Serie A

Em meio a um tratamento de leucemia, Mihajlovic emocionou ao dirigir o Bologna na estreia da Serie A

Sinisa Mihajlovic possui uma personalidade forte, que conduz sua carreira desde os tempos de jogador. E a força do veterano se expressou da maneira mais bonita possível neste domingo, quando o Bologna encarou o Verona, na estreia pela Serie A 2019/20. Enfrentando uma leucemia, o treinador rossoblù a princípio não ficaria à beira do campo durante as primeiras partidas da equipe – embora viesse conciliando o tratamento com algumas atribuições à distância. Por isso mesmo, sua presença no comando do time nesta primeira rodada se tornou uma grata surpresa. Também um exemplo, pela maneira como o sérvio segue adiante.

Com a compreensão da diretoria do Bologna, Mihajlovic preferiu não se licenciar da função ou mesmo pedir demissão. O treinador avaliou que o trabalho poderia ajudá-lo a se recuperar, prosseguindo parte da rotina, e contou com a compreensão dos seus superiores. Durante as últimas seis semanas, o sérvio recebeu sessões de quimioterapia. Passou 40 dias internado, como parte fundamental de seu tratamento contra a leucemia. Ao longo do período, o técnico manteve contato com o elenco e com a comissão técnica através de transmissões de vídeo. Porém, recebeu alta para ficar no banco de reservas do Estádio Marcantonio Bentegodi.

A mera presença de Mihajlovic em Verona já era uma grande novidade, quando se esperava que ele desse suas orientações à distância. Visivelmente mais magro e usando um boné após perder os cabelos, o técnico de 50 anos permaneceu ao lado do campo para dar as orientações e nem mesmo as limitações físicas impediram que mantivesse seu estilo expansivo. O Bologna voltou para casa com um ponto, após o empate por 1 a 1. Nicola Sansone abriu o placar para os rossoblù, enquanto Miguel Veloso garantiu a igualdade ao Verona.

Até mesmo os jogadores foram surpreendidos por Mihajlovic. Titular neste domingo, o ponta Riccardo Orsolini falou sobre a sensação: “Ele falou conosco por vídeo durante a semana e disse que não estava 100%. Declarou que gostaria de estar aqui, mas achávamos que não conseguiria. Ficamos muito felizes pela surpresa e vimos isso como um impulso extra. Lamentamos que a vitória não tenha vindo. Tenho uma relação especial com Sinisa, ele colocou muita fé em mim e me fez sentir um jogador importante. Sentimos falta dele nos vestiários, obviamente tem uma grande presença. Sinisa perdeu um pouco de peso, mas a coragem, a determinação e a paixão continuam iguais”.

A aparição de Mihajlovic também é vista como um sinal positivo de seu tratamento. Se os médicos deram sinal verde para a viagem até Verona, quer dizer que sua melhora é progressiva. Ainda assim, se faz necessário aguardar e manter a cautela. O veterano deve passar por um segundo tratamento e também por mais um período de internação. De fato, não estará em todas as rodadas da Serie A durante este início de campanha.

“Na sexta-feira, Sinisa deu mais sinais de melhora, então eu disse que ele poderia se organizar, pois daria minha resposta na véspera do jogo. Ele já mostrou na quinta-feira uma grande determinação e o desejo de ir ao estádio. Preciso dizer que Sinisa se provou um paciente exemplar. Ele fez tudo o que dissemos a ele, nunca ignorou qualquer conselho ou sugestão”, explicou Michele Cavo, médico responsável pelo tratamento de Mihajlovic, em entrevista à agência Ansa.

Por conta da imunidade baixa, o técnico precisou usar uma máscara durante os deslocamentos a Verona e dentro do estádio. Entretanto, como há mais circulação de ar à beira do campo, o médico permitiu que tirasse a proteção ao longo da partida. “O que aconteceu ontem pode não ser um episódio isolado. Dito isso, algumas vezes Sinisa precisará se ater ao cronograma do tratamento e não poderá estar presente”, concluiu Cavo. Nada que atrapalhe a imagem imensa deixada por Mihajlovic neste domingo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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