Serie A

Ícone do Palermo, Miccoli é condenado a 3,5 anos de reclusão por caso de “extorsão agravada”

Fabrizio Miccoli foi um nome célebre da Serie A ao longo das duas últimas décadas. O atacante atarracado não se cansou de marcar gols na Itália, sobretudo com a camisa do Palermo, onde se consagrou como um dos maiores ídolos da história. Depois de seis temporadas na Sicília, o artilheiro havia se aposentado em 2015, passando antes pelo Lecce e pelo Birkirkara. Agora, aos 38 anos, volta às manchetes. Nesta sexta, Miccoli foi condenado a três anos e meio de reclusão, por “extorsão agravada”.

Segundo a procuradoria italiana, Miccoli pediu a seu amigo Mauro Lauricella, filho de um suposto mafioso local, para recuperar 12 mil euros do empresário Andrea Graffagnini. Dono de uma discoteca, Graffagnini devia o dinheiro ao fisioterapeuta Giorgio Gasparini, amigo de Miccoli. Lauricella usou métodos violentos para reaver o dinheiro, embora só tenha conseguido devolver dois mil euros ao fisioterapeuta. O episódio ocorreu entre 2010 e 2011.

Lauricella foi indiciado ao lado de outro rapaz, Gioacchino Amato, por “extorsão com métodos de máfia”, o que poderia render penas de 10 a 12 anos de prisão. Os dois teriam participado da intimidação do empresário. Enquanto Amato foi absolvido, a justiça enquadrou Lauricella por crime de “violência privada”, resultando em um ano de sentença. Miccoli por sua vez, foi considerado o mandante do crime. Ele negou que conhecia na época as ligações de Lauricella com a máfia e promete recorrer da condenação.

“Nós descordamos totalmente da sentença estabelecida pelo tribunal. Apelaremos com toda a nossa força para restaurar a lei, que acreditamos ter sido infringida. Miccoli está muito irritado e triste, porque ele sabe que é inocente. Ele é completamente alheio a estas acusações, tentaremos provar isso nos recursos”, declarou Giovanni Castronovo, advogado de Miccoli. Para ele, há uma situação paradoxal, já que o outro rapaz acusado de praticar a violência foi absolvido, enquanto o dito mandante da extorsão acabou condenado.

Esta não foi a primeira vez que Miccoli se envolveu em problemas com a máfia. Em 2013, o atacante teve conversas telefônicas com Lauricella interceptadas, insultando um juiz local. Após a revelação pública do conteúdo, o atacante convocou uma coletiva de imprensa em que foi às lágrimas, pedindo desculpas pelo ocorrido.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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