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Gervinho, brilhando no Parma: “Acharam que eu estava acabado, mas eles estavam muito errados”

O atacante Gervinho, de 31 anos, é uma das atrações do Campeonato Italiano nesta temporada. Depois de brilhar pelo Lille, Arsenal e Roma, ele foi para a China, mas voltou à Itália para defender o Parma. Tem sido um dos principais jogadores do time. Contratado a custo zero do Heibei Fortune, depois de ficar sem contrato, Gervinho vem dando muito retorno aos Ducali, que voltaram à Serie A e querem, antes de tudo, ficar na primeira divisão italiana. Em entrevista ao Guardian, Gervinho contou um pouco sobre o que o fez voltar à Itália e sobre a sua carreira.

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“Você come um prato de comida italiana e você sorri o resto do dia”, diz o atacante marfinense, que jogou pela Roma de janeiro de 2016 a fevereiro de 2017, quando foi para o Heibei Fortune, da China. Retornou à Itália nesta temporada, em agosto, para defender o Parma, recém promovido à Serie A. “Muita gente achou que eu fui para a China para me aposentar e ganhar dinheiro”, afirmou.

“Eles pensaram que eu estava de férias por alguns anos. Eu tive alguns problemas de lesões e é por isso que algumas pessoas começaram a dizer que eu estava acabado. Mas eles estavam muito errados. Toda semana nós tínhamos que dar o nosso melhor. Na China há muitos jogadores estrangeiros agora e isso também motiva os jogadores chineses”, disse ainda Gervinho.

“Eu nunca me deixei abater. Na China, você tem que estar no pico da forma física porque você precisa ir bem. Você ganha muito, eu tinha um salário enorme, mas então você tem que provar que você vale aquilo. Toda partida é um desafio e eu joguei ao lado e contra alguns jogadores realmente muito bons”, contou ainda o atacante.

Gervinho então foi perguntado por que ele decidiu voltar à Itália. “Tudo isso começou com um telefonema do diretor esportivo do Parma, Daniele Faggiano. Nós conversamos e depois de alguns minutos nós já tínhamos uma proposta. Ele foi muito rápido, pragmático, entusiasta. Ele merece muito crédito. Eu me apaixonei pelo projeto imediatamente”, explicou o marfinense.

O investimento, até aqui, tem valido a pena para o Parma. São quatro gols em oito jogos e o atacante tem sido um dos melhores jogadores do clube neste início de Serie A. A equipe está em 11ª colocada depois de 12 partidas disputadas, vindo da Serie B e sabendo que precisa, antes de tudo, garantir a permanência na primeira divisão antes de ter qualquer outro plano.

“Não poderia estar melhor”, afirmou o jogador. “Quando eu disse às pessoas que eu estava indo para o Parma, muitos deles achavam que não era um time bom o bastante para a Serie A. Mas ao invés disso, estamos indo muito bem. Evitar o rebaixamento ainda é o nosso objetivo, mas depois veremos sobre realizar outros sonhos significativos”, analisa Gervinho.

Aos 31 anos, Gervinho conta que não tem qualquer arrependimento na carreira. “Nem mesmo um”, diz. “Você nunca pode esquecer de onde veio. Eu nasci em um pequeno lugar na Costa do Marfim, então ser um protagonista nesta vida é um sonho. Eu comecei a jogar futebol em Abidjan, minha cidade africana, sem ter nem calçados para os pés”, conta o atacante.

“Eu tive sorte de ter uma boa vida, graças à minha paixão. Eu joguei no clube dos meus sonhos, Arsenal. Eu ganhei um título de liga e uma Copa da Liga Francesa. Eu conquistei uma Copa Africana de Nações para as pessoas do meu país e eu me senti um herói. Eu tive grandes campeões como companheiros e eu acho que tenho muitos anos de carreira pela frente. Eu não tenho arrependimentos, eu apenas aproveito cada momento, cada ação, cada chute no gol, porque de repente um dia isso tudo irá acabar e sem futebol a vida é triste”, explica Gervinho.

“Quando eu cresci, eu jogava sem chuteiras. Na Costa do Marfim, é muito difícil ter calçados comuns, imagine só chuteiras, elas são consideradas um verdadeiro luxo. Na escolinha onde eu cresci só havia jogadores descalços como eu e quando eu voltei lá, alguns anos atrás, eu joguei com eles sem chuteiras”, lembra Gervinho.

“Mas naquela escolinha, isso se tornou uma filosofia. Eles dizem às crianças: ‘Você joga sem chuteiras, então você aprende a controlar melhor a bola. Quando você usa chuteira, será muito mais fácil e você se tornará um campeão’. E depois de muitos anos, depois de alcançar alguns objetivos, você finalmente consegue chuteiras. Prazer depois de sofrimento, sempre com um sorriso. Inesquecível”, relembra o marfinense.

Gervinho começou a carreira no Mimosas Abidjan, na própria Costa do Marfim, em 2004, e foi para a Europa defender o Beveren, da Bélgica, em 2005. Jogou por Le Mans, na França, e depois pelo Lille, onde foi campeão francês. Foi para o Arsenal, em 2011, um clube que o jogador guarda com muito carinho no coração.

“O Arsenal é um time que deixou a maior marca em mim, sem dúvida. Eu vivi um sonho. Qualquer criança que começa a jogar não pode deixar de sonhar com um clube como o Arsenal. No dia que eu assinei contrato, eu chorei. Eu lembro como se fosse hoje: foi em 2011, eu disse à minha família e amigos que eu estava pulando de alegria. Foi motivo de muito orgulho ir para um clube como esse. Eu lembro quando eu saí, eu queria agradecer todo mundo, inclusive as pessoas que trabalham no vestiário”, declarou o jogador.

Gervinho jogou com Eden Hazard no Lille, quando os dois foram campeões franceses. Jogou também com Mohamed Salah na Roma. Ele só tem elogios para o belga. “Eu sabia que Eden se tornaria uma estrela global. Ele tem pés, mente, corpo e classe: tudo que você precisa para se tornar um campeão. Salah é um cara durão. Sempre calmo e forte, com a mentalidade de quem trabalha duro. Eu nunca vou esquecer os treinamentos: um ritmo muito alto, forçava como um louco, você o assistia com espanto. Ele tem um certo efeito positivo: você vê Salah e quer trabalhar mais duro. Talento e sacrifício”, descreveu o atacante.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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