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Meu mundo caiu

“São resultados que acontecem”, comentou Claudio Ranieri depois de ver sua Inter cair, em casa, para o lanterna Novara, no último domingo. A permissividade do treinador romano impressiona e talvez seja por isso que raios como estes caem com certa frequência em sua cabeça.

A série de sete vitórias conseguidas pela Inter entre dezembro e janeiro encobriram os problemas da equipe, como era de se esperar. Quando a maré virou, o futebol dos nerazzurri desapareceu, como se jamais tivesse existido. Agora, são cinco jogos consecutivos sem vencer: derrotas para Lecce, Napoli, Roma e Novara e empate com o Palermo.

A Tríplice Coroa alcançada em 2010, com vitórias na Série A, na Copa da Itália e na Liga dos Campeões, já é uma espécie de assombração. Os títulos foram conquistados por uma equipe já experiente, prestes a entrar em uma fase descendente da carreira, mas propostas vantajosas por jogadores que nunca mais atuaram em tão grande nível, como Maicon e Milito, acabaram descartadas cedo demais.

Desde a noite dos sonhos em Madri, já se passaram quatro janelas de contratações. A cada uma delas, a Inter se tornou mais medíocre. Não é por acaso que a Beneamata chegou a nove derrotas no campeonato, pior marca desde 1947. E os problemas vão além das quatro linhas, ainda que Ranieri exponha tendências suicidas ao escalar Zanetti, Lúcio, Córdoba e Chivu em uma linha de defesa.

A Inter de hoje lembra aquela do período anterior ao escândalo de apostas, no qual passou quase duas décadas sem conquistar o scudetto. Desde que Mourinho deixou a equipe, depois da histórica temporada 2009-10, o amadorismo voltou a aflorar. Gabriele Oriali, único dirigente decente da Inter, acabou demitido meses depois. Marco Branca e os técnicos ganharam espaço nos quadros diretivos, o que se mostrou um erro.

Nem dois anos se passaram desde aquela noite de Madri, que consagrou a Inter. Mesmo assim, o clube está em seu quarto treinador no pós-Mourinho e Ranieri tem a corda no pescoço, pronto para se tornar mais um despejado. A culpa é de quem o escolheu, uma diretoria que só se livrou das críticas quando Mourinho tomou para si os refletores. De volta à normalidade, a Inter encolheu. E o antagonista é o presidente Massimo Moratti, que continua agindo como torcedor passional.

Sem planejamento, a Inter não tem conseguido substituir aqueles que se foram nem substituir de forma gradual os senadores do elenco. Os títulos recentes da equipe, vale lembrar, foram conquistados depois que Moratti se afastou do comando do clube, colocando Giacinto Facchetti na presidência e permitindo que o ídolo renovasse o time junto de Roberto Mancini. A Inter ainda contou com a ajuda do rebaixamento da Juventus e do enfraquecimento temporário do Milan, o que permitiu um reinado sem muitos percalços.

É por isso que a torcida sonha com Mourinho ou Capello, em vez de torcer pela chegada de algum craque. Algum comandante capaz de concentrar o futebol nas próprias mãos faz diferença em um clube sem comando e a Inter, quem diria, voltou a sofrer com isso. A Moratti, resta diagnosticar o problema o quanto antes. Quanto mais demorado for o processo, mais difícil será retomar o caminho das vitórias.

Pallonetto

– Autor do gol da vitória do Novara sobre a Inter, o próximo passo de Caracciolo é fazer com que seu técnico aprenda seu nome. Mondonico, contratado há menos de um mês, insiste em chamá-lo de Bonazzoli.

– Às vésperas do confronto com o Arsenal pela Liga dos Campeões, Ibrahimovic declarou que vencer o torneio não é mais uma obsessão pessoal. Basicamente, jogou a bandeira branca.

– Contra o Siena, a Roma teve 73% de posse de bola e acertou três vezes mais passes do que o rival. Ainda assim, perdeu por 1 x 0 e mostrou mais uma vez que posse de bola estéril não leva a lugar algum.

– A Lazio pôde comemorar. Abriu a rodada na quarta-feira passada com uma virada heroica sobre o Cesena e nos dias seguintes viu Inter, Udinese e Roma tropeçarem. Resultado? Voltou à zona de classificação para a Liga dos Campeões.

– Seleção Trivela da 23ª rodada: Amelia (Milan); Schelotto (Atalanta), Lisuzzo (Novara), Britos (Napoli), Lulic (Lazio); Lodi (Catania), Dessena (Cagliari), Barrientos (Catania); Maxi López (Milan), Kozák (Lazio) e Caracciolo (Novara).

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