ItáliaSerie A

Gattuso conquista o acesso na terceirona italiana: “Vale para mim como a Champions”

A carreira de Gennaro Gattuso como técnico se iniciou com mais destaque pelo folclore do que pelos resultados em si. O volante passou dois meses treinando e jogando pelo Sion. Depois, foi um dos degolados em semanas pelo presidente Maurizio Zamparini no Palermo. E, na Grécia, expôs sua característica paixão à frente do OFI Creta, também sem durar mais do que um semestre. Em 2015, por fim, Rino ganhou outra chance em seu país: dirigiria o tradicional Pisa, na Lega Pro, a terceira divisão do Campeonato Italiano. Encerrou o fim de semana cumprindo o seu objetivo, recolocando os nerazzurri na Serie B após sete anos.

Segundo colocado em seu grupo na Lega Pro, o Pisa precisou conquistar o acesso nos playoffs. Bateu Maceratese e Pordenone, antes de fazer um confronto de tradição diante do Foggia. Na Arena Garibaldi, os nerazzurri bateram os rossoneri por 4 a 2. Vantagem considerável para enfrentar a ensandecida torcida adversária no Estádio Pino Zaccheria. E o empate por 1 a 1 valeu a comemoração dos visitantes.

O jogo decisivo, porém, não terminou sem confusão. Os torcedores da casa atiraram vários objetos em campo e forçaram a paralisação da partida. Uma garrafa atingiu a cabeça de Gattuso, que passou parte do confronto com gelo na cabeça. Na sequência, torcedores ainda tentaram invadir o gramado. Obviamente, o estilo explosivo do treinador também se notou, da fúria diante da confusão à euforia na comemoração.

“Se eu não sofro, não estou bem. Eu não faço este trabalho por dinheiro. Eu quero a paixão, quero trabalhar e melhorar. No futebol, nunca ninguém me deu nada, como jogador ou como técnico”, declarou, na saída de campo. “Este sucesso vale como uma Champions, quase como uma Copa do Mundo. Meu sonho sempre foi conquistar a Champions com a camisa do Milan. Não gosto de tatuagens, mas fiz uma com o dia da conquista em 2003. A próxima data que eu tatuarei será a de hoje. Como jogador, o desejo e a paixão me garantiram grande satisfação. Minha carreira como técnico começa da mesma maneira, mas como uma nova aventura. Seguramente será difícil, mas eu sinto o fogo dentro de mim”.

Além disso, Gattuso também comentou a confusão: “A atitude de alguns jogadores do Foggia foi inaceitável. Eu não sou um santo, joguei por 20 anos e conheço algumas coisas. Não posso condenar os torcedores, porque sei o quanto esta torcida é apaixonada, mas devemos fazer tudo com mais atenção. Eu precisava proteger o meu time, tenho 18 finais nas costas e sei como algumas coisas acontecem”.

Nesta terça, por fim, Gattuso recebeu o carinho de sua torcida em Pisa. Os nerazzurri lotaram a Arena Garibaldi para comemorar o acesso e fizeram várias homenagens ao treinador. Rino, no entanto, ainda não sabe se continua no clube. Negocia com a diretoria a sua permanência e Zdenek Zeman já é especulado na imprensa italiana como seu possível substituto. Se o ex-volante continuar, ao menos a paixão não deverá faltar na volta dos pisanos à Serie B.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo