ItáliaSerie A

E ninguém viu?

Boruc; Rômulo, Felipe, Natali, De Silvestri; Olivera, Bolatti, Lazzari; Marchionni, 'El Tanque' Silva e Nsereko. Um time como esse lutaria contra o rebaixamento no Campeonato Italiano e dificilmente conseguiria se salvar. Quando se nota que tal punhado de atletas custou 43,3 milhões de euros aos cofres de uma equipe, a atual situação da Fiorentina, 17ª colocada na Serie A, fica mais fácil de se explicar. Todos os 11 titulares aí foram contratados nos últimos três anos. E boa parte do erro deve ser creditado a Pantaleo Corvino, até pouco tempo atrás considerado um dos melhores diretores esportivos da Europa.

Por muito tempo, Corvino poderia palestrar contando como, gastando bem, tirou a Fiorentina da luta contra o rebaixamento e recolocou o time entre os grandes da Itália. O diretor assumiu em 2005 e foi essencial para que os viola se classificassem duas vezes seguidas para a Liga dos Campeões. Habilidoso nas negociações, venceu importantes duelos de mercado para conseguir contratar gente como Frey, Toni, Mutu, Gilardino, Vargas, Vieri e Montolivo. O problema é que o reinado de Corvino acabou e ninguém teve coragem de encerrá-lo. Na semana passada, anunciou-se que a ligação entre clube e diretor se encerrará no fim de junho. Talvez seja tarde demais.

O bom trabalho de Corvino parece ter durado só enquanto reinou a paz sob a batuta do treinador Cesare Prandelli. Na última temporada do atual comandante da seleção italiana, em 2009-10, a Fiorentina já se mostrava desgastada. Desde então, degringolou. Muitos torcedores reclamam de um suposto abandono da família Della Valle, proprietária do clube. Fato é que o dinheiro não sumiu, só foi mal investido. Culpa de um Corvino que parece ter perdido o tesão pelo trabalho. De outubro a março, ele sequer entrou nos vestiários do time, que desde então passa por uma bela crise.

O risco de um retorno amargo à segunda divisão é mais sério do que se pensa. Primeiro time acima da zona de rebaixamento, a Fiorentina está cinco pontos acima do Lecce, a oito rodadas do fim. Pode parecer tranquilo, mas a tabela não é lá muito convidativa. Nas próximas semanas, o time, em queda livre, vai ter que receber Milan (fora), Palermo (casa), Roma (fora) e Inter (casa). O Lecce x Fiorentina da penúltima rodada, quem diria, pode ganhar contornos surpreendentes. O Lecce só perdeu dois dos últimos dez jogos. No mesmo período, a Fiorentina conseguiu seis derrotas.

O pior para a Fiorentina é sequer poder jogar a culpa em uma possível maré de azar. O único atleta do time que perdeu mais de dez jogos lesionado foi o lateral direito Cassani – sem contar o zagueiro Kroldrup, que nem chegou a entrar em campo. Ou seja, o time é ruim mesmo. Depois de Cassani, quem mais se machucou foi Jovetic, que perdeu sete rodadas do Campeonato Italiano. Com JoJo em campo, a Fiorentina teve aproveitamento de 43,5% dos pontos. Sem ele, o índice parou em absurdos 14,3%. Ou seja, o time é muito, mas muito ruim.

E boa parte da culpa do time ser tão fraco é de quem controla as ações do mercado do clube. Basta olhar o supertime de contratados citado na primeira frase deste texto. Com o passar dos anos, a Fiorentina começou a se redimensionar. Em 2009-10, substituiu Felipe Melo, Semioli e Dainelli por Bolatti, Marchionni e Felipe. Em 2010-11, recusou várias propostas para tentar manter os titulares e acabou desmotivando o time para a atual temporada.

Resultado? A equipe não ganhou um só tostão com as saídas de Santana, Mutu e Comotto, em fim de contrato; Gilardino e Frey acabaram negociados por preços mais baixos do que o esperado; e Montolivo seguirá para o Milan, de graça, ao fim da temporada. Enquanto isso, em vez de corrigir os terríveis erros cometidos nas janelas de mercado passadas, Corvino preferiu apostar em gente como Amauri (10 jogos, 0 gols), Olivera (4 jogos, 4 derrotas e 1 expulsão) e Rômulo (que custou 2,5 milhões de euros e só fez uma partida inteira). Evitar o rebaixamento na atual temporada já seria uma grande vitória.

Pallonetto

– Andrea Masiello, ex-zagueiro do Bari, confessou ter recebido 50 mil euros para fazer um gol contra no dérbi contra o Lecce, na temporada passada. É o maior baque até agora no novo escândalo de apostas italiano. O jogador tinha salário mensal de 46 mil euros.

– Além de Masiello, estão sendo investigados outros vários jogadores do Bari: Portanova (hoje no Bologna), Parisi (Torino), Bentivoglio (Chievo), Rossi (Cesena), Ghezzal (Levante) e Belmonte (Siena). O time alvirrubro foi rebaixado, na temporada passada.

– A luta pelo título esquentou, depois do tropeço do Milan em Catânia e a goleada da Juventus sobre o Napoli. Agora, os rubro-negros estão apenas dois pontos acima na tabela.

– A disputa por uma vaga na Liga dos Campeões também está interessante. Lazio, Napoli e Udinese voltaram a tropeçar na mesma rodada. Bom para a Roma, que diminuiu para quatro pontos a distância para a Europa que conta.

– A Inter também venceu. Mesmo com três pênaltis marcados contra, ganhou do Genoa por 5 x 4 na estreia do jovem técnico Andrea Stramaccioni. Quem sabe o time se recoloque na luta por uma vaga na Liga dos Campeões, se mantiver a animação?

– Seleção Trivela da 30ª rodada: Carrizo (Catania); Bonucci (Juventus), Barzagli (Juventus), Spolli (Catania); Marquinho (Roma), Ilicic (Palermo), Vidal (Juventus); Milito (Inter), Osvaldo (Roma), Floccari (Parma) e Destro (Siena).

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo