Serie A

O Milan doutrinou de início, o Napoli renasceu das cinzas e ambos ofereceram um jogaço

Em certo momento o Milan parecia pronto para uma goleada, mas o Napoli virou outro time depois do intervalo e qualquer um poderia ter ido além do empate por 2 a 2

Napoli e Milan carregaram no peito os dois últimos Scudetti de campeões italianos. Era natural esperar uma grande partida no Estádio Diego Armando Maradona, por todo o histórico entre os clubes, mesmo que as fases recentes não colaborem muito. Tanto napolitanos quanto milanistas se viam pressionados por resultados recentes e em busca de uma vitória. O triunfo não veio, mas os oponentes ofereceram um jogaço em Nápoles. Foi uma noite bem dividida, com cada tempo de um time. O Milan mandou no primeiro, com dois gols e momentos nos quais parecia pronto a aplicar uma goleada. No entanto, o Napoli renasceu na segunda etapa e conseguiu um empate até rápido. O resultado poderia pender a qualquer lado, com suspense até o último lance, mas o 2 a 2 no placar ficou de bom tamanho.

Rudi García parecia seriamente ameaçado pelo desemprego durante o intervalo. No entanto, o treinador foi um dos grandes responsáveis pela reação do Napoli. Fez três mudanças para o segundo tempo e conseguiu a igualdade. Politano foi brilhante em seu golaço, enquanto Raspadori também caprichou em seu tento de falta. Já o Milan, se caiu de ritmo, ainda pareceu mais próximo do triunfo no geral. O lado direito do time de Stefano Pioli causou pesadelos no primeiro tempo, assim como Giroud nas bolas aéreas. Pesou contra a lesão de Pulisic, que diminuiu a força ofensiva para a segunda etapa.

O Milan bota o Napoli na lona

O Napoli seguia desfalcado do lesionado Victor Osimhen, enquanto André-Frank Zambo Anguissa aparecia só no banco, após se recuperar. De resto, a base campeã de 2022/23 seguia presente. Alex Meret abria a escalação, com a defesa formada por Giovanni Di Lorenzo, Amir Rrahmani, Natan e Mário Rui. Eljif Elmas, Stanislav Lobotka e Piotr Zielinski eram os meio-campistas. Na frente, Khvicha Kvaratskhelia e Matteo Politano apoiavam Giacomo Raspadori. Já o Milan também vinha num 4-3-3, com a importante presença de Mike Maignan no gol. A defesa reunia Davide Calabria, Pierre Kalulu, Fikayo Tomori e Theo Hernández. O meio tinha Yunus Musah, Rade Krunic e Tiijani Reijnders. Na frente, o tridente com Christian Pulisic, Olivier Giroud e Rafael Leão.

O Milan saiu a campo em Nápoles disposto a mostrar que não seria um mero coadjuvante. Aos dois minutos, os rossoneri tiveram sua chance, com Giroud forçando um bloqueio providencial de Rrahmani dentro da área. O Napoli melhorou pouco depois, quando passou a adiantar suas linhas e a forçar os milanistas um pouco para trás. Mas não que os celestes exercessem uma grande pressão sobre os visitantes. A partida seguia mais estudada, concentrada na intermediária. Já aos 19, Pierre Kalulu se machucou e se tornou baixa aos rossoneri. Entrou o garoto Marco Pellegrino, estreante pelo clube.

O que poderia ser um momento de cautela para o Milan, porém, logo se transformou em grito de gol. Os rossoneri abriram o placar aos 22, a partir de uma ótima trama de seu ataque. Christian Pulisic foi perfeito pela direita, ao descolar um cruzamento cirúrgico. Solto dentro da área, Giroud cabeceou para as redes, sem que Meret desviasse a bola corretamente. O Napoli tentou uma resposta imediata e poderia ter reduzido a diferença pouco depois, aos 27. Kvaratskhelia serviu o passe rasteiro e Politano estava com o gol aberto, a seu prazer, mas mandou pelo lado externo da rede. Era uma chance que não dava para desperdiçar, sozinho no segundo pau. Mario Rui também tentou um ousado chute do meio-campo, mas mandou por cima.

