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Napoli se superou para conquistar o primeiro turno e repetir feito dos tempos de Maradona

Depois do tropeço da Internazionale contra o Sassuolo, o Napoli ficou com o caminho aberto. Os celestes só precisavam vencer o Frosinone, antepenúltimo colocado, para assumir a liderança da Serie A e terminar o primeiro turno no topo da tabela. A equipe de Maurizio Sarri não apenas cumpriu a sua missão, como também atropelou os adversários: goleada por 5 a 1, que ratificou os napolitanos no topo. Pela primeira vez desde 1989/90, ano em que Maradona liderou o último título do clube, o Napoli conquista a primeira metade da temporada. Um fato que não vale qualquer taça, mas representa as credenciais que o time superou as expectativas nos últimos meses.

No papel, o Napoli já contou com elencos mais espetaculares recentemente. Entretanto, o que salta aos olhos é a consistência da atual equipe. Liderada novamente por Pepe Reina, a defesa acumula excelentes números, bem acima do que poderia indicar, enquanto o meio-campo garante uma solidez gigantesca pela versatilidade de seu trio. E o ataque vai garantindo as vitórias, muito por conta da excelente fase vivida pelos homens de frente.

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O maior exemplo disso é Gonzalo Higuaín, voando na Serie A. O centroavante parece ter superado o pesadelo vivido na final da Copa América e vem dando a volta por cima da melhor maneira possível. Artilheiro isolado do campeonato, com 18 gols, também aparece neste momento ao lado de Pierre-Emerick Aubameyang, os maiores goleadores das cinco grandes ligas europeias. Igualou o gabonês com os dois tentos deste domingo, um deles uma pintura (veja abaixo). O argentino fez fila na defesa do Frosinone, antes de tocar para as redes vazias. Lance para ressaltar a sua confiança. Além disso, Higuaín anda bem acompanhado na linha de frente, sobretudo por Lorenzo Insigne, outro que vive grande fase. E ainda há o crescimento de Manolo Gabbiadini, autor de mais um golaço neste domingo (confira ao final do texto).

Já no meio, quem também aproveitou a goleada sobre o Frosinone para sublinhar a grande temporada é Marek Hamsik. Quando já não vinha repetindo os melhores momentos da carreira, o eslovaco voltou a ascender, liderando o setor com combatividade e talento. O camisa 17 balançou as redes pela terceira partida seguida, avançando até a entrada da área e finalizando de maneira cirúrgica. Cresceu bastante na companhia dos voluntariosos Allan e Jorginho, fundamentais na engrenagem do time. Ao lado de Miranda, a dupla celeste disputa o posto de melhor brasileiro na temporada italiana.

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E ainda cabe destacar o trabalho realizado por Maurizio Sarri. Nascido em Nápoles e torcedor celeste, o treinador de 57 anos fez a sua carreira em clubes das divisões de acesso – muitos deles tradicionais, como Verona, Avellino, Perugia e Pescara. Nos últimos três anos, conquistou respeito no Empoli, levando os azzurri à Serie A e se mantendo na elite com um futebol vistoso. O suficiente para receber a chance de sua vida no Estádio San Paolo. Mesmo tendo menos nome que os seus antecessores, vai conquistando resultados estupendos. Reergueu o time depois da decepção vivida na rodada final da última temporada, perdendo a vaga na Champions para a Lazio.

O equilíbrio na atual temporada da Serie A não dá brechas a muitas certezas. Ao menos os quatro primeiros colocados estão no páreo. Mas, por tudo o que apresentou no primeiro turno, também não há motivos para descartar o Napoli. Ainda que algumas desconfianças persistam, especialmente quanto às opções do elenco para os momentos mais intensos da temporada e à durabilidade da média de gols incrível de Higuaín.

Com apenas duas derrotas em 19 rodadas, o Napoli não apenas reafirmou suas condições de ir à Champions, como também virou o adversário a ser batido – sobretudo, por ter conquistado três vitórias nos confrontos diretos com Internazionale, Juventus e Fiorentina. Resultados que valem e dizem muito. Que permitem os napolitanos, mesmo sem os craques de outrora, sonharem com a reconquista da Serie A após 26 anos. Algo que pouquíssimos apostariam no início do campeonato, e dá mais créditos a este grupo.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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