Zlatan Ibrahimovic, aos 39 anos, segue sendo protagonista. Desde que retornou ao Milan no início do ano, impulsionou a equipe a uma reviravolta que hoje a coloca como líder da Serie A neste princípio de temporada 2020/21. Ouvindo o sueco falar sobre suas motivações, não é difícil entender de onde ele tira tanto combustível para seguir em frente mesmo em idade tão avançada.

Em entrevista à BBC, o veterano afirmou que o tipo de situação que encontrou no , de um clube que buscava retornar aos seus melhores momentos, é aquela em que ele mais se sente vivo e pronto para fazer a diferença.

“Na primeira vez que eu vim para o Milan, vim para um clube lutando pelo título. Na segunda vez que vim, era uma situação de levar o clube e o time de volta ao topo, onde pertence. É um desafio diferente, um desafio que eu gosto. Porque, quando dizem que é difícil demais, que é quase impossível, é aí que eu entro em cena e me sinto vivo”, contou.

Para Ibra, chegar a um time em dificuldades, ter um bom desempenho e receber o carinho e a gratidão em troca é uma grande motivação, “uma conquista maior do que ir para um clube que já está no topo”. Sua vontade de entregar isso, no entanto, não ofuscou seu julgamento antes de aceitar o desafio. Era preciso que o veterano se sentisse, ele próprio, apto para a ocasião. Até por isso, recusou inicialmente uma proposta de um ano e meio de contrato, assinando por apenas seis meses para primeiro saber se poderia contribuir para a equipe. Quando ficou comprovado que poderia, sim, fazer a diferença, estendeu o compromisso.

“Depois da minha lesão, disse para mim mesmo que, contanto que eu pudesse jogar, eu gostaria de jogar. Mas quando você joga nesse nível, tudo se trata de desempenho. Se você vai bem, traz resultados, então você ainda está em um nível de topo. Quando você não faz isso, outra pessoa virá e terá um bom desempenho. Gosto dessa pressão, porque não quero estar aqui por aquilo que fiz antes. Estou aqui por causa do que faço no presente, e esta é a pressão que coloco sobre mim mesmo”, afirmou.

“Independentemente do que fiz antes, não trago isso comigo agora, porque preciso demonstrar a cada dia quem sou. É por isso que dou meu melhor todos os dias. Seguirei em frente até o dia em que eu não puder fazer as coisas que estou fazendo agora.”

Com os anos de carreira, Ibrahimovic acumulou muita experiência. Como ele mesmo diz, gols nunca foram um problema. Agora, no entanto, teve que se adaptar às mudanças inevitáveis causadas pelo tempo. “Não sou o mesmo jogador que era cinco anos atrás, dez anos atrás. (…) Sou sincero quando digo que não corro como corria antes; corro de maneira mais inteligente agora.”

Bem humorado como de costume, Ibra celebrou a sorte de poder ter marcado seu nome em diferentes gerações e fez uma projeção incomum: “Sinto que estive aqui em diferentes gerações. Joguei contra o Paolo Maldini, e agora estou jogando com seu filho, Daniel. Espero que possa jogar também com o filho do Daniel, isso seria um milagre”.