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Incendiada pela torcida, a Fiorentina teve atitude e venceu a Juventus no Artemio Franchi

Nenhuma rodada da temporada é tão esperada em Florença quanto a visita da Juventus. É o dia em que os torcedores da Fiorentina podem direcionar as suas energias para apoiar o time. E para odiar o rival forjado nas rixas, nas histórias controversas, nas polêmicas. Neste domingo, ao menos, a força vinda das arquibancadas se transformou em motivação à Viola, e acabou em euforia. O time de Paulo Sousa conquistou uma notável vitória por 2 a 1, embora também tenha pegado uma Juve em dia ruim. Pouco importa, quando se tem o gosto de comemorar o triunfo que não acontecia no Artemio Franchi desde 2013.

A determinação da Fiorentina marcou o primeiro tempo. Diante de uma Juventus mais desligada do que de costume, a Viola partiu para cima, em busca do gol. Matías Vecino era quem mais incomodava e, depois de parar em Gianluigi Buffon, quase abriu o placar aos nove minutos, carimbando a trave. Adiantando o posicionamento, os anfitriões dominavam o controle do jogo e mantiveram mais de 65% de posse de bola durante os 30 minutos iniciais. Já aos 39, festa da torcida, com o gol de Nikola Kalinic. Após bola longa da defesa, de Federico Bernardeschi passou e o atacante chutou cruzado, no canto da meta de Buffon.

A Juventus até arriscou um pouco mais no final da primeira etapa, mas viu a Fiorentina voltar do intervalo na intenção de resolver. E conseguiu, em cruzamento de Milan Badelj que Federico Chiesa desviou levemente, enganando Buffon – que, por sua vez, poderia ter feito melhor no lance. Até parecia que a Velha Senhora ainda estava no jogo quando Gonzalo Higuaín descontou quatro minutos depois. Só que, com a pressa se misturando à falta de calma, a Juve não aproveitou da melhor maneira as chances que criou. E ainda poderia ter tomado o terceiro no fim, não fosse o preciosismo da Viola.

Agradecidos pela atmosfera, os jogadores foram comemorar com a torcida. “Eu joguei minha camisa para a galera porque eles nos incendiaram demais. Esse jogo é como uma temporada à parte. Jogamos com mais determinação contra a Juventus”, declarou Federico Chiesa, que disse ter tocado na bola para o segundo gol. E os florentinos sabem reconhecer os seus ídolos. Antes que a bola começasse a rolar, fizeram um belíssimo mosaico a Giancarlo Antognoni, considerado o maior ídolo do clube, defendendo a camisa violeta entre 1972 e 1987.

Em campanha irregular, a Fiorentina é a oitava colocada, ainda distante da zona de classificação às competições europeias, mesmo com um jogo a menos. Já a Juventus permanece em primeiro, mas com a Roma em seu cangote. Os giallorossi somam um ponto a menos, com uma partida a mais. E, na próxima rodada, os bianconeri têm outra parada difícil ao receberem a Lazio em Turim.

 

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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