Serie A

Diretor do Cagliari pede João Pedro na seleção italiana: “Não entendo o porquê de não levá-lo em consideração”

João Pedro declarou meses atrás à Calciopédia que não cogitava a seleção italiana, mas seu nome ganha lobby no país

João Pedro se estabeleceu como um atacante de relevo na Serie A durante as últimas temporadas. O brasileiro é o grande protagonista do Cagliari, mesmo que os sardos se limitem a brigar na parte inferior da tabela. Não é isso, porém, que reduz a notoriedade conquistada pelo camisa 10 por seus frequentes gols e assistências. E se a seleção brasileira não aparece tanto no horizonte do mineiro, defender a Itália seria uma possibilidade – se juntando à legião que também reúne Jorginho, Emerson Palmieri e Rafael Tolói. É esse o clamor do diretor esportivo do Cagliari, Stefano Capozucca, por mais que o capitão rossoblù já tenha afastado a possibilidade há alguns meses.

Capozucca afirmou: “Falava hoje com nosso capitão João Pedro, a ambição de cada jogador é fazer o melhor pelo clube. Eu disse: ‘Jo, seu objetivo é salvar o Cagliari e ir à seleção, disputar o Mundial’. Talvez com a Itália, porque ele tem cidadania italiana. Como os atacantes estão em falta na seleção italiana, não entendo o porquê de não levá-lo em consideração. Também falei com uma pessoa importante, João Pedro é italiano e também pode jogar pela Itália”.

João Pedro chegou à Itália em 2010, aos 18 anos, depois de surgir como promessa no Atlético Mineiro. O então meio-campista não se firmou com os rosaneri e depois rodou por diferentes clubes – Vitória de Guimarães, Peñarol, Santos, Estoril. Sua chegada ao Cagliari aconteceu em 2014/15 e, depois de auxiliar no acesso durante a temporada seguinte, virou uma referência técnica ao ser deslocado para o ataque. São 65 gols e 18 assistências em 193 partidas pela Serie A, totalizando 41 tentos desde 2019/20.

João Pedro possui cidadania italiana desde 2017 e poderia defender a Itália se assim quisesse. Ele permanece livre para escolher outra seleção, já que nunca atuou pela equipe principal do Brasil. Sua única passagem com a camisa amarela aconteceu na base, quando disputou inclusive o Mundial Sub-17 em 2011. Era o camisa 7 de uma equipe que reunia Neymar, Philippe Coutinho e Casemiro entre seus principais destaques. No entanto, os brasileiros foram eliminados ainda na fase de grupos.

Há sete meses, porém, João Pedro deixava claro que não pensava na seleção italiana. Em entrevista para a Calciopédia, o camisa 10 foi enfático: “Eu tenho a cidadania italiana, mas nunca pensei em atuar pela seleção italiana. Eu particularmente não conseguiria. Primeiro porque eu sou brasileiro. Ponto. Eu respeito e amo a Itália. Tenho uma ligação muito forte, já que minha esposa é italiana, meus dois filhos nasceram aqui, tenho história na Itália, mas jogar na seleção italiana nunca pensei. E não é porque não quero, mas acho que não mereço”.

“Eu comparo com ir para a guerra: se tiver que ir, eu vou pelo Brasil porque eu sou brasileiro e morro pelo meu país. Fiz mais de 50 jogos pelas seleções brasileiras de base, sei o quanto é diferente quando você veste aquela camisa, é indescritível. Prefiro não ir nunca mais para a Seleção, o que pode acontecer, do que ir para a seleção italiana, por mais que eu tenha a cidadania”, complementou.

Naquele momento, João Pedro colocava a seleção brasileira ainda como um objetivo: “Lógico que o sonho sempre vai ter porque o futebol é muito rápido. Um dia você está lá em cima e no outro lá embaixo e vice-versa. A minha vontade de ir [para a Seleção] nunca mudou. Lógico que antes eu tinha consciência de que tinha uma eternidade de distância, agora, talvez, a distância seja menor, mas continua sendo muito difícil. Estamos falando de atacantes que tiveram oportunidades nos clubes e na Seleção”.

João Pedro soma sete gols em 12 partidas pela Serie A 2021/22 – na quarta posição da artilharia, atrás de Ciro Immobile (dez gols), Giovanni Simeone (nove) e Dusan Vlahovic (oito). Apesar do alto rendimento do mineiro, porém, o Cagliari ocupa a última posição e soma apenas seis pontos, a três de sair da zona de rebaixamento.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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