Serie A

Gervinho: “A torcida do Parma sofreu muito, ver as pessoas felizes com meus gols é o melhor presente”

Em sua gloriosa trajetória a partir da década de 1990, o Parma contou com alguns dos melhores jogadores do mundo. Uma lista robusta de ídolos que inclui Gianluigi Buffon, Taffarel, Fabio Cannavaro, Gianfranco Zola, Hernán Crespo, Faustino Asprilla, Thomas Brolin, Dino Baggio, Roberto Sensini, Lilian Thuram, Enrico Chiesa, Juan Sebastián Verón, entre outros. As dificuldades financeiras a partir da virada do século diminuíram o patamar dos craques que passaram por lá, apesar de alguns novos jogadores históricos. Já o recomeço na Serie A, depois da última falência e dos três acessos consecutivos, tem em Gervinho o seu norte. Está degraus abaixo das lendas antepassadas, mas vai honrando os gialloblù neste novo momento, com grandes atuações.

O objetivo do Parma nesta temporada é a manutenção na primeira divisão, após tantas mudanças impactantes nas últimas temporadas. No entanto, o início na Serie A vem sendo bastante positivo, com sete pontos conquistados em cinco rodadas e a posição inicial próxima da zona de classificação às copas europeias. Titular nos últimos três jogos, Gervinho vai sendo instrumental nessa arrancada, com dois gols anotados. E falou sobre a maneira como todo o ambiente no Estádio Ennio Tardini serve de motivação.

“Ver as pessoas felizes pelo meu gol é o melhor presente. Fui muito bem recebido no Parma. Ganhei muito carinho da torcida e fiquei comovido com a ovação que eles me deram quando eu saía de campo, na vitória sobre o Cagliari. Os torcedores do Parma sofreram muito antes de retornar à Serie A. Eu escolhi o clube porque eles me fizeram sentir importante”, declarou Gervinho, em entrevista à Gazzetta dello Sport. O marfinense anotou um belo gol no triunfo por 2 a 0 sobre o Cagliari, além de ter feito boas atuações anteriores, sobretudo na apertada derrota para a Juventus.

Falando sobre a carreira, o atacante destacou a importância de Rudi García em seu começo no Lille e na transferência à Roma: “Ir à Europa aos 18 anos para jogar futebol foi bom, mas difícil. Eu ia dormir triste e dizia a mim mesmo que precisava resistir. Não podia me permitir ficar triste, porque o futebol me deu uma oportunidade que os outros não tiveram. Então eu conheci Rudi Garcia. Ele foi como um segundo pai para mim, tudo que eu faço em campo é graças a ele. Conquistar a Ligue 1 com o Lille foi uma explosão, todos nós éramos importantes. Quando Rudi me convidou para jogar na Roma, não pensei duas vezes. Era a chance de atuar com Totti”.

Perguntado sobre a passagem pelo futebol chinês, Gervinho destacou seu claro intuito de fazer o pé de meia no país: “Ganhei muito dinheiro na China, mas não roubei isso, eu conquistei. Futebol é felicidade para mim, mas também um entretenimento e um trabalho. Eu jogo para levar dinheiro à minha casa e dar o sustento que minha família precisa. Eu estava me saindo bem na China, ainda tenho muitos amigos por lá. Foi uma experiência particular, eu aprendi viver com outras tradições e costumes”.

Por fim, falou da relação com o técnico Roberto D’Aversa, após a clara insatisfação por sua substituição no bom jogo que fazia contra a Juventus, e os objetivos do Parma neste momento de reconstrução: “Tenho uma grande relação com D’Aversa. Ele está me dando e pedindo conselhos. Estamos sempre falando sobre tudo. Ele faz todos no elenco se sentirem importantes. Estou bem no Parma e espero trazer o clube de volta a onde merece estar: o topo da Europa. Mas estamos pensando em evitar o rebaixamento como primeiro passo”.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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