Serie A

Não há vitória em clássico que não alivie a crise: Roma se impõe contra a Lazio e desfruta o Dérbi

Clássico costuma ser um campeonato à parte. A velha máxima pode soar como clichê, mas cabe muito bem ao Dérbi de Roma deste sábado, disputado no Estádio Olímpico. Roma e Lazio entraram em campo num momento bastante distinto na Serie A. Os giallorossi passam por uma fase de questionamentos, com a goleada sobre o Frosinone no meio da semana aliviando uma sequência de cinco partidas sem vitória. Parte das contratações não surte efeito e o técnico Eusebio Di Francesco não vinha conseguindo encaixar seu time. Enquanto isso, os biancocelesti acumulavam quatro vitórias consecutivas na liga, aparecendo na zona de classificação à Liga dos Campeões, depois de um mau início. Pois o cenário se inverteu na Cidade Eterna. Os romanistas se impuseram contra os rivais e conquistaram a vitória por 3 a 1. Festa imensa à torcida amarela e grená, diante de um resultado que traz novos ares ao clube.

Fazendo valer o seu melhor momento, a Lazio iniciou o jogo comandando as ações. Criou boas oportunidades durante os primeiros 20 minutos, mas via a defesa romanista se safar, com muitas finalizações bloqueadas. Apenas depois disso é que os giallorossi acordaram, atacando com velocidade. Thomas Strakosha logo começou a se destacar, com duas ótimas defesas para evitar o gol dos rivais. Além disso, Luis Felipe também fez um corte providencial dentro da área, safando os biancocelesti. Já do outro lado, Robin Olsen desviaria com a ponta dos dedos a finalização de Ciro Immobile que tinha endereço certo.

O duelo caiu um pouco de ritmo no final da primeira etapa. E a lesão de Javier Pastore, por linhas tortas, se provou fundamental para que a Roma abrisse o placar. Lorenzo Pellegrini entrou em seu lugar e se encarregou a anotar o primeiro gol, já aos 45 minutos. Em uma bola rebatida dentro da área, a sobra ficou com o jovem e ele demonstrou toda a sua inteligência, ao improvisar um chute de calcanhar. Com a meta aberta, sem Strakosha, o lance inventivo rendeu um golaço. Tranquilidade merecida aos romanistas, depois de crescerem na partida.

O segundo tempo viu dois times tentando solucionar a situação e finalizando mais. Simone Inzaghi promoveu duas alterações na Lazio logo cedo e conseguiu arrancar o empate aos 22 minutos. Falha imensa de Federico Fazio, que entregou uma bola dominada a Immobile. Com o caminho livre, o centroavante não perdoou. Ao menos a reação da Roma não demorou a vir, com o segundo tento anotado aos 26. Falta sofrida por Pellegrini na entrada da área, que Aleksandar Kolarov cobrou com potência, enchendo o pé no canto de Strakosha. O sérvio se torna o segundo jogador na história a balançar as redes no Dérbi pelos dois clubes. Havia anotado um tento com a camisa biancoceleste em 2009. Antes dele, o pioneiro foi Arne Selmosson, que defendeu os dois clubes da capital entre 1955 e 1961.

A Lazio tentou buscar o prejuízo pressionando nos minutos finais, mas não conseguiu criar grandes oportunidades. Na melhor delas, Sergej Milinkovic-Savic arriscou de longe e Olsen fez a defesa. Já aos 41, os romanistas trataram de encerrar o placar, graças a mais uma bola parada. Falta lateral que Pellegrini cobrou em direção à área. Fazio se redimiu do erro e cabeceou com firmeza, sem dar tempo de reação a Strakosha. Assegurava a vitória a um time que não teve mais posse de bola, mas acabou sendo bem mais cirúrgico em suas ações.

Além do alívio evidente, o resultado já coloca a Roma no encalço da Lazio na tabela da Serie A. Os biancocelesti mantêm a quarta colocação, com 12 pontos, um a mais que os rivais, provisoriamente em quinto. Foi uma ótima resposta dos giallorossi, principalmente pela maneira como o time se portou após perder Javier Pastore. Daqueles resultados que valem além do próprio placar em si, pelo efeito que gera dentro do elenco. E, obviamente, por ser um clássico que se impregna na mente dos torcedores. O golaço de Pellegrini e a bomba de Kolarov certamente serão repetidos muitas e mutas vezes.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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