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O fenômeno Kvaratskhelia ainda termina a Serie A com o prêmio de melhor jogador do campeonato

Existia uma dúvida natural se o prêmio ficaria com Kvaratskhelia ou Osimhen, os dois protagonistas do Scudetto do Napoli, mas o encantamento do georgiano pesou

A jornada fantástica de Khvicha Kvaratskhelia em sua primeira temporada na Itália ganhou mais um elemento digno de conto de fadas. A conquista do Scudetto com o Napoli falava por si, assim como a idolatria que o georgiano ganhou em tão poucos meses. Ainda assim, o principal prêmio individual da Serie A termina nas mãos do ponta. O Campeonato Italiano vai para a sua última rodada e o troféu de melhor jogador da competição já foi endereçado a Kvaradona. Por suas doses de magia e pelo impacto inegável na arrancada dos celestes ao topo da tabela, a condecoração está com ótimo dono.

Existia uma dúvida genuína se a Serie A daria o prêmio de melhor do campeonato a Kvaratskhelia ou a Victor Osimhen. Os dois foram preponderantes ao Scudetto do Napoli e, quando não decidiram sozinhos, formaram uma dupla imparável para os sucessos dos celestes. A contribuição do nigeriano foi até mais constante, sobretudo na virada dos turnos. Contudo, a Serie A privilegiou as doses de habilidade exibidas por Kvara e também sua influência na consolidação dos napolitanos como candidatos ao título, especialmente no primeiro turno da competição.

O prêmio de melhor da Serie A serve como mais uma deixa para se exaltar a pechincha que o Napoli fez. Tudo bem que as circunstâncias auxiliaram, com a saída de Kvaratskhelia do Rubin Kazan para o Dinamo Batumi em decorrência da guerra na Ucrânia e o próprio rebaixamento do clube russo à segunda divisão. Mesmo assim, os €11,5 milhões pagos pelos napolitanos soam como um negócio inacreditavelmente barato por tudo o que Kvara ofereceu no Estádio Diego Armando Maradona. Foram 12 gols e 13 assistências em 33 partidas, além de incontáveis dribles que deixaram os marcadores desnorteados. De quebra, também não sentiu o peso de sua participação na Champions League e foi um dos destaques individuais da competição continental.

O desafio para Kvaratskhelia será manter o alto rendimento num momento em que seu futebol se torna mais visado e mais conhecido. Durante a reta final da temporada, os adversários conseguiram acertar um pouco mais a marcação sobre o ponta e dificultaram seu trabalho. O georgiano também deu sinais de desgaste, com a queda de rendimento. De qualquer maneira, por aquilo que apresentou neste primeiro ano em Nápoles, Kvara não dá a impressão de que seu sucesso se restringirá a somente uma temporada. O atacante possui habilidade suficiente para triunfar, com uma capacidade incrível de driblar com os dois pés e também precisão para bater na bola.

Com a saída de Luciano Spalletti, Kvaratskhelia precisará se encaixar no esquema de trabalho de outro treinador. Uma das demandas sobre o georgiano é de que ele pode ser até mais participativo, jogando mais próximo da faixa central, em vez de ficar restrito ao lado esquerdo do campo. É uma evolução possível em seu jogo, especialmente com o fato de ser ambidestro servindo de diferencial. Mesmo que exista um cerco maior sobre Kvaradona, também há uma margem de evolução notável ao jovem de 22 anos.

Victor Osimhen não levou o prêmio máximo, mas terminou eleito como o melhor atacante da Serie A. O nigeriano também tende a ganhar o troféu de artilheiro da liga. Com 25 gols, tem quatro tentos de vantagem sobre Lautaro Martínez na segunda posição e nove de vantagem sobre Boulaye Dia na terceira. Outro napolitano condecorado foi Kim Min-jae, merecidamente eleito o melhor defensor da Serie A, depois de um ano de estreia também assombroso após sua chegada do Fenerbahçe. Nicolò Barella foi o melhor meio-campista, após seu destaque com a Internazionale, enquanto Ivan Provedel foi o melhor goleiro, ao liderar a defesa da Lazio e passar 20 jogos sem sofrer gols. Nicolò Fagioli, da Juventus, foi o melhor sub-23 – sem contar Kvaratskhelia, claro.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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