Copa da ItáliaSerie A

Não deu nem para piscar diante do espetáculo: Fiorentina 3×3 Atalanta, pela semifinal da Copa da Itália

A semifinal da Copa da Itália representa uma chance histórica a Atalanta e Fiorentina. O título pode ser importante a Lazio ou Milan, mas não terá o mesmo peso que possui aos dois concorrentes da outra chave. A Viola busca sua sétima conquista na competição que marca algumas equipes memoráveis de seu passado. Já a Dea tenta a segunda taça, a primeira em mais de 50 anos, após disputar outras duas finais no intervalo. E considerando as próprias características das equipes, não se esperava nada menor que um jogaço no Estádio Artemio Franchi nesta quarta-feira. Exatamente o que se viu no primeiro duelo das semis. Entre duas equipes vorazes no ataque, mas expostas atrás, gols não faltaram. Os nerazzurri abriram dois tentos de vantagem e permitiram que os violetas empatassem antes do intervalo. Já no segundo tempo, um gol para cada lado fecharam o placar em 3 a 3 e prometem outra noite memorável para o reencontro em Bérgamo.

O nome da Atalanta no primeiro tempo foi Josip Ilicic. O esloveno é um dos melhores jogadores do clube, não há contestação. Ainda assim, o que fez nos dois primeiros tentos da Dea foi simplesmente impressionante. Depois de quase abrir o placar, parando em Alban Lafont, o atacante propiciou uma jogada estratosférica aos 16 minutos. Deu um giro perfeito para se livrar do marcador no campo de defesa, arrancou por mais de 40 metros e deu um passe cirúrgico, deixando Papu Gómez na cara do gol. O argentino, então, arrematou com categoria para tirar de Lafont e botar os nerazzurri em vantagem. Dois minutos depois, outra vez Ilicic permitiu que seu time balançasse as redes. Depois de uma inversão espetacular de Timothy Castagne, o esloveno disparou. A marcação não deu o bote e, na entrada da área, ele puxou a bola para trás, criando o espaço necessário. Logo depois, executou o cruzamento perfeito para Mario Pasalic, que se infiltrou na área e escorou para dentro.

A reação da Fiorentina começou aos 33 minutos. E inescapavelmente teve a participação de Federico Chiesa. O melhor jogador italiano da temporada é mortal nos contragolpes e fez a Atalanta sofrer com sua velocidade, descontando a diferença. Roubou a bola no meio-campo e partiu com aceleração máxima, entrando na área e tirando do alcance de Etrit Berisha. Três minutos depois, já veio o empate. O gol nasceu em uma cobrança de lateral. Luis Muriel amansou a bola e Marco Benassi apareceu dentro da área para chutar de primeira, sem tempo de reação ao goleiro.

Os times seriam menos letais no segundo tempo, com as defesas um pouco mais compostas. O que não diminuiria a vontade de vencer. A Atalanta outra vez ficou em vantagem aos 13 minutos. Lafont socou um escanteio para fora da área e Marten De Roon foi felicíssimo no rebote. O holandês pegou a bola na meia-lua e, de primeira, acertou um míssil no alto da meta adversária. Outro golaço da Dea. Aos 34, a Fiorentina se recobrou do prejuízo. Lançado pela direita, Chiesa fez o cruzamento rasteiro e Muriel mandou para dentro. E os dez minutos finais poderiam ter coroado a vitória a qualquer um dos times. De Roon quase repetiu seu golaço, enquanto Muriel bateu para fora após uma bagunça causada por Chiesa. Por fim, nos acréscimos, Hans Hateboer ainda estalou uma cabeçada no travessão. O empate deixa uma expectativa maior ao Atleti Azzurri D’Italia.

Pelas circunstâncias do jogo, a Atalanta esteve mais próxima da vitória, mas não pode se lamentar. O empate por 3 a 3 é um bom resultado para definir o confronto diante de sua torcida. Do outro lado, a Fiorentina conseguiu evitar o revés e tem capacidade para matar o jogo nos contra-ataques em Bérgamo. Seja quem sobreviver, o vencedor terá os seus méritos. E poderá apresentar um futebol competitivo o suficiente para buscar a taça no Estádio Olímpico de Roma. Em 23 de abril, teremos o segundo capítulo desta espetacular semifinal.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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