Serie A

Fugidinha de Edmundo para o Carnaval foi o começo do fim para Batistuta na Fiorentina: “Para mim, foi uma traição”

Gabriel Batistuta marcou época nos anos 1990 defendendo a Fiorentina e, embora tenha tido sucesso também na Roma, que defendeu entre 2000 e 2003, seu impacto nos Giallorossi não chegou perto daquilo que ele representou em Florença. E sua aventura poderia ter sido ainda mais significativa na Viola, mas o infame episódio do Carnaval de 1999 protagonizado por Edmundo, seu então companheiro, foi o começo do fim de sua história no clube. Quem enxerga assim é o próprio Batistuta.

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O argentino falou brevemente sobre isso no documentário El Numero Nueve – Gabriel Omar Batistuta, do Amazon Prime Video. A declaração foi repercutida nesta terça-feira (29) pela Gazzetta dello Sport.

“Acontece que machuquei meu joelho, e um companheiro que jogava como atacante e que teria sido muito importante para nós (Edmundo) decide ir dançar no Carnaval. E isto é permitido pelos gerentes, o que é o mais grave. Para mim, foi uma traição. Fiquei na Fiorentina para lutar, mas esse foi o começo do fim da minha história com a Fiorentina como equipe. No final, fui para a Roma, mesmo que em Florença me sentisse como um rei”, relembrou Batigol.

A Fiorentina vivia em 1998/99 uma temporada especial. Liderada pelo trio formado por Batistuta, Edmundo e o português Rui Costa, a Viola teve um início arrebatador de Serie A, liderando 17 das primeiras 20 rodadas e estava a um ponto da segunda colocada, a Lazio, no início da 21ª jornada.

Edmundo em sua passagem pela Fiorentina (Allsport UK/Allsport/Getty Images/OneFootball)

A equipe de Florença começava ali uma difícil sequência de jogos, contra Milan, Udinese e Roma. O primeiro jogo terminou em um empate sem gols contra os Rossoneri, e Batistuta, o artilheiro do time, se lesionou. Ainda mais dependente de Edmundo por causa da ausência do argentino, a Fiorentina viu o brasileiro deixar o grupo e viajar até o Rio de Janeiro, onde protagonizou cenas no sambódromo, desfilando pela Salgueiro, e nas praias, jogando futevôlei com Renato Gaúcho.

Enquanto isso, a Viola perdia por 1 a 0 para a Udinese. Por fim, na 22ª rodada, contra a Roma, Edmundo já estava de volta, mas o time de Florença empatou mais uma vez sem gols. Na rodada seguinte, outro empate, agora com a Salernitana, basicamente terminou de enterrar as chances de título da equipe, que caíra para a terceira colocação, onde terminaria a temporada.

Naquele Carnaval de 1999, iniciou-se um conflito entre Edmundo e os jogadores da Fiorentina. Como lembra o UOL, em matéria de 2015, os atletas da Viola acusaram o brasileiro de falta de profissionalismo, e a imprensa italiana noticiou que o brasileiro teria se desentendido com Batistuta e Rui Costa, chamando o primeiro de “perdedor” e o segundo de “invejoso”. O português então teria rebatido o companheiro, afirmando estar lutando pelo time enquanto o brasileiro só se preocupava em festejar e ofender.

Depois dessa tumultuada campanha, Batistuta ficou por ainda mais uma temporada na Fiorentina antes de se transferir para a Roma em 2000, onde foi campeão do Scudetto em seu primeiro ano. Edmundo, por sua vez, retornou ao Brasil para defender o Vasco da Gama ainda em 1999, por US$ 15 milhões, a maior transferência paga por um clube brasileiro até então.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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