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Itália tem fracasso histórico na Europa. Mudanças urgem

O futebol italiano vive um fracasso inédito em competições europeias. Depois de comemorar o título europeu da Internazionale na temporada 2009/10, a Serie A não emplacou mais nenhum time nas semifinais da Liga dos Campeões ou da Liga Europa nos últimos três anos, algo que nunca tinha acontecido antes. A última esperança de manter a escrita era a Lazio, que acabou eliminada pelo Fenerbahçe nas quartas de final da Liga Europa nesta quinta.

A situação já gera preocupações entre os dirigentes do país. Diretor geral da Juventus, Giuseppe Marotta avalia que os clubes italianos não estão em condições de competir com as potências de Alemanha, Espanha e Inglaterra. Para o cartola, a derrota dos bianconeri para o Bayern na Champions evidenciou essa situação, explicada principalmente pelo abismo econômico entre os países.

“Há definitivamente uma diferença, isso está claro. Porém, os clubes alemães estão em um estágio mais avançado no processo de reconstrução. Nós estamos seguindo o exemplo deles. Esse fator econômico também decidirá a estratégia de transferência. Hoje, nós temos clubes como o Bayern, que tem o dobro de receita de times como Milan, Inter ou Juventus. Eles podem comprar um jogador por € 40 milhões, enquanto precisamos de três ou quatro clubes para juntar essa quantia”, analisou Marotta.

O dirigente apontou que a falta de diversificação nas receitas prejudica os times da Serie A: “As equipes italianas tem cerca de 70% de suas receitas vindas dos direitos de TV, enquanto os clubes italianos dividem este valor entre direitos de televisão, direitos comerciais e lucros em estádios. Está claro que faltam estádios na Itália que possam aumentar a renda”.

Ao menos em relação a esta questão, Marotta crê que a Juve esteja à frente de seus concorrentes no país, especialmente depois da inauguração do Juventus Stadium: “Penso que a Juventus começou uma nova era há dois anos e meio. Continuaremos trabalhando e ainda não temos a qualidade para estar neste grupo de superpotências. Infelizmente, os clubes italianos estão muito distantes neste momento em termos econômicos, o que afeta o potencial de transferências”.

Quem também urgiu pela necessidade de mudanças foi Aurélio De Laurentiis, presidente do Napoli: “Os clubes italianos precisam de uma revolução. Temos que bater na mesa e começar de novo. Precisamos impor novas regras, que sejam adequadas a 2013, não à década de 1990”.

E o fracasso continental dos clubes italianos os prejudica ainda mais financeiramente. Ultrapassada pela Alemanha no Ranking de Países da Uefa, a Itália vê os germânicos abrirem diferença ainda maior nesta temporada. Os alemães somam 16,5 pontos e ainda contam com Bayern e Dortmund vivos na Liga dos Campeões. Já os italianos fecharam a conta em 14,416, o que diminui as perspectivas de terem novamente quatro representantes na LC a curto prazo.

Considerando a força da recessão econômica vivida no sul da Europa, os italianos terão ainda mais dificuldades para se reinventarem economicamente. A diversificação das receitas, de fato, é um caminho interessante, mas só ela parece não bastar. Organização e investimento na formação de jogadores são ações complementares que podem funcionar. Porque, na atual situação, a estática geral parece motivo suficiente para sufocar a Serie A.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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