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A Inter conseguiu levar quatro do lanterna, e a culpa é (quase) toda de Nagatomo

Nem em seu mais megalomaníaco sonho Yuto Nagatomo poderia imaginar que um dia faria tanta falta à Internazionale como neste domingo. A expulsão estúpida do japonês abateu os nerazzurri como uma maldição, e poucos minutos após o cartão vermelho a desvantagem numérica se fez valer, e o fraco Cagliari, até então o último colocado da Serie A, desandou a fazer gols e definiu uma confortável vitória por 4 a 1, garantida ainda antes do intervalo de jogo. Um exemplo claro de como ter um a menos pode fazer a diferença, mas também efeito de uma exibição de dar calafrios da defesa interista.

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Marco Sau havia inaugurado o marcador aos dez minutos de jogo, e Osvaldo empatara para a Inter aos 15. Jogando em casa, invicta nas primeiras quatro partidas e tendo como adversário o lanterna, que empatou na estreia e perdeu as três seguintes, os nerazzurri eram melhores em campo e não se sentiam ameaçados no jogo. Não tinham por que. A irresponsabilidade de Nagatomo então deu um motivo para preocupação. Após levar um cartão amarelo aos 25, o japonês fez uma falta besta apenas dois minutos depois, no meio do campo, levou o segundo amarelo e foi expulso.

Talvez Nagatomo tenha considerado todas as circunstâncias citadas acima e não tenha imaginado que pudesse causar um estrago tão grande. Albin Ekdal então fez questão de mostrar o tamanho da estupidez do japonês. Pouco mais de um minuto depois da expulsão, colocou o Cagliari à frente. Aos 34, adicionou mais um à sua conta; aos 44, completou sua tripletta e terminou a construção da goleada por 4 a 1. Desde 2008 na Itália, o meio-campista havia feito apenas cinco gols na Serie A até então (um deles contra a própria Inter). Quase igualou em pouco menos de 20 minutos.

Embora tenha ficado extremamente clara a relação de causa e consequência entre a expulsão de Nagatomo e o passeio do Cagliari, não dá para deixar de criticar a apatia dos jogadores da Inter e as falhas defensivas. Havia uma desvantagem numérica, é verdade, mas em cada um dos gols de Ekdal foi possível encontrar erros, seja de Medel, seja de Vidic ou de toda a defesa, quando Ibarbo costurou o setor antes de tocar para um dos inacabáveis tento de Ekdal. É compreensível também que ter um jogador expulso e tomar um gol apenas dois minutos depois faça você perder um pouco de fôlego, mas a falta de reação completa da Inter foi problemática. Nada estava perdido no momento da expulsão. Nagatomo é um dos grandes responsáveis pela derrota, mas não o único.

O saldo poderia ter sido ainda pior, mas graças a Handanovic o massacre ficou só no 4 a 1 mesmo. Pouco antes do quarto gol, o goleiro defendeu um pênalti, o que não é nenhuma novidade para ele. Desde 2011, quando estreou, já pegou 19 deles, 11 a mais que qualquer outro no mesmo período na Serie A.

A derrota deste domingo foi bastante circunstancial e, embora deva, sim, fazer o time sentar para conversar, não é motivo para preocupações trágicas. O futebol apresentado nas outras rodadas foi bom, o time manteve a base tática para esse duelo, mas acabou prejudicado pela péssima decisão de um de seus jogadores. Porém, se for para eleger um grande culpado, algo a ser trabalhado, que seja a defesa. Ter Vidic, um veterano longe de sua melhor forma, como principal expoente do setor é sintomático.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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