um golaço. É verdade que Amir Rrahmani vacilou, ao entregar a bola para o argentino, mas o craque caprichou na finalização de fora da área e só parou no travessão. A partir de então, a Velha Senhora passou a ganhar o meio-campo, mudando seu desenho tático para ocupar melhor os lados, e os napolitanos recuaram mais. Di María serviu uma cabeçada de Arkadiusz Milik, que Alex Meret defendeu, enquanto Bremer também teve uma oportunidade para fora.
Demorou para que o Napoli voltasse a ter um pouco mais de profundidade. Somente na reta final do primeiro tempo os celestes voltaram a produzir e ampliaram aos 39, com mais colaboração da defesa da Juventus. Numa bola espetada na área, Bremer não conseguiu o corte e deu espaço para Osimhen. O centroavante teve bastante tempo para resolver o que fazer e serviu Kvaratskhelia, numa finalização segura no contrapé de Szczesny. Durante o fim do primeiro tempo, ao menos, a Juve respondeu. Sempre com Di María. O veterano descontou aos 42, após tabelar com Milik, também com a complacência da marcação. E, num momento de pressão, o empate poderia ter vindo. Meret fez uma defesa excepcional para evitar um gol contra de Rrahmani.
O Napoli voltou para o segundo tempo com Eljif Elmas no lugar de Matteo Politano. Um atendimento médico logo de início impediu que o jogo pegasse fogo logo de início. Mas o Napoli não demorou a crescer para recuperar uma vantagem mais ampla. Osimhen infernizava a defesa e escaparia de Alex Sandro, em chute forte que Szczesny espalmou para fora. Na cobrança de escanteio, o terceiro gol aconteceu, aos 10 minutos. Após cruzar a área, a bola chegou para Rrahmani e o zagueiro mandou uma chapuletada, sem chances para Szczesny. A Juventus respondeu com mudanças, para as entradas de Leandro Paredes e Moïse Kean.
A Juve agradeceu a sorte de não tomar o quarto gol aos 14 minutos. Numa troca de passes errada, Bremer entregou o ouro na entrada da área e Osimhen partiu sozinho. O artilheiro ficou de frente com Szczesny, mas exagerou na força e mandou por cima do travessão. A Velha Senhora estava nas cordas, com dificuldades claras para conectar seu ataque e chegar ao campo ofensivo. Os napolitanos se aproveitavam. Cada avanço era uma preocupação diferente para os adversários, não só pelo vigor celeste em suas investidas, mas também pelo desacerto da defesa bianconera.
O quarto gol parecia uma questão de tempo a essa altura. E foi, aos 19 minutos, para Osimhen brocar mais uma vez. Bremer foi péssimo pela enésima vez na partida, ao carimbar Mário Rui na linha de fundo. Kvaratskhelia pegou a bola pelo lado esquerdo da área e cruzou com afeto. Osimhen passou com tudo e cabeceou firme, no meio de dois. E não que os celestes estivessem satisfeitos. Kvara seguia aceso e chutou de fora, para que Szczesny pegasse. As redes voltaram a balançar para o quinto gol aos 27, mais uma vez com uma facilidade imensa dos anfitriões. A troca de passes encontrou uma defesa arreganhada e Elmas chutou, com desvio de Alex Sandro, para superar Szczesny.
A partir de então, a continuidade da partida se tornou mero protocolo. A Juventus botou os garotos em campo e até buscou diminuir o prejuízo, mas sem muito ímpeto. Enquanto isso, Spalletti aproveitou para poupar alguns dos destaques do Napoli. Osimhen sairia muito aplaudido, depois de sua fantástica apresentação. O mesmo aconteceria depois com Kvaratskhelia. A torcida napolitana se deu ao luxo de gritar olé, enquanto aguardava o consagrador apito final. E pôde desfrutar a noite, que lembrava aqueles tempos em que Maradona desbancava a Juve para transformar Nápoles no coração do futebol italiano. É a vitória para fazer crer que o Scudetto, de fato, pode vir dentro de alguns meses.
O Napoli começa a rodada da Serie A com uma vantagem de dez pontos na liderança, 47 pontos no total. É um resultado que confirma, de uma vez por todas, a força do time de Luciano Spalletti para conquistar o Scudetto. Foi uma atuação digna de campeão, contra um adversário que pode nem ter o time mais forte dos últimos anos, mas vinha embalado e acabou engolido. Justo o rival mais odiado dos napolitanos. Não dá para exigir nada maior, num resultado que é inesquecível – e será mais se a taça vier. A Juventus, com 37 pontos, pode ser ultrapassada pelo Milan e igualada pela Internazionale no final de semana. Se esse era um jogo para colocar os bianconeri na briga pelo título, parece muito mais referendar o potencial campeão do outro lado.



