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Donnarumma foi um monstro, mas o pênalti no último lance determinou a vitória da Juve

Na meta rossonera, uma semana parece significar um ano. A cada rodada, Gianluigi Donnarumma se mostra mais e mais maduro. Os 18 anos recém-completados não dizem muito sobre o goleiro que já se acostumou a fechar o gol do Milan. Que, para muitos, já é o melhor goleiro da temporada na Serie A, mesmo com outro excelentes concorrentes em sua posição. Nesta sexta, o camisa 99 se encontrou com o maior deles. Com o camisa 1 que também virou amigo, tutor, incentivador. E que, para qualquer um que joga sob as traves, sempre será exemplo. Desafio grande contra a Juventus de Buffon, em Turim. Mas Donnarumma foi um gigante. Pegou quase tudo durante os 90 minutos, em bombardeio da Velha Senhora. Ainda que, no fim, uma decisão discutível da arbitragem tenha impedido o garoto de sair totalmente como herói. Outro jovem que vem voando, Paulo Dybala, converteu o pênalti que deu o triunfo por 2 a 1 aos bianconeri, cada vez mais próximos do título da Serie A.

Sem alguns titulares, a Juve entrou em campo com novidades, em especial nas pontas. Daniel Alves e Marko Pjaca fizeram a função. Não foram as ausências, porém, que impediram os anfitriões de pressionarem desde os primeiros minutos. E de esbarrarem em um paredão. Aos 3, na primeira tentativa, também a primeira grande defesa de Donnarumma. Não seria fácil vencer o arqueiro. Combinando segurança e ótimo tempo de reação, o milanista ia brecando as tentativas dos bianconeri. E compensava a falta de proteção de seus companheiros, com o meio de campo oferecendo pouca resistência à imposição do time da casa.

Foram três boas intervenções de Donnarumma até que, finalmente, o zero saísse do placar, aos 29 minutos. Outra vez a Juventus pôde trabalhar a bola com liberdade. Daniel Alves cruzou e a zaga do Milan não acompanhou Mehdi Benatia, se aventurando no ataque. Bola nas redes. Do outro lado, o ataque rossonero era débil. Pouco aparecia e tentava forçar demais as jogadas. No entanto, um contragolpe bastou, justo no primeiro arremate do time, só aos 42. Gerard Deulofeu arrancou e deu bom passe para Carlos Bacca, que se antecipou à zaga e bateu por baixo de Buffon para deixar tudo igual.

A Juventus voltou do intervalo sufocando ainda mais, com Dybala endiabrado. E parando na noite brilhante de Donnarumma. Foram mais três defesaças antes dos 15 minutos, com direito a uma pitada de sorte, quando desviou o chute cruzado de Pjaca rumo ao travessão. Somente com o passar dos minutos é que o Milan deixou de ser tão passivo, tentando explorar os contra-ataques. Com mais liberdade, Ocampos e Deulofeu incomodavam e Sosa até exigiu uma boa intervenção de Buffon. Lampejo para relembrar que ele ainda estava lá, quando todos os holofotes iam para seu companheiro de seleção italiana.

Talvez o maior milagre de Donnarumma tenha acontecido aos 28, em defesa dupla, negando o segundo gol a Khedira e a Higuaín. A Juventus não desistia da vitória. E a intensidade do jogo aumentou nos acréscimos. Sosa recebeu o segundo cartão amarelo, indo para o chuveiro mais cedo. O arqueiro milanista operou mais dois milagres. Higuaín quase fez de voleio. Até o lance que, enfim, definiria o clássico. Aos 49, o árbitro assinalou um toque de mão na área do Milan, em bola que bateu no braço de Mattia De Sciglio. Pênalti discutível, ainda que atenda a orientação da Fifa. Após alguns minutos de confusão, Paulo Dybala foi para a marca da cal. Donnarumma acertou o canto, mas não conseguiu parar a excelente cobrança do argentino, definindo o placar no último lance.

Ficou, por fim, a imagem da reação do jovem goleiro com o tento sofrido. Permaneceu caído no gramado, com as mãos no rosto, sabendo que a atuação excepcional terminou de uma maneira infeliz. Saiu de campo beijando o escudo do Milan diante da torcida da casa, além de reclamar do desfecho da maneira mais escancarada possível. Vitória para a Juventus, de fato superior, que agora chega aos 70 pontos e se concentra no reencontro com o Porto no meio de semana, pela Liga dos Campeões. Já o Milan, em recuperação após o mês de janeiro ruim, continua em sétimo, a sete pontos da zona de classificação à Champions.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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