Estagnado no Manchester United, Romelu Lukaku deixou a Inglaterra para se juntar à Internazionale de Antonio Conte e não guarda nenhum arrependimento desta decisão. Pelo contrário, ela lhe permitiu alcançar um tipo de constância que não teve nos Red Devils e, por fim, atingir um novo patamar entre os grandes centroavantes do mundo. O próprio atacante está convencido disso, como deixou claro em entrevista à France Football: “Nos últimos cinco meses, estive no top 5 de goleadores”.

Lukaku foi para Milão no início da temporada 2019/20 e, desde então, já balançou as redes 53 vezes, 46 delas pela Inter ao longo de 64 jogos. A frequência impressionante pelos nerazzurri o coloca como principal destaque do clube e, para o próprio atacante, entre os principais atletas de sua função no mundo.

“Nos últimos cinco meses, estive no top 5 entre os goleadores, sim! Talvez possa haver jogadores que tenham marcado mais gols, mas… Não, não, top 5, é isso. Não quero fazer uma classificação, mas faço parte desses cinco”, garantiu o jogador, repleto de autoconfiança, algo que claramente lhe faltava no Manchester United, em que marcou 42 vezes em 96 jogos.

Apesar do grande número de gols pela equipe italiana, Lukaku tem se destacado recentemente também por sua capacidade de fazer a equipe funcionar seja com sua boa movimentação sem a bola ou com a criação de chances para seus companheiros, especialmente Lautaro Martínez, com quem faz dupla de ataque de sucesso. O belga acredita que as pessoas estão vendo isso com mais clareza agora.

“Às vezes, você tem que ser capaz de trabalhar para a equipe, com toda a humildade, sem necessariamente colher os frutos diretamente, especialmente quando você sente que não é o seu dia nas finalizações. Quanto aos observadores, acho que quase todos conseguem percebem esta inteligência de jogo agora. Estou muito feliz com isso (…). Novamente, que as pessoas percebam que estou pensando quando jogo, que estou tentando me sincronizar com o resto da equipe, isso é legal. Aqui em Milão, todos entenderam isso, tanto os torcedores quanto os jogadores. Tenho que agradecer aos meus companheiros de equipe por saber que tipo de jogador eu era”, comentou.

Neste sentido, de seu trabalho de criação, Lukaku se sobressai sobretudo por suas decisões em contra-ataques, algo frequente em partidas pela Inter, mas que também ficou muito marcado nas atuações pela Bélgica na Copa do Mundo de 2018. Questionado sobre o que é o mais importante para um contra-ataque de qualidade, o centroavante respondeu: “Obter informações”.

“Muitos jogadores olham para a bola quando aceleram. Eu me afasto para relativamente longe para poder observar o que está acontecendo ao redor. Os jogos contra Brasil e Japão na última Copa do Mundo são um bom exemplo disso. Contra os brasileiros, eu passo a bola para Kevin De Bruyne (autor do segundo gol) porque vejo Marcelo se movendo para trás e se desequilibrando. Ele está de calcanhares, eu sei que está morto! Contra os japoneses, é sem a bola, mas é a mesma coisa. Sinto que tenho que limpar o corredor para Thomas Meunier, depois soltar a bola para Nacer Chadli (autor do gol no final da partida). Tudo depende se você pode ou não escanear o campo”.

Rapidamente adaptado à Serie A italiana, Lukaku parece ter tirado vantagem de sua facilidade de assimilar as diferentes exigências entre a competição e a Premier League, em que havia atuado nos últimos anos. Para ele, a pressão por triunfos, de qualquer maneira que seja, é maior na Velha Bota, o que o coloca sob maior cobrança em seu posicionamento ao longo de uma partida.

“Na Itália, a vitória vem em primeiro lugar. Há uma grande diferença na abordagem dos jogos entre aqui e a Inglaterra. E de outra forma, estou me concentrando no que exatamente preciso fazer porque, mais uma vez, os dois campeonatos não são os mesmos. Taticamente, em termos de meu posicionamento e movimentos, não posso errar. Nunca.”

É com este nível de exigência, do campeonato e de si próprio, que o jogador tem crescido tanto, ajudado também pelo bom entendimento com seu treinador, Antonio Conte, um grande admirador de seu futebol. O melhor de tudo é que Lukaku passa ainda a impressão de não ter atingido seu ápice técnico. Se puder chegar neste patamar imaginado, possivelmente em uma Internazionale melhor encaixada e menos irregular, o goleador pode deixar uma marca importante em sua geração.