Serie A

A Inter provou sua força defensiva ao segurar a Juve em grande noite de Miranda e Handanovic

Juventus e Internazionale prometiam um “Derby d’Italia” com a grandeza que se pede a um clássico de tal porte. Dois clubes que atravessam bom momento e lutam pela liderança da Serie A. De um lado, a Velha Senhora contando com o ataque mais insaciável da liga, com média de gols próxima aos três por jogo. Do outro, a Beneamata vinha invicta, e com uma defesa que tem sustentado o bom desempenho. E em um embate tão claro em Turim, prevaleceu a solidez da equipe montada por Luciano Spalletti. Um jogo bem disputado, por mais que os gols não tenham vindo. Os juventinos foram mais agressivos durante os 90 minutos e criaram as melhores chances. Pararam em um adversário muito seguro de si, com os nerazzurri fazendo bem o seu papel sem a bola. Ao final, o empate por 0 a 0 não apenas manteve a Inter na liderança, com também encerrou a sequência da Juve de 44 partidas balançando as redes na liga.

A Internazionale entrou em campo sem grandes surpresas, enquanto a Juventus deixava Paulo Dybala no banco de reservas, com trio de ataque composto por Mario Mandzukic, Gonzalo Higuaín e Juan Guillermo Cuadrado. E antes que a bola rolasse, as expectativas para o jogo aumentaram ainda mais com a festa realizada pelos torcedores juventinos, com direito a um belíssimo mosaico nas arquibancadas. Impulso para que o time da casa tentasse fazer o serviço para tomar a liderança.

Durante os primeiros minutos, a Inter exercia um domínio territorial, trabalhando a posse de bola, mas sem agredir tanto. Nesse aspecto, o papel de Borja Valero foi essencial para orquestrar sua equipe e também garantir a proteção na cabeça de área, ao lado de Matías Vecino. Quando roubava a bola, porém, a Juventus conseguia ameaçar mais. E quase abriu o placar em ótima chance aos oito minutos. Mandzukic recebeu cruzamento de Cuadrado e exigiu grande defesa de Samir Handanovic. Na sobra, o croata ainda tentou de novo, mas Miranda salvou em cima da linha.

A estratégia da Inter para esfriar a Juventus deu certo durante a meia hora inicial de jogo. Exceção feita a esse lance mais agudo, a Velha Senhora pouco conseguiu penetrar a defesa adversária. Preponderava também a combinação da dupla de zaga, especialmente de Miranda, muito atento o tempo todo e anulando Higuaín. O problema é que as conexões da Inter no ataque pouco funcionavam. O time tinha dificuldades para criar, com a Velha Senhora também concedendo pouco espaço. O panorama só mudou na reta final da primeira etapa, quando enfim o meio-campo juventino começou a causar problema com as infiltrações de Sami Khedira. Handanovic trabalhou de maneira mais intensa. Já no último ataque antes do intervalo, Mandzukic mandou a bola no travessão, cabeceando cruzamento de Cuadrado.

Para o segundo tempo, a Juventus tratou de manter o ímpeto. Passou a controlar mais a posse de bola e a se impor no campo de ataque. Foi quando a defesa da Inter passou a ser mais exigida e teve que mostrar sua qualidade. A linha de zaga afastava os perigos pelo alto e também chegava junto para bloquear os arremates. Além disso, quando necessário, Handanovic era sempre um paredão. O problema é que os contra-ataques dos nerazzurri pouco funcionavam. Uma rara chance veio aos dez minutos, em aparição de Mauro Icardi, mas Mehdi Benatia travou o artilheiro – em bola que bateu em seu braço e gerou muitas reclamações sobre o pênalti não assinalado.

Com o passar dos minutos, Spalletti mexeu em suas peças, mas não se arriscou tanto. Dalbert entrou bem na lateral e Roberto Gagliardini veio na vaga de Antonio Candreva. A preocupação era mesmo tirar o perigo constante criado pelos bianconeri, com Higuaín e Mandzukic comandando o bombardeio. Já aos 30 minutos, Massimiliano Allegri lançou Dybala, substituindo Sami Khedira. Era a deixa para a Velha Senhora partir para o tudo ou nada. Ainda assim, não conseguiu fazer tanto nos 15 minutos finais, por todo o empenho nerazzurro. Já do outro lado, a Inter ainda deu um susto com Marcelo Brozovic, mas nada suficiente para alterar o placar.

Pela maneira como conseguiu amassar um adversário parelho, a Juventus merece os créditos por sua atuação. Mandzukic e Cuadrado foram bastante ativos na ponta, enquanto Pjanic conduziu o time no meio. E se o ataque da Inter não funcionou, as participações de Chiellini e Benatia foram decisivas, mesmo sem ser tão ativos. De qualquer maneira, o empate soa mais valioso à Inter, por tudo aquilo em jogo. Handanovic continua sendo um goleiro muito acima da média, que não recebe os merecidos créditos, e foi essencial com suas oito defesas. Miranda teve uma noite praticamente perfeita, ao lado de Skriniar, sempre sério. Danilo D’Ambrosio se virou diante da sobrecarga que teve. E Borja Valero se provou mais uma vez um grande negócio dos interistas, bem acompanhado por Vecino.

A Inter chega aos 40 pontos, dois a mais que a Juventus. Quem pode rir melhor ao final da rodada é o Napoli, que recebe a Fiorentina neste domingo e assumirá a liderança se vencer no San Paolo. Além do mais, vale mencionar a perseguição promovida por Roma e Lazio, ambos com um jogo a menos além desta rodada. Caso conquistem os seis pontos remanescentes, os giallorossi se igualariam à Inter, enquanto os laziali chegariam ao patamar da Juve. Em um Campeonato Italiano tão competitivo, a regularidade é essencial. Por isso mesmo, a consistência demonstrada em Turim neste sábado foi importante, por mais que nenhum dos dois times tenham conseguido a vitória.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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