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O céu, o purgatório e o inferno da Serie A

Já faz algum tempo que a Serie A estava perto de ser decidida. A Juventus e sua enorme superioridade tiravam parte da emoção na briga pela ponta da tabela e, logo abaixo, não há troca de posições nos quatro primeiros colocados do campeonato desde a 27ª rodada, que aconteceu no início de março. Com isso, o campeonato ficou meio morno, com disputas por vagas europeias e para evitar o terror do rebaixamento. Porém, na próxima rodada da Serie A, a penúltima, tudo já pode se resolver (veja na seção Pallonetto). Já dá até para dividir as equipes em três grupos – e, em um país tão católico, nada melhor que utilizarmos categorias religiosas.

O céu

Obviamente, a Juventus está no céu há tempos. Campeã italiana com sobras, a equipe de Turim já estava jogando a Serie A praticamente no piloto automático desde que abriu ótima vantagem sobre o Napoli, até confirmar o bicampeonato neste domingo. Agora, a equipe treinada por Antonio Conte busca superar o recorde de pontos da Juve em uma única temporada: é da equipe de Fabio Capello, no scudetto retirado de 2005-06, com 91 pontos. A Juve de Conte pode chegar aos 93 e ratificar sua soberania nacional. Já dá até para se adiantar e começar a pensar no ano que vem, no qual um salto de qualidade para disputar a Liga dos Campeões à vera é esperado.

Quem também está no céu é o Napoli, que garantiu o vice-campeonato, melhor colocação da equipe desde os tempos de Maradona – com direito a artilharia de Cavani, que tem 27 gols, pode ampliar o número e vê Di Natale, vice-artilheiro, com “apenas” 20 gols. Mesmo com problemas e incertezas ao longo do ano, voltar à fase de grupos da LC é muito importante para a equipe, que não tem orçamento e folha salarial gigantescas, como os maiores times do país. A prioridade, agora, é segurar o técnico Mazzarri e Cavani. Ou, no caso do uruguaio, capitalizar ao máximo com sua venda.

As duas últimas rodadas do campeonato também garantiram a entrada no céu de uma série de equipes, que se livraram matematicamente do rebaixamento. Dentre elas, o mérito maior foi do Cagliari, que passou por diversos problemas relacionados a mando de campo, como já falamos aqui. A Sampdoria, que voltou à elite após um ano na Serie B, também pode comemorar com um pouco mais de veemência.

O purgatório

No purgatório estão aquelas equipes que tem contas a acertar. A primeira é o Milan, que já está com a passagem para o céu emitida e só falta confirmar o pagamento. A equipe tem 4 pontos de vantagem sobre a Fiorentina e precisa de apenas uma vitória nos dois jogos restantes para confirmar uma vaga na Champions. Cenário improvável no início da temporada e mesmo até janeiro, quando Balotelli chegou e mudou o panorama. Em 11 jogos, Supermario marcou 11 gols e liderou a reviravolta rossonera. Agora, os torcedores confiam na manutenção do ritmo de postulante ao scudetto e, se possível, com a continuidade de Allegri, que tem grande respaldo. Acertar a defesa será a prioridade para o próximo ano. Recuperar o futebol de El Shaarawy também.

A Fiorentina, por sua vez, sonhou com a Champions, mas deve ficar mesmo com uma vaga na Liga Europa. O que já é ótimo para um time que se reconstruiu e flertou com o rebaixamento na melancólica temporada 2011-12. Para ocupar a segunda vaga para a competição oferecida no campeonato, a Udinese é favorita, uma vez que tem dois pontos a mais que Roma e Lazio e enfrenta Atalanta e uma desmotivada Inter. Já a equipe romanista tem pedreiras: viaja para jogar com o Milan e recebe o Napoli. A Lazio joga contra Sampdoria e Cagliari, desinteressados, mas vai precisar torcer contra. A maior probabilidade é que a final da Coppa Italia, disputada pelos rivais romanos, ganhe ainda mais um ingrediente, uma vez que os dois times entrarão em campo pensando também no ano que vem, já que a competição vale vaga na Liga Europa.

Na parte baixa do purgatório, Torino e Genoa protagonizaram um empate maroto nesta quarta, que praticamente garante os dois na elite na próxima temporada. Uma vitória simples nas próximas duas rodadas – ou uma derrota de Palermo e Siena – faz a festa em Turim e Gênova.

