A Internazionale foi fundada em 9 de março de 1908. Surgiu de uma desavença com o Milan Crickt and Football Club, que depois se tornaria apenas Milan. Fundado para ser o time dos irmãos do mundo, tornou-se comum a partir dos anos 1990 a Inter colocar em campo um time com mais estrangeiros que italianos. Neste sábado, na vitória por 3 a 1 sobre a Udinese no estádio Giuseppe Meazza, foi a primeira vez que uma partida da Serie A começou sem nenhum italiano entre os 22 titulares.
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O Liverpool chegou a disputar uma partida de Copa da Inglaterra sem ingleses em 1986, mas o time tinha diversos britânicos, o que não configurava propriamente estrangeiros segundo a regra da época. Em 1995, a regra de ter no máximo três estrangeiros por time, abolida depois do caso Bosman, passou a permitir que um time tivesse, de fato, uma escalação inteira de estrangeiros.
O primeiro time a colocar uma escalação com 11 estrangeiros foi o Chelsea, em 26 de dezembro de 1999, em confronto com o Southampton, no famoso Boxing Day. O técnico era Gianluca Vialli, italiano. A escalação do time naquele dia foi: Ed De Goey (holandês), Albert Ferrer (espanhol), Celestine Babayaro (nigeriano), Emerson Thome (australiano), Frank Leboeuf (francês), Dan Petrescu (romeno), Gus Poyet (uruguaio), Didier Deschamps (francês), Roberto Di Matteo (italiano), Tore Andre Flo (norueguês) e Gabriele Ambrosetti (italiano).
A primeira vez que a Internazionale escalou um time titular inteiro só com estrangeiros foi na temporada 2007/08. O time-base daquela temporada era inteiramente estrangeiro: Júlio César (brasileiro), Maicon (brasileiro), Ivan Cordoba (colombiano), Christian Chivu (romeno), Maxwell (Brasileiro), Javier Zanetti (argentino), Dejan Stankovic (sérvio), Esteban Cambiasso (argentino), César (brasileiro), Zlatan Ibrahimovic (sueco) e Julio Cruz (argentino). Sem italianos.
Em 2010, na final da Champions League, a Inter entrou em campo com 11 estrangeiros. Até o técnico era estrangeiro – José Mourinho, português. Havia italianos apenas no banco: o goleiro Francesco Toldo, o zagueiro Marco Materazzi e o atacante Mario Balotelli. O zagueiro até entrou no final do jogo, mas a escalação titular raramente tinha um italiano entre os 11.
Por tudo isso, não é novidade que neste dia 23 de abril de 2016 a Inter tenha escalado o time com 11 estrangeiros. Nem em outros times isso é mais tão incomum. O que era inédito até então no Campeonato Italiano era ter os dois times sem um italiano sequer entre os titulares. Os 22 jogadores que entraram em campo por Inter e Udinese eram estrangeiros disputando uma partida de Serie A.
#OJOALDATO – Inter-Udinese es el PRIMER partido en TODA la historia de la Serie A en el que ninguno de los 22 titulares es italiano.
— MisterChip (Alexis) (@2010MisterChip) 23 de abril de 2016
Isso é possível porque há uma regra apenas sobre jogadores comunitários (com passaporte de países da União Europeia) e extra-comunitários. A maioria dos estrangeiros consegue ter passaporte comunitário, ou por serem europeus, ou por ter algum tipo de ascendência europeia e, portanto, terem passaporte comunitário.
O problema é que times inteiramente estrangeiros tiram, sim, espaço de jogadores locais. E este é um aspecto sempre muito discutido quando se fala da falta de renovação das grandes seleções europeias, que justamente possuem as ligas mais fortes e mais ricas do mundo.
A Itália certamente sofre com isso, mas o problema não seria resolvido com uma limitação de estrangeiros para voltarmos à situação de antes de 1995. Há uma questão de gestão da liga e, especialmente, dos clubes, que formam menos jogadores. Em um mundo de empresários que recebem comissões, às vezes para trazer o jogador desejado pelo técnico é preciso contratar outros dois ou três que o empresário precisa fazer rodar. Um problema que também vemos aqui no Brasil, embora sem a questão das nacionalidades.
O fato é que a Itália viu, pela primeira vez na história, uma partida da sua principal liga de futebol ser iniciada sem nenhum italiano entre os titulares dos dois times. A Inter venceu a Udinese por 3 a 1, mas curiosamente tivemos um gol de italiano. Depois de ver os visitantes abrirem o placar com o francês Théréau, a Inter empatou e virou com gols de Stevan Jovetic e fechou o placar com Éder, o brasileiro naturalizado italiano, já no fim do jogo. Talvez por uma ironia do destino, o primeiro jogo sem titulares italiano da história da Serie A terminou com um gol de italiano. Naturalizado.



