Serie A

Buffon abriu mão da diversão por 15 anos, mas agora se permite viver o futebol de outro jeito: “Revivendo minha juventude”

Quando Gianluigi Buffon fala, nós escutamos. Não só pelo status de lenda que alcançou, mas também pela facilidade com que utiliza as palavras para se expressar e dar um sentido quase poético ao seu ofício de goleiro profissional. Em uma entrevista que fazia parte de uma ação publicitária, o arqueiro – que acaba de renovar por mais um ano com a Juventus, o que o fará jogar pelo menos até os 43 anos de idade – explica como é que consegue manter a motivação para seguir em frente mesmo depois de 25 anos de carreira.

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“Ainda tenho aquela chama queimando dentro de mim. Continuo jogando porque me sinto bem e competitivo. Além disso, eu sempre quero melhorar”, afirmou Buffon, cujo vínculo com a Juve agora vai até o fim da temporada 2020/21.

A mentalidade de Buffon desde que se tornou goleiro profissional, lá no Parma, em 1995, ilustra seu espírito competitivo e explica o motor que faz com que ele siga se entregando ao esporte que tanto lhe deu. “No momento em que me tornei o camisa número um, essa paixão se transformou em trabalho, em uma obrigação de não sair mal na foto e de sempre permanecer no topo.”

“Durante 15 anos, deixei a diversão de lado. Agora, como um ‘velhinho’, é como se eu estivesse revivendo minha juventude. Esse é o meu segredo para como eu continuo seguindo em frente”, completou, indicando que enfim se deixou relaxar um pouco, recostando na cadeira e apreciando a vista.

O perfeccionismo, no entanto, já cobrou muito do goleiro italiano, que mesmo hoje não se desgarra do alto nível de exigência. Com 18 anos acumulados vestindo a camisa da Juventus, que se firmou como o maior clube da Itália sobretudo na última década, é fácil entender de onde vem tamanha cobrança sobre si mesmo. Seu currículo pela Itália, que inclui um título de Copa do Mundo em 2006, também ajudou a forjar uma figura que pouco repousa sobre os louros, dando mais atenção às derrotas.

“Nos últimos 12 anos da minha carreira, curti pouco as vitórias e pensei muito nas derrotas. Quando você está acostumado a vencer, parece normal. Neste sentido, as vitórias têm um impacto pequeno em você, mas a frustração de perder continua. Preciso ficar em paz com isso, caso contrário corro o risco de nunca me aposentar.”

Não seria mau negócio para o futebol, essa última ideia. Infelizmente, mesmo os melhores precisam parar, por mais que Buffon siga desafiando isso. Amigos e ex-companheiros de Juventus e seleção italiana, Cannavaro e Totti já afirmaram que, se deixarem, ele vai até os 50 anos de idade. “Ele não vai querer parar, mas vão fazê-lo parar, o que é diferente”, brincou o ex-zagueiro.

Quando este dia chegar, que ao menos Buffon siga emprestando suas considerações para a crônica esportiva, traduzindo como poucos o que se vê nos gramados.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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