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Brio da Inter, brilho de Ibra: a repercussão do eletrizante Derby della Madoninna

Se, por um lado, a tabela apontava um clássico desequilibrado, em campo o Derby della Madoninna foi um campeonato em si só. Um em que Internazionale e Milan estiveram muito mais próximos do que os agora 22 pontos de distância na Serie A sugerem. No rescaldo da eletrizante virada por 4 a 2 dos Nerazzurri sobre os Bianconeri, duas histórias se sobressaíram: o brio demonstrado pela Inter e o brilho do veterano Zlatan Ibrahimovic pelo Milan.

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Nas entrevistas pós-jogo, uma narrativa principal dominou as palavras das figuras da Internazionale: o espírito da líder do Campeonato Italiano. Uma noite especial, como bem definiu Antonio Conte.

Perdendo por 2 a 0 no intervalo, o técnico da Inter assumiu a responsabilidade pela derrota parcial e avaliou o primeiro tempo contra o Milan como o período mais difícil enfrentado por sua equipe na temporada, acrescentando ainda que havia o risco de os rivais lhes aplicarem uma “surra”. A resposta, no entanto, foi tudo o que ele poderia esperar de seus comandados.

“Em vez disso (da surra), fomos bem ao recuperar o equilíbrio, entender em que precisávamos melhorar, ter fé no que estávamos fazendo, e o crédito vai para os rapazes. Além do resultado, estou feliz de vê-los resistir às pancadas e dar a volta por cima. Isso significa que eles estão se preparando para algo verdadeiramente grande.”

Para Conte, o caminho até a virada no clássico do domingo servirá de norte para o restante da temporada, quando a equipe se encontrar em situações difíceis como a vivida na última noite em Milão.

“Nem todo mundo pode jogar um segundo tempo como aquele e fazer quatro gols no Milan. Os rapazes sabem no que erramos no primeiro tempo. Então, com humildade, fizemos algumas modificações. É importante perceber que não se pode lidar com toda partida da mesma maneira. Faz parte da tática perceber que não pressionar muito alto também é uma boa ideia em algumas situações. (…) Foi uma noite importante, já que nos fez entender que precisamos sempre usar primeiro a cabeça, depois o coração e, por fim, as pernas.”

Um dos heróis da noite dos sonhos da Inter, Romelu Lukaku reverberou o coro do chefe. Para o belga, o triunfo foi um testemunho do espírito nerazzurro nesta temporada.

“O segundo tempo foi maravilhoso. (…) Jogamos com um nível diferente de intensidade depois do intervalo e, no fim, merecemos a vitória. O primeiro tempo foi duro para nós, mas todos no estádio viram a mentalidade desta Inter, nossa recusa a desistir e o nosso desejo de vencer.

Em 30 jogos na temporada, levando em conta todas as competições, Lukaku já soma 21 gols e quatro assistências pela Inter. O impacto imediato do belga na Itália é uma bonita recuperação depois a queda de reputação no United, mas o jogador credita o grupo por seu desempenho: “Tudo isso é graças a meus companheiros, o técnico e a comissão”.

Do lado do Milan, houve empolgação pelos primeiros 45 minutos, os melhores do time na temporada, e desilusão com os espaços deixados na defesa no segundo tempo e que levaram à derrota. E, em meio a tudo isso, encantamento com a influência que Ibrahimovic ainda pode exercer mesmo aos 38 anos de idade.

Depois de desfalcar o Milan por causa de uma gripe, ficando de fora do empate com 1 a 1 com o Verona na rodada anterior, Ibra foi titular no dérbi. Antes do jogo, seu companheiro de ataque Ante Rebic havia sublinhado o impacto psicológico da presença do sueco no elenco, enquanto o diretor Maldini também o havia exaltado: “Ele não é apenas um campeão por ser talentoso. Ele também vive, respira, pensa e age como um profissional. Um time jovem como o nosso pode acelerar seu processo de maturação com alguém de sua experiência”.

A contribuição de Ibra, como ficou evidente no jogo, vai além da mentalidade. O sueco esteve no centro das boas coisas feitas pelo Milan no jogo, dando assistência para Rebic marcar e fazendo ele mesmo o segundo gol. Vencedor como é, Ibrahimovic, é claro, ficou decepcionado com o resultado, especialmente depois do primeiro tempo rossonero.

“É difícil explicar o que aconteceu. No intervalo, dissemos a nós mesmos que os primeiros 15 minutos do segundo tempo seriam cruciais, e nesse intervalo nós sofremos dois gols. Paramos de jogar, o time deixou de acreditar. Paramos de pressionar, não passamos a bola suficientemente. Do empate pra frente, tudo ruiu”, avaliou, acrescentando que houve um problema de falta de vivência.

“Acho que muito (da derrota) vem da experiência, porque é preciso saber controlar uma partida quando se está vencendo por 2 a 0, não basta apenas saber vencer no fim.”

Ibrahimovic classificou o primeiro tempo do Milan como “praticamente perfeito”, mas reconheceu o trabalho da Inter para conseguir a reviravolta: “Eu esperava mais da Inter, e o desempenho deles no primeiro tempo não era de um time merecedor do segundo lugar. Depois do intervalo, sim”.

Com alertas valiosos para ambos os lados, o dérbi frenético de domingo deu também muitos indícios de coisas boas aos rivais nesta segunda metade de temporada. Depois do espetáculo oferecido aos torcedores e espectadores, cabe aos dois reproduzir mais do que fizeram bem e reduzir os erros apresentados.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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