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O ano que não será?

Ibrahimovic ganhou todos os campeonatos nacionais que disputou, desde 2004. Venceu títulos no Ajax, na Juventus, na Inter, no Barcelona e no Milan. Difícil lembrar de algum jogador tão decisivo em campos locais quanto o sueco, que vinha em ótima fase até o fim de janeiro. Aí desandou.

O Milan disputou duas partidas em fevereiro. Em ambas, Ibra teve atuações lamentáveis e não fez gols. Na derrota para a Lazio, foi anulado por André Dias e Biava e teve que buscar o jogo, inutilmente, no meio-campo. No empate com o Napoli, acertou um soco em Aronica e acabou expulso meia hora antes do fim da partida. O camisa 11 pegou três jogos de gancho e a equipe rubro-negra já entrou com recurso, tentando diminuir a suspensão para duas partidas.

Fazer o sueco disputar este terceiro encontro é essencial para as chances de título do Milan. O tal jogo será contra a Juventus, que tem um ponto de vantagem na liderança e uma partida a menos, a ser recuperada contra o Parma, na próxima semana. Caso Ibra atue de forma decisiva contra seu ex-time, conseguirá manter o Milan na luta pelo título. Caso contrário, as coisas ficarão complicadas para os comandados de Allegri.

Três estatísticas ilustram bem a importância dos gols de Ibrahimovic. Quando o sueco marca, o Milan tem 88,9% de aproveitamento no Campeonato Italiano. Quando ele não faz gol, a média fica nos 38,1% (menos que o Catania, 14º colocado). Quando o camisa 11 sequer entra em campo, o número é de 44,4% (igual à Fiorentina, 10º lugar). A expulsão infantil contra o Napoli, na rodada passada, bota em sério risco o título do Milan, portanto. A marca de oito anos consecutivos com títulos nacionais também pode ir pelo ralo.

Os números acima só corroboram uma obviedade. Sem um Ibrahimovic inspirado, o Milan é um time comum. Surpreende que nada tenha sido feito para corrigir isso no mercado de janeiro. As chegadas de Maxi López, Mesbah, Muntari e Merkel não dão alternativas sólidas ao 4-3-1-2 imutável que Allegri implantou desde que foi contratado, no início da temporada passada. O esquema funcionou, mas tem dado claros sinais de desgaste. Pato e Ibrahimovic, os dois melhores atacantes do elenco, jamais conseguiram jogar juntos, por exemplo.

Para buscar o título vencendo os pequenos e os grandes, é preciso ter alguém capaz de desequilibrar. Parece óbvio, mas além de Ibrahimovic, o Milan tem pouca gente em condições de fazer isso. No alto de seus 35 anos, Seedorf realizou uma partida lastimável contra o Napoli e foi um dos responsáveis pelo empate. Sem Aquilani, Boateng, Cassano e Pato, todos lesionados, os rubro-negros aumentaram o péssimo desempenho contra os sete primeiros colocados da Serie A: agora, são três empates e quatro derrotas em oito confrontos.

Tornar o time menos dependente desta “fantasia” proporcionada quase que somente por Ibrahimovic é um passo essencial para que Allegri consiga recolocar seu Milan nos eixos. Encontrar alternativas táticas, portanto, se torna obrigação. Esquemas como o 4-2-3-1 ou o 4-4-2 podem render bons frutos para um elenco que não tem outro atacante com imprevisibilidade próxima à do sueco, colocando o time para atuar de forma, digamos, mais automática. O jovem El Shaarawy, que até poderia ser opção, tem sido pouco utilizado na temporada.

Mesmo tropeçando contra os pequenos, a Juventus conseguiu pelo menos tirar o favoritismo que pertencia ao Milan na virada do ano. As rodadas passam e a Velha Senhora continua na liderança. A equipe de Milão vai conseguir encarar?

PALLONETTO

– Só para constar: fevereiro costuma ser o pior mês do ano para Ibrahimovic. Nas quatro temporadas anteriores, o sueco conseguiu jogar só 14 partidas, nas quais marcou quatro gols. Perdeu vários jogos por lesão.

– Acabou a novela De Rossi. O meia da Roma, cortejado pelo Manchester City de Roberto Mancini, agora tem contrato até 2017, sem cláusula de rescisão. Se cumpri-lo até o fim, fica no clube pelo menos até os 33 anos.

– Cassano: fuja desse sobrenome. Depois das inúmeras confusões protagonizadas pelo atacante do Milan, agora é o goleiro do Piacenza quem aprontou. Acabou preso nesta semana, acusado de integrar a quadrilha que manipulou resultados no futebol italiano.

– Começou a Copa Viareggio, uma das maiores competições de categorias de base do mundo, disputada no litoral toscano. Nesta edição, são três times brasileiros. Leia o preview do torneio clicando aqui.

– Seleção Trivela da 21ª rodada: Antonioli (Cesena); Biava (Lazio), Ferronetti (Udinese), Radu (Lazio); Conti (Cagliari), Pazienza (Udinese), Hernanes (Lazio); Thiago Ribeiro (Cagliari), Milito (Inter), Miccoli (Palermo) e Rocchi (Lazio).

– Seleção Trivela da 22ª rodada: Pegolo (Siena); Cassani (Fiorentina), Juan (Roma), Terzi (Siena), Pasqual (Fiorentina); Gargano (Napoli), De Rossi (Roma), Jankovic (Genoa); Borini (Roma), Miccoli (Palermo) e Giovinco (Parma).

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Equipe Trivela

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