Serie A

O Milan foi bem mais efetivo e ganhou com sobras o clássico em Turim, aumentando a pressão sobre a Juve

Milan se deu ao luxo de até perder um pênalti, mas venceu por três gols de diferença e tirou a Juventus do G-4

Juventus e Milan faziam uma partida decisiva pela Serie A, mas não da maneira como gostariam. Enquanto a Internazionale desfruta o Scudetto, resta aos dois rivais lutarem por uma vaga na Champions League, em disputa apertada que também envolve Atalanta e Lazio. E o clássico no Estádio Allianz demonstrou como os milanistas merecem mais a competição continental na próxima temporada. A equipe de Stefano Pioli deu o troco pela derrota no San Siro e, desta vez, ganhou com autoridade em Turim. Os rossoneri foram senhores da noite, especialmente no segundo tempo. Construíram uma segura vitória por 3 a 0, na qual até perderam pênalti. Com o revés, os bianconeri ficam fora do G-4.

Não seria um primeiro tempo tão bom em Turim. Havia uma dose de tensão evidente entre duas equipes ameaçadas pelo risco de perder a Champions League. A Juve começou um pouco melhor, mas sem que o domínio fosse tão claro. O Milan conseguia travar as oportunidades dos rivais e, com o passar dos minutos, também sairia um pouco mais ao ataque sem sucesso. Os principais lances viriam do lado da Juve, e a partir de erros de Gianluigi Donnarumma. O goleiro vinha pressionado, diante das especulações de sua saída à própria Velha Senhora, e parte da torcida milanista pediu para que não jogasse. Donnarumma errava o tempo de bola e, aos 30, caçou borboleta na área. Deu sorte que Giorgio Chiellini cabeceou para fora.

Na reta final do primeiro tempo, o Milan cresceu. Os rossoneri passaram a rondar a meta de Wojciech Szczesny e contavam principalmente com os cruzamentos de Theo Hernández para levar perigo – um deles afastado na pequena área por Alex Sandro. E o gol correspondeu a este momento, já nos acréscimos. Depois de uma cobrança de falta pela direita, Szczesny falhou na hora de socar a bola. O rebote ficou vivo na área com Brahim Díaz e o espanhol seria brilhante na definição. Cortou para dentro e, com o goleiro fora, mandou um chute perfeito no ângulo, sem que Chiellini pudesse cortar. Ainda existiram dúvidas sobre um possível toque no braço do meia, mas a arbitragem validou o lance.

O vareio aconteceu principalmente no segundo tempo, quando o Milan se mostrou muito mais objetivo e letal. A Juventus até parecia mais disposta a pressionar durante os minutos iniciais, quando Donnarumma fez uma excelente defesa em chute rasteiro de Rodrigo Bentancur, mas os rossoneri ganharam um pênalti aos 11, num toque no braço de Chiellini. Franck Kessié cobrou mal e Szczesny defendeu, mas o alívio da Juventus não resultaria necessariamente numa resposta do time. Mesmo com a saída de Zlatan Ibrahimovic lesionado, não houve uma blitz bianconera. Era uma atuação burocrática dos bianconeri, que até arriscavam, mas não criavam oportunidades tão boas. Mesmo Cristiano Ronaldo estava apagado.

O Milan era muito mais efetivo. E o próprio Ante Rebic, que entrou no lugar de Ibrahimovic, abriria caminho ao placar mais confortável. O segundo gol saiu aos 33, quando o atacante recebeu o passe entre as linhas e soltou um lindo chute de fora da área, também mandando na gaveta de Szczesny. A Juve sentiu o baque e tomou o terceiro logo na sequência, aos 37. Hakan Çalhanoglu cobrou falta pelo lado direito e Fikayo Tomori subiu com espaço para cabecear. Depois disso, a Velha Senhora ainda teria um lance ou outro com Paulo Dybala, que saiu do banco. No geral, foi uma atuação muito abaixo do que se esperava dos bianconeri, até pela importância do compromisso.

O Milan chega aos 72 pontos, igualado à vice-líder Atalanta, a qual enfrenta na última rodada. Depois dos altos e baixos recentes, os rossoneri pelo menos correspondem num jogo tão importante. Já a Juventus fica fora até do G-4. Com 69 pontos, a Velha Senhora acaba ultrapassada pelo Napoli, que tem 70, e precisa tirar o prejuízo nas últimas três partidas. Se já existia uma cobrança grande no clube, seja pelo trabalho de Andrea Pirlo ou pela malfadada empreitada na Superliga, uma atuação tão ruim no clássico aumenta a instabilidade. E a tabela não é fácil, com Sassuolo e Internazionale, antes do confronto final diante do Bologna.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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