Diretor técnico do Milan, Paolo Maldini tem sido um dos responsáveis por colocar o clube novamente em um caminho de competitividade e relevância no cenário nacional. Um dos ingredientes-chave para a reviravolta que temos testemunhado foi a contratação de Zlatan Ibrahimovic em janeiro de 2020. À época uma aposta de risco, o veterano ajudou a transformar a mentalidade e os resultados dos Rossoneri, e Maldini refletiu sobre a decisão de levar o sueco de volta a Milão e sobre como o atacante tem feito a diferença desde então.

Em ao DAZN, Maldini destacou sobretudo a maneira como Ibrahimovic tirou dos ombros dos mais jovens a responsabilidade, libertando-os para que mostrassem seu melhor futebol: “Nosso grupo já era competitivo, mas talvez os garotos estivessem presos por causa de suas responsabilidades. O Ibra chegou e assumiu todas as responsabilidades”.

Maldini revelou que a contratação do sueco já era uma ideia que vinha de janeiro de 2019, mas o atacante ainda tinha metas que desejava alcançar no Los Angeles Galaxy, ao qual tinha se transferido em março de 2018. “Na nossa opinião, ele era o cara certo para fazer aquela mistura entre juventude e experiência. Ele e (Simon) Kjaer deram resultados incríveis”, relembrou o diretor, acrescentando ainda uma breve avaliação das chegadas do centroavante e do experiente zagueiro dinamarquês, também em janeiro.

“Sempre tivemos pontos de referência no elenco, e naquele momento não havia tantos. Talvez houvesse alguém, mas jogava pouco e, por jogar pouco, talvez tenha se tornado menos importante que alguém com o caráter extraordinário do Ibra.”

Em uma revelação que confirma o discurso de Ibrahimovic ao longo de todos esses meses de que só gostaria de estar no Milan se pudesse dar algo em troca ao clube, Maldini conta que os rossoneri ofereceram um ano e meio de contrato ao veterano, que preferiu assinar inicialmente por seis meses e ver como se sairia antes de se comprometer por mais tempo.

“Não podemos nos dar o luxo de contratar jogadores que não foram vistos e aprovados pelos donos, mas este foi um risco bastante calculado. Ele (Ibra) estava vindo de dois anos de MLS, que é algo completamente diferente. Ele próprio, quando propusemos 18 meses de contrato, nos disse: ‘Vamos fazer seis meses, porque não sei o que posso te oferecer’.”

Desnecessário falar que o que Ibra acabou por oferecer superou e muito o que qualquer um poderia esperar. Em 30 jogos desde seu retorno, balançou as redes 22 vezes, com dez desses gols vindo em apenas seis jogos da Serie A da atual temporada. Por tudo o que já havia feito antes no Milan, liderando a equipe ao Scudetto em 2010/11, e pelo que tem feito agora, Maldini coloca o sueco ao lado de outra figura rossonera emblemática: Van Basten.

“São dois supercampeões. É difícil fazer um ranking. Baresi e Van Basten eram aqueles que tinham algo a mais que os outros. O Marco (van Basten), infelizmente, teve que parar em seu melhor momento. O Ibra, pelo que fez e pelo que está fazendo, está sem dúvidas neste mesmo nível. Para fazer certas coisas, você precisa ser um grande campeão não apenas em campo, mas também fora dele.”