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Berlusconi confirma venda do Milan aos chineses com esperança de retorno ao protagonismo. Agora vai?

A novela sobre a venda do Milan ganhou mais um capítulo esta semana, e este, por sua vez, pode ser o último. E com chances muito grandes de terminar de forma feliz. Silvio Berlusconi, presidente do rossonero há exatas três décadas, estava internado desde o mês passado para se recuperar de uma cirurgia cardíaca um pouco delicada. Ao sair do hospital, il Cavalieri foi bombardeado com várias perguntas em relação à situação financeira e administrativa do clube que, como bem sabemos, é acometível já há algum tempo. Sua principal fala, apesar de curta e sem detalhes muito aprofundados, soou como uma salvação para todo milanista que se preze: “eu vendi o Milan aos chineses”.

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“Agora, o Milan está traçando seu caminho para a China”, disse o italiano à imprensa local. “Entreguei o clube a um grupo que pode trazer os rossoneri de volta ao protagonismo na Itália, na Europa e no mundo. Não discuti valores, mas aceitei o que eles me ofereceram. No entanto, exigi que desembolsassem, pelo menos, € 400 milhões (R$ 1,46 bilhão), para serem gastos no mercado pelos próximos dois anos. Eles são um grupo muito importante, de muita credibilidade e com grande participação do Estado chinês”, assegurou. Com isso, o anúncio oficial da venda pode sair a qualquer momento. Isto é, se, desta vez, o negócio for mesmo concretizado.

As conversas com os ainda misteriosos investidores chineses (a mídia italiana especula que seja o grupo liderado por Robin Li, fundador do famoso Baidu e sexto homem mais rico da China) já aconteciam há algum tempo, e de maneira lenta. Isso porque Berlusconi não teve uma experiência bem sucedida com as negociações da venda do clube ano passado, quando planejava passar a bola para Bee Taechaubol, um empresário tailandês. Pode até parecer que o presidente simplesmente não quer largar o osso sem mais nem menos, já que não é de hoje, tampouco de ontem, que os bastidores do maior campeão italiano fora da Itália não correspondem à sua grandeza. Mas a verdade é que Berlusconi estava estudando minunciosamente para quem ele entregaria o Milan.

Não é novidade para ninguém que os asiáticos ainda não desenvolveram por completo as manhas de como e em quem apostar suas fichas quando o assunto é futebol. Portanto, as chances da verba investida ser mal direcionada sempre existem. A ver o caso da arquirrival Internazionale, que foi parcialmente comprada, há três anos, por um indonésio que esbanjava dinheiro, mas não entendia nada do esporte. E esse é o maior medo de il Cavalieri. Até porque um clube da dimensão do Milan não pode passar pelas mãos de qualquer um. Mas também não pode permanecer nas dele. De jeito algum. Embora o italiano seja, acima de tudo, um fervoroso torcedor rossonero e tenha feito muitas boas pelo e para o clube lá atrás, o Milan precisa se renovar. Seu tempo acabou.

Sem ganhar títulos há cinco anos e se contentando com migalhas no Campeonato Italiano desde então, a grana vinda da China é a esperança da ressurreição do Diavolo no cenário nacional, continental e mundial, como bem colocou Berlusconi. Sabendo da insistência e do apego do ex-primeiro ministro da Itália, é certo que ele não abandonará o Milan com essa venda. Tampouco Adriano Galliani, que foi o responsável pelas expressivas contratações ao longo dos últimos 30 anos. Então, sob a perspectiva dos chineses, será mais uma oportunidade de expandirem seus horizontes no mercado europeu, o qual, este ano, mais do que nunca, vem sido tomado pelo dinheiro e pela vontade de tornar o futebol do país asiático mais forte.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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