Serie A

Líder dos ultras do Verona é banido, e políticos ameaçam processo contra Balotelli por “difamação”

A normalização do racismo pelo futebol italiano se consolida a cada rodada da Serie A, e dois dias depois do último grande episódio, protagonizado pela torcida do Verona e que teve Mario Balotelli como alvo, a história só vai piorando. Apesar de anunciar a proibição de entrada em seu estádio ao líder dos ultras da equipe, o Verona segue negando que tenha havido qualquer incidente de racismo, enquanto políticos da cidade no norte da Itália querem processar Balotelli por suposta “difamação”.

[foo_related_posts]

Durante a derrota do Brescia por 2 a 1 para o Verona, Balotelli foi alvo de gritos racistas e sons de macaco por parte da torcida do time da casa. O Verona recebeu uma punição simples de um jogo com os portões para uma de suas arquibancadas fechados. Líder dos ultras do Verona, Luca Castellini defendeu os torcedores e disse em entrevista a uma estação de rádio italiana que Balotelli era “italiano porque tem cidadania italiana, mas nunca poderá ser completamente italiano”.

Depois das afirmações, o Verona decidiu punir Castellini nesta terça-feira (5), proibindo-o de entrar em jogos do Verona por quase 11 anos, até 30 de junho de 2030. O clube ainda classificou as opiniões do líder dos ultras como “seriamente contrárias às que distinguem os princípios éticos e os valores” do Verona.

Apesar do posicionamento desta terça, figuras importantes do clube negaram o episódio de racismo. O técnico do clube, Ivan Juric, e o presidente, Maurizio Setti, além do prefeito de Verona, Federico Sboarina, todos se posicionaram desqualificando a denúncia de Balotelli – reiterada por jogadores do Brescia durante a partida.

Mais do que isso, no rescaldo do episódio, Balotelli ainda enfrenta outra situação que apenas estende o constrangimento: um grupo de conselheiros de estado de Verona enviaram uma moção à prefeitura propondo que o atacante seja processado por suposta difamação.

“O prefeito e os gabinetes legais do município deveriam iniciar ação judicial contra o jogador e contra todos que ataquem Verona, injustamente a difamando. Não é mais justo que Verona seja colocada como culpada quando, como neste caso, nada aconteceu”, dizem os conselheiros.

Imagens registradas durante a partida de domingo mostram claramente os insultos racistas a Balotelli, que se irritou ao ponto de chutar a bola em direção à arquibancada e tentar abandonar o jogo, antes de ser dissuadido por companheiros.

A Itália tem um problema grave de racismo em seu futebol que não vê no horizonte esperança de se resolver, especialmente quando a reação ainda é negar sua existência, por mais claro que seja.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo