Serie A

Milan e Napoli fizeram uma partida intensa no San Siro, mas os gols não saíram

O San Siro recebeu o principal jogo da rodada da Serie A, neste sábado. Milan e Napoli, de fato, fizeram uma partida intensa e bastante interessante de se assistir. Faltou, porém, o gol que alterasse o placar. Mesmo jogando fora de casa, os napolitanos mostraram que têm um conjunto superior e foram mais agressivos. Ainda assim, os milanistas também não se contentaram em esperar e, além de contarem com uma boa atuação de sua defesa, criaram chances para vencer o duelo. Ao final, o 0 a 0 não anima as torcidas, mas serve de prólogo ao confronto decisivo nas quartas de final da Copa da Itália, que acontece na próxima terça, também em Milão.

Foi uma noite de homenagens no San Siro. Antes que a bola rolasse, Andriy Shevchenko recebeu os aplausos no estádio onde se consagrou. Além disso, os ultras rossoneri estenderam uma faixa agradecendo Carlo Ancelotti em seu reencontro com o velho clube. Krzysztof Piatek começou no banco de reservas, com Patrick Cutrone comandando a linha de frente. Além disso, o Milan apostava em um meio-campo mais físico, composto por Tiemoué Bakayoko, Franck Kessié e Lucas Paquetá. Do outro lado, o Napoli surpreendeu com uma formação ofensiva. Dries Mertens e Arkadiusz Milik compuseram a dupla de ataque, municiados por Lorenzo Insigne e José Callejón pelos lados.

E o primeiro tempo começou aberto. O Napoli tinha a iniciativa e era melhor. Callejón forçou uma ótima defesa de Gianluigi Donnarumma, logo nos primeiros minutos. Do outro lado, o Milan tentava responder acionando bastante Paquetá. O brasileiro outra vez dava uma mostra de personalidade e participava da criação, se combinando com Hakan Çalhanoglu. Em uma dessas, Cutrone assustou e acertou o lado de fora da rede. Pouco depois, os rossoneri ainda mandariam para dentro, em lance anulado por falta em construção na jogada. Com o tempo, todavia, as oportunidades se tornaram raras. Por mais que os times mantivessem um ritmo forte, os sistemas defensivos atuavam bem, sobretudo o milanista. Bakayoko, outra vez, fazia uma excelente exibição. Quando sobrou um espaço, Callejón e Paquetá erraram o alvo.

O segundo tempo já se iniciou com mais emoção. Kévin Malcuit travou Kessié quase na pequena área, em bloqueio providencial. Logo depois, Paquetá arriscou, mas o chute fraco facilitou para David Ospina. O Napoli cresceria logo depois e passaria a dominar as ações. Faltava achar mais brechas, com Donnarumma impressionando pela segurança cada vez que era acionado. Nos únicos momentos em que passaram pelo goleiro, Callejón e Fabián Ruiz mandaram por cima, com o espanhol triscando o travessão em um cruzamento.

Diante dos problemas, logo Gennaro Gattuso tratou de mexer no time e mandou a campo, além de Fabio Borini, também Piatek. O centroavante entrou com vontade e brigando na área. Em um de seus primeiros lances, viu Ospina e Kalidou Koulibaly se desdobrarem para brecá-lo. Já aos 33, o polonês desviou para Matteo Musacchio emendar um voleio. A bola não saiu tão forte, mas o arremate próximo obrigou uma defesa fantástica de Ospina, em cima da linha. Foi a melhor chance do jogo.

Durante os dez minutos finais, contudo, o Napoli aumentou a pressão e buscou resolver o jogo. Piotr Zielinski fez a torcida da casa prender a respiração, em chute de fora da área que seguiu para fora. Além disso, os celestes tiveram um contragolpe ótimo, em vantagem numérica. Demoraram para finalizar e, por mais que Zielinski tenha enchido o pé, Donnarumma sequer deu rebote. Baita defesa, sem precisar ser espalhafatoso. Nos acréscimos, o árbitro ainda expulsaria Fabián Ruiz, dando o segundo amarelo por um toque de mão que não existiu. Apesar da insistência nos últimos suspiros, o placar se manteve mesmo inalterado.

Se o resultado não é satisfatório aos dois times, ele tem consequências bem menos drásticas ao Napoli. Os celestes seguem isolados na segunda colocação, a oito pontos da Juventus e a oito pontos da Internazionale nos dois extremos. Já o Milan corre riscos de perder a quarta colocação e sair da zona de classificação à Champions. Com 35 pontos, são apenas dois de vantagem sobre Roma e Sampdoria. E o tira-teima na Copa da Itália servirá para mostrar quem segue com chances alcançar um título nacional nesta temporada.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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