Antes de a temporada começar, muito se falou sobre um possível redimensionamento, mesmo que temporário, do Milan. O clube sofreria para se adaptar a uma nova realidade, sem os melhores jogadores (Thiago Silva e Ibrahimovic) e várias lideranças importantes do vestiário (Gattuso, Nesta, Seedorf e Inzaghi). A equipe entrou no campeonato com problemas estrutuarais em todos os setores no meio-campo, do gol ao ataque. Não poderia dar certo.
Mesmo enfrentando três rivais abordáveis nas primeiras rodadas, os rubro-negros fazem a pior campanha dos últimos 15 anos (três pontos em nove) e repetem a vexatória marca de 1920, quando começaram com duas derrotas consecutivas em casa. A torcida, obviamente, passou a procurar culpados. O primeiro deles, a diretoria, está identificado desde a venda de Thiago Silva e Ibrahimovic ao Paris Saint-Germain. Os demais foram encontrados depois da derrota da equipe neste domingo, para a Atalanta.
Jogadores e técnico deixaram o campo vaiados, mostrando o tão claro quanto justo descontentamento dos apoiadores do Milan. Contra a Atalanta, repetiu-se o problema visto nas duas rodadas anteriores do campeonato: derrota para a Sampdoria e vitória sobre o Bologna. O time segura a bola, mas finaliza geralmente sem perigo, quase sempre de fora da área.
O controle inútil do jogo tem sido comum aos jogos do Milan. A equipe conseguiu uma média de 61% de tempo de posse de bola nas três primeiras rodadas e boa parte disso se deve à linha de volantes, ainda mais combativa com a presença do holandês De Jong. O problema é que os três homens do meio-campo têm demonstrado pouca qualidade na distribuição de jogo. Com tanta posse inefetiva, praticamente todas as oportunidades de gol surgem de lances individuais. Na vitória contra o Bologna, Pazzini decidiu sozinho. Na derrota para a Atalanta, só mesmo El Shaarawy ou Boateng tentaram algo — e este último, aliás, merece considerações à parte.
Para o comentarista Adriano Bacconi, melhor analista tático do futebol italiano, Boateng deveria ser aproveitado de forma diferente. Atuando na ligação do 4-3-1-2 milanista desde que desembarcou na Itália, o ganense acabou sobrecarregado nas últimas partidas e, segundo Bacconi, poderia ter melhor aproveitamento caso atuasse deslocado à direita. A mudança diminuiria o excesso de ataques do Milan pelo centro do campo e daria liberdade para o novo camisa 10 rubro-negro, algo fundamental no período difícil pelo qual passa a equipe.
Um possível 4-3-3 ou até mesmo um 4-2-3-1 poderiam aproveitar mais a qualidade do elenco à disposição de Allegri, pela qualidade dos jogadores, mas é complicado esperar que o treinador realize alguma mudança tática estrutural. Desde março do ano passado, quando precisava vencer o Tottenham para continuar na Liga dos Campeões e o comandante escolheu um 4-3-3, a equipe voltou ao 4-3-1-2 e nunca mais saiu dele. A escolha fracassou, mas a coragem tem de voltar. Mudar é preciso e Allegri precisa disso para seguir no clube.
Pallonetto
– Seleção Trivela da 3ª rodada: Agazzi (Cagliari); Basta (Udinese), Roncaglia (Fiorentina), Lucchini (Atalanta) e Juan (Inter); Hernanes (Lazio) e Hamsík (Napoli); Jovetic (Fiorentina), Pandev (Napoli) e Vucinic (Juventus); Gilardino (Bologna). Treinador: Pioli (Bologna).
– Após três rodadas da Série A, quatro equipes mantém 100% de aproveitamento: Juventus, Napoli, Lazio e Sampdoria. A ótima campanha da Velha Senhora era previsível e não se esperava algo muito diferente dos napolitanos.
– Sem fazer alarde na pré-temporada, a Lazio supera as expectativas. A equipe conquistou três vitórias convincentes, a última delas em Verona, contra o Chievo. Se o instinto matador de Klose na grande área não mudou em relação ao ano passado, a novidade é Hernanes, que neste início de Série A mostra seu melhor futebol desde que chegou à Itália.
– Maior surpresa do início do campeonato, a Sampdoria tem um meio-campo acima da média italiana, com Obiang, Poli e Maresca, e conta com os gols de Maxi López. A luta contra o rebaixamento deve ser mais fácil do que o previsto, mas vale lembrar que Ciro Ferrara também começou muito bem na Juventus e depois degringolou.
– Some Roma e Zdenek Zeman e o resultado será uma partida emocionante. O time da capital abriu 2 a 0 sobre o Bologna, no último domingo, e deu show no primeiro tempo. Desligado depois do intervalo, conseguiu levar uma inacreditável virada e perdeu por 3 a 2. O paraguaio Piris, lateral reserva nos tempos de São Paulo, falhou duas vezes.
– Durou apenas três jogos a aventura de Giuseppe Sannino no comando do Palermo. O treinador acabou demitido pelo presidente Maurizio Zamparini, reconhecido pela impaciência. Gian Piero Gasperini, que no ano passado foi mandado embora da Inter depois de cinco jogos, o substitui.
– O lateral Zambrotta, sem clube desde o fim do contrato com o Milan, se ofereceu ao Botafogo e acabou recusado. Outros dois campeões mundiais em 2006 se negam a encerrar a carreira, mesmo no desemprego: o também lateral Grosso e o meia Barone.



