Futebol italianoSerie A italiana 2026/27

Juventus iguala recorde de vitórias em casa na Serie A, mas futebol ainda não é o esperado

A Juventus segue com uma série impressionante no Campeonato Italiano. Enfrentou o perigoso time da Fiorentina neste domingo, em casa, e conseguiu vencer mais uma, desta vez por 1 a 0, a 14ª vitória consecutiva no seu estádio. Com isso, iguala a melhor marca da história da Serie A. Em 1975/76, o Torino, rival local da Juventus, também venceu seus primeiros 14 jogos em casa no campeonato. Mesmo com um recorde como esse, o time de Antonio Conte não convenceu no futebol apresentado.

Asamoah marcou um golaço na vitória por 1 a 0, mas o futebol ficou bem aquém de um time tão dominante na liga local. Mas não será necessário mais do que isso para ficar com o scudetto. A Juventus é, de longe, o time mais competente da Itália e essa ampla série de vitórias em casa mostra isso. Assim como na seleção italiana, o problema é a falta de um meia que possa dar criatividade à equipe. Vidal, Marchisio e Pogba, que estiveram em campo contra a Fiorentina – Pirlo estava suspenso – são jogadores de muita qualidade técnica e ótima chegada ao ataque. Preenchem bem os espaços no meio-campo, o que torna bem difícil a vida do adversário nesse setor.

Só que falta um jogador que se aproxime e dê mais opção para dar a bola aos atacantes Tevez e Llorente. Às vezes Vidal e Pogba, especialmente, conseguem fazer isso. Falta uma opção, ao menos no banco, para ser essa veia criativa. Eventualmente, Tevez volta para buscar a bola, mas ele rende mais como atacante,  chegando mais perto do gol. O elenco da Juventus é bom, especialmente para a liga italiana, mas parece sofrer muito com a falta de variação de jogadas e esquema tático. Em um dia que o plano A não dá certo, o plano B não existe. Para a Itália, tem sido suficiente, como foi neste domingo. Porque, mesmo com problemas, é um time muito forte e o melhor da Itália.

Como a Fiorentina também não teve criatividade e sofreu para superar o meio-campo da Juventus, não causou muitos problemas ao time da casa. Nem Anderson, nem Pizarro, nem Aquilani foram capazes de tornar a Fiorentina mais insinuante. Mario Gomez quase não teve chances. As coisas melhoraram para o time de Florença quando entrou em campo o brasileiro Ryder Matos entrou em campo. Apesar de não ser um centroavante, ele deu mais movimentação ao ataque e levou perigo ao menos duas vezes. As entradas de Matias Fernández e Rafal Wolski também ajudaram a melhorar um pouco o time. Ryder chegou a cabecear uma bola na trave e chutar uma bola perigosa, ameaçando a Juventus. Os donos da casa seguraram o resultado no final, com a experiência de quem sabe somar muitos pontos.

A Juventus  tem um potencial muito grande, mas parece cumprir só uma parte disso e se satisfaz. São muitos os jogadores capazes de apresentar um futebol acima da média, especialmente no meio-campo, mas o futebol tem sido para o gasto. Talvez pela eliminação precoce na Liga dos Campeões, talvez por saber que é o suficiente para ganhar o Campeonato Italiano. Mas a sensação é que o time joga menos do que poderia.

Com a vitória, a Juventus chegou a 72 pontos na tabela, 14 pontos à frente da Roma, que tem 58 dois jogos a menos – um deles disputa ainda neste domingo. O terceiro colocado é o Napoli, com 52. O título para a Juventus está praticamente garantido. O que o time precisa se preocupar é em saber variar o jogo e ser mais criativo no setor de ataque. Ao menos se o time quiser ir mais longe nas competições europeias na próxima temporada.

A Fiorentina, por sua vez, pode ver a Internazionale encostar na tabela, caso o time de Milão vença o Torino neste domingo. Os quatro pontos de vantagem, 45 a 41, podem diminuir para um com uma vitória nerazzurri. Os três primeiros colocados do italiano vão para a Liga dos Campeões, enquanto o quarto e quinto vão para a Liga Europa. Tanto Fiorentina quanto Inter ainda sonham com a Liga dos Campeões, mas parece cada vez mais improvável. Os dois times deverão se contentar em brigar por uma vaga na Liga Europa.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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