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Nem o passado de Conte na Juve impediu que alguns torcedores o ameaçassem de morte

Antonio Conte teve três anos de sucesso na Juventus. Entre 2011 e 2014, no comando dos bianconeri, levou o tricampeonato da Serie A e colocou o clube em um patamar muito acima do restante dos clubes do país. Só deixou o comando da equipe pois recebeu o chamado da seleção italiana e partiu para o novo trabalho deixando entre os torcedores da Juve um sentimento de gratidão. Mas bastou Claudio Marchisio se lesionar, nesta sexta-feira, para tudo isso desmoronar. Bom, pelo menos para uma minoria da torcida, que enviou ameaças de morte ao treinador só por causa da contusão do atleta.

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Os torcedores culpam Conte pela lesão sofrida por Marchisio durante treino de preparação para o duelo da Itália com a Bulgária, neste sábado, pelas Eliminatórias da Euro. Inicialmente, pensou-se que a contusão tiraria o meio-campista do restante da temporada da Juventus, mas um exame realizado dentro do próprio clube, após o atleta deixar a delegação italiana e retornar a Turim, já descartou a possibilidade de algo mais grave. Ainda assim, o curto intervalo de tempo em que se acreditou que Marchisio não voltaria a jogar neste resto de campanha de 2014/15 foi suficiente para que chegassem as ameaças a Conte.

“Eu o vi abalado nesta manhã. Depois da controvérsia de ontem (sexta), ele recebeu ameaças de morte pela internet. Encontrei-me com ele, passamos um bom tempo juntos, e ele não está calmo. Todas essas coisas foram ditas nas redes sociais, e ele se sente vilanizado por algo que não é sua culpa. A Federação Italiana está a seu lado”, comentou, em entrevista à Radio Rai, Carlo Tavecchio, presidente da entidade.

A situação foi desencadeada principalmente após John Elkann, presidente do Grupo Fiat, que controla também a Juventus, ter criticado os métodos de treinamento do técnico. “Talvez ele queira ser lembrado como o selecionador com o maior número de jogadores lesionados”, afirmou o mandatário à Gazzetta dello Sport. Conte rebateu seu antigo empregador. “Imagino por que o Elkann não me disse isso quando eu estava na Juventus. Nós não trabalhamos duro, trabalhamos bem. A lesão do Marchisio foi absurda e inexplicável. Ele machucou-se sozinho enquanto se aquecia, correndo sem a bola”, explicou o treinador.

É incrível como às vezes é preciso tão pouco para que os torcedores esqueçam a contribuição enorme que um antigo membro do time deu com seu trabalho. Tão pouco para que saiam de si e tomem atitudes abomináveis como a de ameaçá-lo de morte. Mas essa é uma reação um tanto quanto previsível. Talvez o mais condenável de toda a história tenha sido o fato de uma figura pública como Elkann soltar uma besteira dessas, que no máximo faria exatamente o que fez: insuflar a torcida. Para o bem de todos, não deverá levar muito tempo para que Marchisio esteja de volta ao consolidado meio de campo da Juve, que segue viva na briga pela Champions.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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