Numa decisão natural, o Milan premia o trabalho de Pioli e renova com o treinador até 2025
O contrato de Pioli chegava ao fim nesta temporada e o Milan reiterou a confiança com mais dois anos de vínculo

Poucos trabalhos no futebol europeu são tão bons quanto o de Stefano Pioli à frente do Milan. Os rossoneri apresentam uma identidade de jogo, lapidam bons jogadores e emendam resultados sólidos. A conquista do Scudetto na temporada passada serviu de prova concreta sobre aquilo que estava sendo bem feito em Milanello. E a opção da diretoria é buscar mais. Nesta segunda-feira, o Milan anunciou a renovação do contrato de Pioli. O vínculo atual do técnico expiraria ao final da temporada e não existiam motivos para não ampliá-lo. A partir de agora, a assinatura do comandante com os milanistas vale até 2025. Dá mais segurança aos passos seguros.
É curioso pensar que, em seu primeiro ano, Stefano Pioli teve seus dias contados no Milan. A diretoria resolveu projetar para a temporada seguinte a chegada de Ralf Rangnick, visto como solução do clube para acumular cargos e promover “uma revolução”. A situação mudaria em poucos meses. Enquanto os rossoneri cresciam nas mãos de Pioli durante o início de 2020, os jogadores se fecharam ao redor do treinador e a administração também ficou com dúvidas sobre os superpoderes oferecidos a Rangnick. Em julho daquele ano, o negócio foi abortado. Pioli soava como um caminho mais certo do que o badalado alemão.
Naquela época, Rangnick veio a público dizer que, embora a decisão de manter Pioli fosse respeitosa com o crescimento do time em 2019/20, “ela só se provaria acertada em médio ou longo prazo”. Pois bem, o tempo respondeu: o rendimento em ascensão e Pioli conseguiu conquistar o Scudetto que tanta falta fazia ao Milan. Era um dos artífices no fim da seca, sem sombra de dúvidas. Enquanto isso, Rangnick queimou seu filme em outros cantos. Teve uma desastrosa passagem pelo Manchester United, antes de assumir a seleção da Áustria mais recentemente.
Se a opção por renovar com Pioli já parecia acertada lá em julho de 2020, a nova extensão contratual nesta semana soa como o reconhecimento natural. O treinador não apenas conseguiu encaixar as peças de um time jovem, como também o transformou em campeão. O Milan se valorizou nas mãos do técnico e muitos jogadores evoluíram sob suas ordens. Tanto é que mesmo a recente mudança de donos não atrapalhou a estabilidade dos gramados. Os milanistas podem não liderar o Campeonato Italiano atualmente, mas fazem uma campanha para brigar pelo bicampeonato e ainda devem avançar aos mata-matas da Champions. É uma perspectiva bastante distinta daquela vivida quando Pioli assumiu, com o time na metade inferior da tabela da Serie A 2019/20.
A renovação de Pioli garante mais dois anos de contrato, até 2025. Segundo o jornalista Gianluca Di Marzio, o treinador também assegurou uma renovação salarial na casa de €500 mil anuais, em pagamento que chega a €4,1 milhões líquidos por temporada. O bônus pela conquista do Scudetto também foi mantido, assim como há um novo em caso de título na Champions League. A ambição é óbvia.
“Assinar um novo contrato com o Milan é muito empolgante. Era o que eu queria e esperava, agradeço aos donos por essa oportunidade e à área técnica também pelo momento em que esse contrato foi feito. Estou muito feliz. Assinar esse contrato me dá ainda mais energia para continuar o que estamos fazendo”, declarou o técnico, nesta segunda-feira.
Pioli soma 153 partidas no comando do Milan. É o terceiro treinador mais longevo do clube neste século, atrás apenas de Carlo Ancelotti e Massimiliano Allegri – que será ultrapassado ainda nesta temporada. Além disso, o aproveitamento chega aos 66% dos pontos disputados, com 89 vitórias. A derrota para o Torino no final de semana deixou os milanistas seis pontos atrás do Napoli no topo da Serie A, mas o time parece confiável o suficiente para ser o principal concorrente dos celestes na campanha. Além disso, a classificação na Champions pode encerrar uma ausência de nove anos nos mata-matas continentais. É inerente associar o nome de Pioli à bonança e, assim, premiar o técnico com a renovação.