O jogo se tornou realmente do Milan a partir dos 31, com o segundo gol. Mais um lance pela direita funcionou. Calabria chegou à linha de fundo e cruzou para outra cabeçada fulminante de Giroud, entrando por trás. Depois disso, o Napoli ficou na lona. Os milanistas rodavam a bola como queriam no ataque e mandavam na partida, contra um adversário que se defendia mal. O amasso era constante e Reijnders esteve na posição de ampliar, aos 41, mas pegou por baixo da bola e mandou sobre o travessão. Do outro lado, os napolitanos tiveram um lance isolado com Raspadori, não mais que isso. Meret ainda precisou trabalhar contra Giroud e Musah nos acréscimos. O apito do intervalo foi uma bênção aos celestes.

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O Napoli ressurge e dá o tom do jogaço

O Napoli voltou para o segundo tempo com três alterações. Mathias Olivera, Leo Ostigard e Giovanni Simeone suplantavam Mario Rui, Rrahmani e Elmas. Já o Milan trouxe Luka Romero na vaga de Pulisic, que sentiu dores musculares. A retomada da partida já ofereceu uma postura diferente dos napolitanos. Sobretudo, garantiu um golaço para que os anfitriões encostassem no placar aos cinco minutos. Politano assinou uma pintura que renasceu seu time. Pellegrino, um tanto quanto perdido em sua estreia, tomou um chapéu. Mesmo o mais tarimbado Theo Hernández depois foi engolido num corte seco. Politano então soltou um míssil no alto da meta, sem chances a Maignan.

Depois disso, o que se viu foi uma partida bem mais aberta, sujeita às trocações. O Milan ainda tinha bons recursos, especialmente nas arrancadas de Rafael Leão, mas o atacante pecava nas conclusões. Enquanto isso, o Napoli adotava uma postura muito ofensiva. Maignan fez ótima defesa num chute rasteiro de Di Lorenzo, aos 13. Depois, soltou um cruzamento por bobeira, mas a defesa travou a batida de Kvaratskhelia. As bolas alçadas dos napolitanos eram muito venenosas, com os milanistas parecendo mais vulneráveis. E o empate aconteceu aos 18, numa falta frontal conseguida nesse abafa. Raspadori chutou com curva, no canto do goleiro, e Maignan, com a visão encoberta, saltou atrasado. Outro belo tento.

A torcida do Napoli se inflamava neste momento. Já o Milan tentava recobrar os sentidos, após as duas pancadas. Rafael Leão enfim acertou o pé aos 22, numa boa defesa de Meret no cantinho. Na cobrança de escanteio, Pellegrino tentou de cabeça e Meret segurou. Do outro lado, o Napoli conseguia ter mais volume na área quando atacava. Natan viu uma tentativa travada. Antes de chegar à fase final, a partida caiu um pouco de ritmo, sem que os times acertassem as jogadas. Para tentar uma guinada, aos 32, Anguissa era novidade no posto de Zielinski. Logo depois, Noah Okafor e Luka Jovic entraram no Milan, saindo Leão e Giroud – este, furioso com a decisão de Stefano Pioli. Politano também deu lugar a Alessandro Zanoli. Já Pellegrino sequer terminou o duelo, também lesionado, com Alessandro Florenzi em campo.

As muitas trocas e suas respectivas paralisações deixaram o suspense sobre o que aconteceria no final da partida. Entretanto, certo cansaço parecia pesar. O Napoli ficou com dez homens aos 44. Natan cometeu uma falta imprudente e recebeu o segundo amarelo. O Milan tinha uma oportunidade de buscar o triunfo. Uma grande chance pintou aos 46, quando Calabria escapou para uma cabeçada no segundo pau, mas não pegou em cheio. Por fim, o Napoli reapareceu no ataque para uma última bola. No lance derradeiro da partida, Kvara entortou Calabria e bateu por baixo. Maignan salvou o Milan e decretou o empate. Jogo digno da grandeza dos clubes.

O Milan fica na terceira colocação da Serie A, com 22 pontos. Vê a Internazionale três pontos à frente e a Juventus também ultrapassar, com 23 pontos. Já o Napoli chega aos 18 pontos, na quarta posição. Era a chance de tentar se aproximar do pelotão da frente, mas pelo menos os celestes ficam temporariamente no G-4, ainda precisando secar Fiorentina e Atalanta na sequência da rodada nesta segunda.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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