Serie A

Di María é uma aquisição condizente a uma Juventus que deseja ser vencedora novamente

Aos 34 anos, Di María assina com a Juventus sem custos e terá sua primeira experiência no futebol italiano

Ángel Di María pertence a uma categoria seletíssima de jogadores que não precisam provar mais nada a ninguém. É verdade que a carreira do ponta não é feita apenas de sucessos, e o Manchester United aponta isso em seu currículo. Porém, a história do Fideo no futebol é muito grande. Decolou no Rosario Central e no Benfica, conquistou os maiores títulos como um grande garçom do Real Madrid, gravou seu nome no Paris Saint-Germain. Aos 34 anos, permanece como um dos mais decisivos craques da Argentina. E manterá a forma, às vésperas de sua quarta Copa do Mundo, na Juventus. A mudança para a Velha Senhora estava engatilhada nas últimas semanas e se confirma nesta sexta, com contrato de uma temporada.

As condições do negócio são excelentes para a Juventus. Di María estava em final de contrato com o PSG e deixou o clube sem custos. Além disso, os bianconeri ganham a segurança de assinar por apenas uma temporada, caso o veterano não se aclimate em sua primeira experiência na Serie A – ou deseje viver seu último capítulo no Rosario Central. Entretanto, parece muito difícil que o argentino naufrague em Turim. É um talento a mais para o elenco que se encorpa e com um histórico vitorioso que pesa a seu favor. Pode também se gravar como um personagem bastante querido.

Mesmo deixando de ser tão frequente entre os titulares do PSG, Di María permanecia como um dos jogadores mais criativos do elenco. Sua capacidade na armação não se nega, bem como a repetida forma como brilha em momentos decisivos. Que os números registrassem um leve declínio, não parecia nada suficiente para se desacreditar em seu futebol. Não à toa, seguiu com mercado entre os maiores clubes da Europa e se soma à Juventus como uma resposta no time que deseja voltar a ser campeão. Fideo sabe o caminho do ouro.

Ao longo de sua carreira, Di María conquistou títulos nacionais em Portugal, na França e na Espanha. Também contribuiria bastante à Champions que encerrou o jejum do Real Madrid em 2013/14. Isso sem contar a Copa América, as Olimpíadas e o Mundial Sub-20 sempre como herói da Argentina. Que o ponta não tenha vingado no Manchester United, isso corresponde também aos problemas internos em Old Trafford. Existem poucos motivos para acreditar que ele não dará certo no Allianz Stadium a partir de agora.

Di María, afinal, tem um grande objetivo paralelo para se manter em forma. O meia pretende atuar em alto nível para chegar na ponta dos cascos durante a Copa do Mundo. Sua rotação na seleção se tornou maior nos últimos meses, por vezes pintando só no segundo tempo. Ainda assim, os melhores momentos da Albiceleste quase sempre tiveram o Fideo como protagonista. Foi o que aconteceu na reta final das Eliminatórias, bem como na recente Finalíssima diante da Itália. Aquela partidaça do camisa 11 em Wembley provavelmente influenciou a decisão da Juventus, sobretudo quando o clube só precisaria bancar salários.

O encaixe de Di María na Juventus não tende a ser uma questão, caso Massimiliano Allegri resolva continuar atuando com alguém aberto na ponta – como foi em grande parte da temporada passada. Apenas no 3-5-2 é que o argentino precisaria aparecer um pouco mais por dentro, o que também não seria uma novidade, até pensando na forma como jogou em momentos importantes da carreira – como a final da Champions de 2014. Fato é que o ganho se torna inegável, até pensando que ocupa a lacuna de Federico Bernardeschi. Será pelo menos uma alternativa competentíssima em meio ao retorno de Federico Chiesa, com chances de formar uma parceria ótima com Juan Guillermo Cuadrado. Dusan Vlahovic será muito bem servido pelos cruzamentos do camisa 22.

Num mercado de transferências em que a Juventus se despediu de muitos jogadores importantes, sobretudo Paulo Dybala e Giorgio Chiellini, as chegadas estão um pouco mais lentas. Entretanto, Di María deve abrir uma janela decisiva para os bianconeri, também com o iminente anúncio de Paul Pogba. Depois da temporada passada, ficou claro como a Velha Senhora precisa de mais qualidade. É exatamente isso que o argentino traz, em conjunto com sua experiência e com sua história vencedora.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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