O inferno

Não há dúvidas de que a Inter está pagando por todos os seus pecados nesta temporada, uma das piores de sua história. O time vive situações grotescas em toda a temporada, agravadas na mesma semana: no domingo, não tinha atacantes do plantel principal disponíveis para o jogo contra o Napoli. Contra o Genoa, nenhum defensor do elenco estará disponível – justo quando Cassano e Palacio podem voltar. Em números, é a pior temporada da Inter desde que o campeonato passou a ter 20 clubes. Com a primeira vitória da Lazio no Meazza desde 1998, a Inter ficou fora de competições europeias após 14 anos. O escorregão de Álvarez na hora de cobrar pênalti decisivo, e isolando a bola por isso, quando a Lazio vencia por 2 a 1, pode ser usado como metáfora da temporada. Pouco depois, os romanos mataram o jogo, no único chute a gol dado no segundo tempo.

Para completar, o time chegou à terceira derrota consecutiva na Serie A – são seis derrotas nos últimos sete jogos do campeonato. A Inter também atingiu seu recorde de derrotas numa única temporada: 15. O número também havia sido alcançado em 1947-48, mas é provável que o time volte a perder mais uma vez, pelo menos, e chegue à marca negativa. Se a Beneamata for ultrapassada pelo Catania e terminar a Serie A na 9ª posição, terá, ainda, que jogar a terceira fase da Coppa Italia, perdendo o direito de entrar diretamente nas oitavas. Para a próxima temporada, muita coisa terá de ser mudada e, por isso, o presidente Massimo Moratti já está de cabeça quente.

Quem também arde nas chamas do inferno é o Pescara, que foi rebaixado oficialmente no domingo. A equipe do Abruzzo tem apenas 22 pontos e, caso não some mais nenhum, terá o segundo pior desempenho na Serie A desde que o campeonato tem 20 times e as vitórias valem três pontos, ao lado do Cesena da última temporada. Apenas o Treviso, rebaixado em 2005-06, primeiro ano em que o campeonato obedeceu a estes critérios, teve menos (21).

Muito perto de voltar à segundona estão Siena e Palermo. Os toscanos terão pela frente nada mais nada menos que Napoli e Milan e, além de vencer os dois compromissos, ainda precisarão torcer para que o Genoa não some ponto algum – tarefa quase impossível. Já os rosanero, que não jogam a Serie B desde 2003-04, retornarão para lá caso percam para a Fiorentina, fora de casa. Algo, aliás, bem provável. É bom começar a pensar em negociar atletas que não irão querer continuar no time com a queda, como Ilicic e Hernández, ou mesmo Miccoli e Sorrentino.

Pallonetto

– Serie A pode ter última rodada só para cumprir tabela. Não é um cenário tão difícil: o Milan precisa vencer a Roma em casa; a Fiorentina bater o Palermo, também em casa; a Udinese, no Friuli, passar pela Atalanta; e a Lazio não vencer a Sampdoria, no Olímpico de Roma. Se o Genoa vencer a Inter, em casa, o Siena e o Palermo estão automaticamente rebaixados. Se esse cenário ocorrer, Fiorentina e Udinese se classificam à Liga Europa e a única coisa que fica “em jogo” é qual equipe entrará diretamente nas oitavas de final da Coppa Italia. Os oito primeiros classificados na Serie A ganham esse direito.

– Seleção Trivela da 35ª rodada: Abbiati (Milan); Konko (Lazio), Danilo (Udinese), Paletta (Parma), Antonelli (Genoa); Parolo (Parma, Candreva (Lazio); Bergessio (Catania), Klose (Lazio), Borriello (Genoa), Cavani (Napoli). Técnico: Vladimir Petkovic (Lazio).

– Seleção Trivela da 36ª rodada: Marchetti (Lazio); Zúñiga (Napoli), Rodríguez (Fiorentina), Palombo (Sampdoria), Andreolli (Chievo); Dzemaili (Napoli), Pirlo (Juventus), Flamini (Milan), Onazi (Lazio); Balotelli (Milan), Muriel (Udinese). Técnico: Massimiliano Allegri (Milan).

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